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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Quer se separar? Mas pelo menos ele não te bate...

Por Kalu Brum, doula e fotógrafa

Stella Costa e o prazer de parir (VBAC) depois de uma cesárea desnecessária
Stella Costa e o prazer de parir (VBAC) depois de uma cesárea desnecessária
Vivemos em uma realidade obstétrica tão terrível que vale o argumento do assaltado:
- Ele levou tudo, mas pelo menos estamos vivos.
É assim que muitas mulheres pensam em seu partos: não importa se o bebê não escolheu a hora de nascer, sinalizando com o pulmão pronto o início do trabalho de parto (o que importa é que o médico embolsou seus míseros reais para mais uma cesárea – e cobrou 300,00 pela cola de última geração);  não importa se a mulher não pode comer ou beber água em todo seu trabalho de parto, se sentiu frio, fome, desamparo. Não importa se suas pernas foram amarradas em um parto normal violento ou os braços, como que crucificada, em uma cirurgia.
Não importa se o bebê sofreu uma série de violências desnecessárias. Não importa se roubaram o sonho de um parto fazendo essa mulher acreditar que o parto, seu corpo poderia matar o bebê, seja por falta de dilatação, seja por cordão enrolado, seja por qualquer outra falsa indicação de cesárea.
O que importa é que estão bem? E será que é só isso?
Será, que dentro de uma relação basta que ele não te bata? Não te estupre? E que você esteja viva?
Sonho o dia em que os planos de parto não sejam negações de direitos humanos:
- Não raspar os pelos
-  Não fazer lavagem
- Liberdade para comer e beber água…
Sonho o dia em que os planos de parto sejam pensados como um encontro romântico em que escolhemos as roupas, a música, os aromas, quem estará conosco. O que comer, o que beber.
Que um parto não se resuma: pelo menos todos estão vivos!
Que seja a maior e incrível aventura ritualística de uma mulher. Em que se vive as dores com acolhimento, o amor e todas as emoções em cada etapa.
Que se intervenções forem necessárias, que sejam para salvar vidas.
E não que salvar vidas que não precisariam ser salvas continuem ser a bandeira do sucesso.
Eu tenho um sonho! Esse é meu sonho: que planos de parto não sejam apenas a negação de violência explicita e desconhecida contra a mulher.

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