Traduzir

Mostrando postagens com marcador Parto Natural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parto Natural. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de setembro de 2014

Por onde saem os filhos?

Original em Revista TPM
Por Natascha Cortêz

O nascer no Brasil: Tpm ouviu histórias de diferentes partos (normal, cesárea, em casa)


A natureza diz que é pela vagina. Mas, se considerarmos o número de cesáreas feitas no Brasil, podemos dizer que é por um corte na barriga. Tpm ouviu histórias de diferentes partos (normal, cesárea, domiciliar) e o que os especialistas pensam sobre o nascer no Brasil. Tudo pra tentar entender: de quem é o parto e de quem deveria ser?


Segundo informações do Ministério da Saúde, um dos principais desafios das políticas voltadas para a saúde da mulher é a mudança do modelo que fez do Brasil campeão disparado em cesáreas. A maior pesquisa nacional já realizada, Nascer no Brasil, publicada em maio pela Fundação Oswaldo Cruz, confirma a preocupação do órgão: cruzamos a linha dos 52% de partos cirúrgicos na rede pública. Nos hospitais privados, o índice pode ultrapassar os 88%. Percentuais muito distantes dos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). São quase 1 milhão de brasileiras submetidas a partos cirúrgicos todos os anos. Contudo, o mesmo estudo diz: 73% das entrevistadas declararam desejar o parto vaginal no início da gravidez.
O que acontece para que essas mulheres não consigam realizar o parto que queriam? A pesquisaMulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado, da Fundação Perseu Abramo, de 2010, dá uma pista: uma entre quatro brasileiras disse ter sofrido violência no parto. E, como explica a obstetra Carla Polido, “violência obstétrica vai muito além de tratamento desumano. Ser privada do contato com o bebê ou receber ocitocina sintética para acelerar o trabalho de parto apenas por conveniência médica também é violência”. Ao se depararem com as duas opções, cesariana e parto normal, ambas permeadas por violência, não é de espantar que as brasileiras prefiram a alternativa mais rápida – no caso, a cirúrgica. “Entre ser maltratada por 12 horas e ser maltratada por meia hora, qual parece mais fácil?”, indaga Raquel Marques, sanitarista e presidente da Artemis, instituição que promove políticas públicas para um nascer mais digno.

Dois filhos > uma cesárea e um parto normal

Olivian Moioli
Wanessa Camargo no parto do segundo filho
Wanessa Camargo no parto do segundo filho
“Tenho pavor de anestesia. Fiz tudo pra poder ter um parto normal na primeira gravidez, esperei entrar em trabalho de parto, fiquei 12 horas nele, mas não tive dilatação. Na época, meu médico disse que meu filho estava em sofrimento fetal. Fizemos uma cesárea. Chorei muito antes da cirurgia, pois queria muito o parto normal. Na cesárea, tive uma reação terrível à anestesia e odiei o pós- operatório. Fiquei 40 dias em casa sem conseguir me esticar, não conseguia fazer nada. Na minha segunda gravidez, novamente queria parto normal, mas não criei expectativas. Acabei trocando de médico, escolhi um defensor do parto normal e fiquei em uma sala de parto humanizado. Foi muito cansativo, mas faria tudo de novo 10 mil vezes. Ouvi muita história bobona pra me dar medo, mas meu médico me tranquilizou em relação a esses mitos todos. Foi aquele parto de novela mesmo, demorado, exaustivo, mas nunca pensei em desistir. No dia seguinte eu estava de pé, já andava e brincava com meu filho mais velho. Até o leite desceu mais rápido. Tive as duas experiências, e não tem comparação, o parto normal é muito melhor. Se precisasse ter outra cesárea, não sei se gostaria de ter outro filho.” -WANESSA CAMARGO, 31 ANOS, CANTORA  

Dois filhos > dois partos normais no hospital

Arquivo Pessoal
Leticia Spiller no parto de Stella
Leticia Spiller no parto de Stella
“Sempre me informei sobre parto. Nascer é um sofrimento no mundo ocidental. O ar-condicionado gelado, aquela luz azul e a instrumentalização hospitalar deixam tudo mais cruel. O que pude fazer pra deixar meus partos mais aconchegantes, fiz. Eu tinha 23 anos na primeira gravidez, e 37 na segunda. Os dois partos foram normais e em hospitais. Eu queria ter todos os recursos necessários caso acontecesse alguma coisa, sabe? Mas pedi que demorassem pra cortar o cordão umbilical, abaixassem a luz, desligassem o ar-condicionado e respeitassem meu tempo. Acabei tomando anestesia em um último momento, fiz uma força e, a Stella, minha segunda, nasceu sem dificuldade. Fiquei muito tranquila nas duas vezes e acho que isso ajudou muito. Me preparei bastante para poder fazer os partos. Tenho amigas bem jovens que já deixam a cesárea marcada, não entendo isso.” - LETÍCIA SPILLER, 41 ANOS, ATRIZ

Parto não é produto

"A brasileira está largada à própria sorte quando o assunto é assistência ao parto, sejam aquelas que usam o Sistema Único de Saúde ou as que usam a rede privada através de convênios médicos. Não existem notícias boas para essas mulheres. É muito triste quando o parto domiciliar é falta de opção, e não escolha, por exemplo. Quando uma mulher mora em uma área afastada e não consegue chegar a um hospital, se ela tiver pressão alta, se for gravidez de gêmeos, não pode ser domiciliar. Casos assim exigem uma UTI neonatal e outra para a mãe. A questão está na maneira como o parto é tratado. Quando temos um problema e não reclamos por políticas públicas que melhorem a vida de todo mundo, passamos a reivindicar pelo que pagamos e pelo que podemos comprar. Enquanto nos portarmos como consumidores, seremos tratados como tais e só receberemos serviços à medida que somos economicamente interessantes.” - RAQUEL MARQUES, PRESIDENTE DA ARTEMIS, INSTITUIÇÃO QUE PRESSIONA O PODER PÚBLICO E PROMOVE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA UM NASCER MAIS DIGNO

Insegurança médica

“Os estudantes de obstetrícia saem da faculdade como excelentes cirurgiões
e com pouquíssimo conhecimento da realização de um parto vaginal, saem com menos mão e superinseguros. Não podemos negar que a cesariana também
é um procedimento mais interessante tanto para o médico quanto para o hospital, por ser um evento previsível, com hora marcada, rápido e passível de maior controle. Porém, deveria ser uma alternativa de emergência para salvar vidas. Ainda temos o fato de as brasileiras serem pouco informadas a respeito do parto e acreditarem em falácias que envolvem sobretudo o medo de uma dor extrema e o da alteração de sua vagina.
A queixa de ‘alargar’ a vagina é comum, mas para isso existe a fisioterapia urogenital, que parece pompoarismo, só que tecnológico. Toda mulher tem acesso a ela, do SUS ao Einstein. Além
do mais, o parto vaginal implica em menores riscos de morte para mulheres
e crianças, aleitamento prolongado e melhor prognóstico gestacional para futuras gravidezes. O sofrimento fetal, só possível com o trabalho de parto, produz uma membrana que protege o brônquio da criança. Outro benefício é que esse parto é apertado para o bebê, a pressão no seu tórax faz com que ele elimine o líquido amniótico que fica retido nas vias aéreas superiores.” - 
RENATO KALIL, GINECOLOGISTA E OBSTETRA DO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN EM SÃO PAULO 

Um filho > parto em casa (e esperando o segundo)

Arquivo Pessoal
Mariana Maffei após seu primeiro parto
Mariana Maffei após seu primeiro parto
“Desde que conheci o parto domiciliar, soube que era pra mim. Me sentia preparada por conta de um pré-natal bem-feito e das leituras que fiz sobre o assunto. Uma verdade: imaginava que teria muito menos dor. Ela é como uma cólica forte, só que por muito tempo. A dor vale a pena, faz parte do processo de se tornar mãe. Meu parto foi assistido por uma doula e duas parteiras, mas, na hora que meu filho nasceu mesmo, só estava a doula. Nem meu marido estava no quarto. O nascer domiciliar é completamente natural, não há medicação alguma. Uma mulher que quer parir em casa quer viver a dor e o parto.Otesãoquevocêtemao viver um parto natural é o de se sentir protagonista daquilo. Estou grávida novamente, vai nascer em breve, e quero ter em casa outra vez, não abro mão.” - MARIANA MAFFEI, 31 ANOS, EMPRESÁRIA

Um filho > um parto roubado 

Arquivo Pessoal
A bebê de Juliana Leandro
A bebê de Juliana Leandro
“Assim que soube que estava grávida de minha primeira filha, prometi a mim mesma: faria parto normal. Passava os dias lendo sobre tudo que se relacionava a parir. Queria me munir de informações, porque sabia o quão difícil era conseguir realizar o procedimento no Brasil. Apesar de ter seguido os passos recomendados para conseguir um parto normal, minha filha nasceu por uma cesariana. Desnecessária, como descobri mais tarde. Foram 12 horas de trabalho de parto, as contrações corriam como o esperado e tudo caminhava para o desfecho que planejei. Ainda assim, minha vontade foi negligenciada. Sentia minha filha fazendo força pra sair. Então, uma enfermeira brutalmente proibiu que eu ficasse de cócoras, uma necessidade que sentia. Estava vulnerável e não soube me defender. A justificativa que recebi foi que meu bebê passava por sofrimento fetal e uma cesárea precisava ser feita com urgência. Não vi saída a não ser autorizar o procedimento. Fui levada para a sala de cirurgia e em meia hora tudo aconteceu. Tive um parto roubado. Depois, analisando o prontuário, descobri que meu bebê tinha uma frequência cardíaca perfeita para o parto normal. Me senti enganada. O tratamento que tive foi, sim, violência obstétrica.” - JULIANA LEANDRO, 32 ANOS, BANCÁRIA 

Violência obstétrica vai muito além de tratamento desumano

“A violência obstétrica é consequência direta da medicalização do parto. Durante anos, intervenções no processo fisiológico de nascimento vêm sendo realizadas como regra de assistência, quando deveriam ser utilizadas apenas de acordo com necessidades específicas. O uso inadequado de procedimentos caracteriza a violência obstétrica, que vai além de tratamento desumano. Uso de soro com ocitocina sintética para aceleração do trabalho de parto por conveniência médica e hospitalar, exames de toque sucessivos feitos por diferentes pessoas, episiotomia (corte entre a vagina e o ânus para aumentar canal de passagem do bebê) e privação do contato imediato entre mãe e filho após o nascimento são formas de violência. O parto ‘humanizado’ (termo, na minha opinião, equivocado e sujeito a interpretações dúbias) é o parto em que nenhuma intervenção é feita sem necessidade, um parto em que a mulher é corresponsável e, pactua todas as condutas e é a personagem principal do processo que gira em torno dela e da criança. Não sou de forma nenhuma contra a cesariana com indicação médica, mas não realizaria o procedimento eletivo sem motivo. Acredito que as mulheres têm o direito, sim, de escolher a cesariana. Mas, para a opção consciente, elas precisam saber de todos os riscos envolvidos, e, na minha experiência, sei que mulheres informadas não escolhem cesarianas.” - CARLA POLIDO, OBSTETRA E PROFESSORA ASSISTENTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS 

Quatro filhos > dois partos de cócoras e dois por cesária

Arquivo Pessoal
O segundo parto de Lila Ananda
O segundo parto de Lila Ananda
“Quando engravidei pela primeira vez, quis parto normal. Doeu muito. Menos de dois anos depois tive meu segundo filho, em hospital, com a mesma médica, novamente de cócoras. Imaginava que quando tivesse o terceiro seria na água. O pré-natal não foi tão bom como os dos primeiros e fiquei apreensiva. Tive um mal-estar com 40 semanas e acabei no hospital. Lá, me consultei com um cesarista assumido que me explicou como seria se escolhesse a cirurgia. Optei pela cesárea. Foi muito tranquilo. A recuperação foi boa e eu pude entender as mulheres que escolhem o procedimento. Quando engravidei pela quarta vez tive certeza: faria cesárea, mesmo se não tivesse indicação. Só não esperava entrar em trabalho de parto dois dias antes, foi a primeira vez que isso aconteceu, meus dois primeiros foram induzidos. Cheguei ao hospital com contrações e desabei diante do médico. Disse a ele: ‘Pelo amor de Deus, não me obrigue a ter um parto normal, eu já passei por isso’. Ele pediu ao médico de plantão, que aceitou operar. Passei mal na mesa de cirurgia e fiquei com medo de morrer. Minha pressão caiu muito e achei que não conheceria minha filha. Se recomendo parto normal ou cesária? Depois de tudo que passei, acho que parto é igual a orientação sexual, não se deve opinar na do outro.” - LILA ANANDA, 25 ANOS, ARTISTA PLÁSTICA 

O corpo é poderoso

“No Brasil, muita coisa precisa mudar. Os planos de saúde precisam adequar suas estratégias e tornar o parto normal mais atraente para o médico conveniado. Os hospitais precisam criar estruturas facilitadoras de um parto humanizado, disponibilizando recursos, como banheira, bola, banqueta e um ambiente acolhedor para toda a família. Os profissionais de saúde precisam reciclar suas práticas e prestar um atendimento coerente com a medicina baseada em evidências, que está de acordo com tudo o que é preconizadopelo movimento da humanização do nascimento. As agências reguladoras precisam fiscalizar e punir as cesarianas e intervenções realizadas sem uma boa indicação. Mas, principalmente, as mulheres precisam derrubar mitos e medos, exigir seu direito de serem respeitadas e acreditar mais na natureza e no poder de seu corpo.” - ÉRICA DE PAULA, PSICÓLOGA, DOULA E PRODUTORA DO FILME O RENASCIMENTO DO PARTO

http://revistatpm.uol.com.br/revista/146/reportagens/por-onde-saem-os-filhos.html

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Como é nascer no Brasil?

Por Simone Diniz, médica obstetra PhD
Texto retirado da fanpage O Renascimento do Parto - O Filme


Primeiro nasce-se cada vez menos. A gente teve uma queda muito acentuada de nascimentos no Brasil. E quanto mais escolarizada e maior a renda, menor a fecundidade. No caso brasileiro, o parto é muito medicalizado e muito marcado pela hierarquia social da mulher. Para algumas questões de saúde, como para quem tem HIV, precisa de um antirretroviral ou de uma cirurgia, você tem o mesmo procedimento público e privado, existe um padrão do que é considerado como aceitável. Para o parto, não. A gente tem uma assistência ao parto que para as mulheres de menor renda e escolaridade e para aquelas que o IBGE chama de pardas e negras, muito diferente do das mulheres escolarizadas, que estão no setor privado, pagantes.

Normalmente as mulheres de renda mais baixa no Brasil têm uma assistência sem nenhum direito a escolha sobre procedimentos e os serviços atendem para um parto vaginal com várias intervenções que não correspondem ao padrão ouro da assistência como ficar sem acompanhante. No setor público é pior, mas vamos levar em conta que no setor privado 70% das mulheres nem entra em trabalho de parto. Muitas mulheres são mantidas imobilizadas e recebem, em algum momento do trabalho de parto, alguma droga para induzir ou acelerar, a ocitocina sintética principalmente. O uso de ocitocina deveria ser extramente cuidadoso, porque ela tem vários efeitos adversos como, por exemplo, tornar a contração artificialmente intensa e muito dolorosa. Então as mulheres frequentemente descompensam emocionalmente. E alguns procedimentos invasivos que não deveriam ser usados, a não ser com extrema cautela, são usados livremente como o descolamento das membranas, que é muito agressivo, doloroso, aumenta o risco de lesão de colo e infecções e a ruptura da bolsa, como aceleração do parto. É uma ideia de produtividade que parte do pressuposto que o parto é um evento desagradável, degradante, humilhante, repulsivo, sujo e que, portanto, deve ser encurtado.

Isso no sistema público, não é?

Sim. E quando você chega no período expulsivo é imobilizada deitada. Outras pesquisas mesmo antes da “Nascer no Brasil” já mostraram que 90% das mulheres dão a luz imobilizadas deitadas de costas, que é uma posição que é antifisiológica, prejudica a mãe e o bebê, recebem uma manobra que empurra a barriga da mulher, sem contar a episotomia. Então mais da metade das mulheres sai com uma sutura genital, se não sair com uma abdominal. Raramente uma mulher sai do parto sem uma sutura. É um parto com intervenções desnecessárias, agressivas e dolorosas, em ambientes inóspitos e vexatórios, com procedimentos e rotinas degradantes, exposição da privacidade, tratamento insensível, rude e abertamente violento como muitas mulheres têm mostrado.

E com diferenças que passam pelo gênero, condições socioeconômicas, cor da pele…

As questões de gênero cruzam com as questões socioeconômicas. Existe uma ideia de que o sofrimento no parto é uma punição legítima pela mulher ter transado. Isso é muito repetido. O próprio ministro da Saúde disse publicamente, mais de uma vez, que durante a formação dele, o professor fazia esse tipo de violência verbal de caráter sexual com as mulheres, aquela coisa do “na hora que fez você não gritou”. Como diz o movimento feminista, “parto violento para vender cesárea”. Além disso, é muito raro que um profissional, independente da formação, tenha visto um parto espontâneo, fisiológico, planejado. Ele pode ter visto um que nasceu no corredor, no taxi, mas um que tenha sido planejado para isso ele nunca estudou.

Então para esse profissional, que aprendeu que as mulheres se beneficiam dos procedimentos, essa é a ideia de assistência ao parto. Para o sistema público é um: manejado, com hormônios, etc. No setor público, as mulheres não podem escolher porque essa escolha deve ser feita com base em critérios clínicos do que é seguro e apropriado para ela. No setor privado, considerando que as mulheres são mais escolarizadas e estão pagando, elas têm direito a autonomia. É uma autonomia relacionada à condição de pagante. No setor privado parte-se do mesmo pressuposto que o parto é uma coisa humilhante, primitiva, coisa de pobre, que vai danificar o períneo, que vai comprometer. É muito parecido com o conceito religioso de indulgência, como você paga, a gente pode fazer um desconto no seu pecado. E aí você pode fazer um bypass do trabalho de parto. Atualmente aceita-se internacionalmente que os melhores resultados para a mãe e para o bebê são aqueles do parto fisiológico e espontâneo, que se inicia, conduz e termina sem uso de intervenções. Defendo muito ardentemente o direito de escolha das mulheres. Mas precisa ser o direito de escolha informado.

Mas qual escolha? A da via de parto ou dos procedimentos? Porque se a gente não escolhe fazer uma cirurgia para retirar o apêndice, por que deveria escolher a cesárea? Não deveria ser apenas por indicação clinica?

A escolha tem que ser informada. Não existe escolha fora do seu contexto social. Vamos dizer que você mora em uma cidade e ninguém atende parto normal. No SUS é ocitocina, episotomia, Kristeller (manobra que consiste em empurrar a barriga). Se cair em um hospital escola, sua vagina vai passar pelo toque coletivo. Qual é a alternativa? A cesárea. Não existe escolha livre nesse sentido. No Brasil, a crença mesmo nos setores acadêmicos é que o parto vaginal é horrível e que a cesárea é a alternativa superior. Não adianta que toda evidência mostre o contrário. Evidência de curto prazo: aumento de risco na transição fetal neonatal. Existe muito mais segurança nos partos fisiológicos do que nas cesáreas. O bebê tem menor chance de ir para uma UTI neonatal, de ter problemas respiratórios, metabólicos, infecção – ele tem o melhor prognóstico de todos. No longo prazo a gente sabe que o trabalho de parto em si desempenha um papel muito importante na ativação de certos sistemas orgânicos para a transição. Como o bebê nasce estéril, livre de bactérias, à medida que entra em contato com as bactérias da vagina durante o parto, ele será colonizado e isso desenvolverá um sistema imune muito mais saudável do que se nascer de cesárea e for contaminado por bactérias hospitalares. Esse é conhecimento recente, mas já saíram pesquisas sobre risco diferenciado de asma, diabete, obesidade e uma série de doenças crônicas na infância e no longo prazo, porque a programação metabólica da criança é altamente dependente dessa colonização. Isso é muito importante.

Quando eu falo de escolha informada é informar sobre tudo isso. E é um problema ter os profissionais como fonte de informação porque eles desconhecem esse tipo de coisa. Porque ignoram ou porque não acreditam. Não é que ele engana a mulher, o filho dele nasce de cesárea! A cesárea é um recurso muito importante em todos os sistemas de saúde materna. Mas o que a gente faz no Brasil é pessimizar o parto para vender cesárea. Existe um conflito de interesses, as pessoas não querem que o parto melhore. Eles se livraram da imprevisibilidade do parto espontâneo através da eliminação do trabalho de parto. O que eles oferecem de plus para competir entre si? A festa! Porque o parto é um momento ritual onde o lugar da mãe e do bebê são marcados socialmente. Seja paciente do SUS, solteira, pobre, não branca, trabalhadora do sexo que vai parir no amparo maternal até a mulher de classe altíssima no hospital mais elegante. O lugar que você dá a luz é um marcador desse seu lugar social. Essa ritualística pesa muito e reflete os valores que a gente quer transmitir para as próximas gerações. Os padres já diziam que para Deus manifestar seu horror ao corpo ele tinha feito as pessoas nascerem entre urina e fezes. E, veja só, esse contato bacteriano que é o bacana!

Há diferenças regionais?

Elas estão se diluindo cada vez mais. As maiores taxas de intervenção são em regiões mais ricas: sul e sudeste. Centro este fica no meio seguida de nordeste e norte, quando você ainda tem um grande número de partos domiciliares com parteiras tradicionais.

Nos centros urbanos, o relato de violência é maior. As pessoas acreditam que isso é porque as mulheres urbanas identificam melhor essa violência e também nas comunidades menores as pessoas sabem quem é quem. A violência precisa de uma certa impessoalidade. A violência também é mais comum entre as mulheres mais pobres, menos escolarizadas, as negras e as pardas e as mulheres mais jovens. Em geral essas pessoas são mais maltratadas. É como se a gente tivesse uma hierarquia de respeitabilidade materna.

Aliás o pré-natal é outro período critico de desinformação, não?

O pré-natal na década de 1980 era a coisa mais linda. Com grupos de informação, material de divulgação, cartilhas lindas, ilustradas. Desapareceu tudo. Eu acho que a gente guinou da ideia de integralidade para uma ideia de aumento de consumo de exame e medicamento. Essa atitude educativa diminui lucros e os pacientes ficam mais exigentes. Às vezes o profissional nem tem má fé, ele realmente acredita naquilo. As pesquisas indicam que entrar em trabalho de parto aumentam muito o risco de você sofrer violência. É muito interessante o grau de hostilização da mulher em trabalho de parto. Seja no SUS, por conta do conjunto de intervenções agressivas ou no setor privado porque elas acham o fim da picada que aquela mulher esteja querendo dar problema, dar trabalho para eles. Eu já ouvi uma mulher dizer que como insistiu muito com o médico que queria parto normal ele indicou um psicólogo dizendo que ela tinha traços masoquistas!

Vai acontecer essa mudança?

Só se partir das mulheres. Quando as pessoas se derem conta desses impactos sobre o bebê, creio que pode mudar."

Por Simone Diniz, médica obstetra PhD

Ela é considerada uma das pesquisadoras mais importantes em saúde materna no Brasil. Parte da coordenação do estudo “Nascer no Brasil”, que faz um panorama de como se nasce no país, ela dá números e declarações novas e impactantes nesta entrevista exclusiva à Pública, para a reportagem "Na hora de fazer não gritou"

domingo, 20 de julho de 2014

O nascimento de Teresa

Original em doseupai
Por Pedro Fonseca


Teresa,

eles não fizeram por mal.
O médico que disse à sua mãe, em julho, quando ela estava com apenas quatorze semanas de gestação, que deveria "marcar logo o parto para o dia 1º de janeiro de 2014". A vizinha que, no elevador, afirmou que "no caso da sua mãe era pior". O casal que perguntou, todos os dias: "para quando é?". A moça do laboratório que insistiu, três vezes seguidas, queria saber se era isso mesmo, se havia entendido certo que "sua mãe vinha de duas cesáreas e agora decidiu por um parto normal". Todas as médicas plantonistas do Hospital São Luiz que, no último domingo, fizeram questão de demonstrar sua "preocupação" pelo "histórico" dos últimos partos da sua mãe. Nenhum deles fez por mal, filha.

Julho de 2013

Tive muito medo quando, ao deixar o consultório médico, notei o silêncio atípico na sua mãe. Ela poderia tentar disfarçar o caminho inteiro, mas precisei de uma única curva à direita. Tudo bem? –perguntei. Achei um absurdo marcar o parto hoje, quando ainda nem sabemos como será a gravidez. Nos outros partos, nós marcamos data –eu disse, sem ainda entender para onde estávamos indo. Não quero isso –sua mãe estava silenciosamente transtornada. Não quero isso, repetiu. As palavras do médico ecoavam na minha cabeça. "Ela vem de duas cesáreas, Pedro,
é perigoso tentar um parto natural".
Perigoso e Pedro, aqui em casa, são duas palavras impossíveis de constar na mesma frase. Envolvendo qualquer um de vocês. Mas com sua mãe, veja bem, filha, mas com sua mãe elas não podem sequer habitar o mesmo parágrafo. Sua mãe é a razão disso tudo aqui, o nosso elo mais importante, o que permite a nossa existência nessa forma harmoniosa que você e seus irmãos conhecem. Sua mãe, em perigo, somos nós, em perigo ainda maior. Sem ela, não somos nada. As palavras do médico ecoavam na minha cabeça, no meu fígado, no meu estômago. Adoeci várias vezes durante a gravidez. Fiquei frágil. Tive medo. Todos os dias, com a decisão de seguir para um parto natural, tive muito medo. 
O maior inimigo do medo, entretanto, teve encontros comigo diariamente, em segredo. E aqui deixo o segredo de lado para dividir o que é preciso.
 
Dezembro de 2013

Betina Bittar foi a médica escolhida por sua mãe para acompanhar a gravidez. Betina é uma médica, mas poderia ser uma amiga daquelas que vem aqui em casa comer o nosso famoso Cozido do sábado. Ela é das nossas. E nos foi recomendada por pessoas em quem confiamos demais. Ainda na primeira consulta, fiquei espantado com a sua serenidade diante daquilo que, para mim, era motivo de tanto medo. Pode acontecer algo com Lua, Betina? Pode. Mas pode acontecer no carro, a caminho de casa. Digo, pode acontecer algo por conta das cesáreas? Pode. Mas poderia acontecer mesmo que fosse a primeira gravidez. Em dezembro, depois de vários momentos assim, ela disse a frase que tanto esperei. Ela olhou para sua mãe, durante uma consulta, e disse: "parir é perder o controle".
Passei a gravidez inteira formulando essa frase (e imagem) que Betina traduziu. Minha forma de, secretamente, espantar o medo tinha sido criar a certeza de que nada podemos controlar – e que, diante disso, deixar que as forças maiores ajam por conta própria (aqui falo da poderosa possibilidade de dar à luz, de reinventar a existência humana, de dar um passo à frente –real– e de mudar, ainda que por segundos, a percepção de tempo diante do Universo). Se há um deus, filha, ele é uma mulher grávida.

Sábado, 25 de janeiro de 2014

Logo cedo, sua mãe avisou que sentia cólicas. Pequenas cólicas. No final da manhã, eram contrações leves, segundo ela. Entenda: estudei pouco inglês, pouco espanhol e pouco francês. Grego, não. Isso para mim é grego. Sou incapaz de entender uma contração. Por isso assisti a tantos vídeos de parto na reta final da gravidez. Muitos amigos diziam (e eles também não fizeram por mal) que a mulher virava um monstro. Ela vai te xingar. Ela vai querer te bater. Ela vai aproveitar para colocar para fora todas as dores. Estava pronto para uma tsunami humana. Mas o que veio? Sua mãe, de novo, me ensinando tudo. Diante do aumento da intensidade e frequência das contrações, ela ficava mais concentrada para o momento DELA (odeio levantar palavras, assim, no texto, me perdoe a deselegância, filha, mas explicarei logo mais). E foi assim durante todo o sábado, aniversário da cidade de São Paulo, 25 de janeiro. Sua mãe concentrada, cada vez mais. Até que por volta das 23h, Celine (doula) chegou na nossa casa. Depois, Priscila (obstetriz). Depois, sua avó, Lydia - que soube das contrações pela manhã, em Recife, e na madrugada de domingo já estava ao lado da sua mãe. Estava tudo pronto. Você estava pronta. Sua mãe estava pronta (mas isso fazia mais tempo).
 
Domingo, 26 de janeiro de 2014
 
Chegamos no hospital às 8h e enfrentamos uma legião de caretas, resmungos, cochichos e, por fim, má vontade. Mas aí, filha, já era. Você tinha decidido nascer. E sua mãe tinha decidido ter um parto natural. O momento DELA (falei que ia explicar, aqui vai).

O momento DELA

Descobri, depois desses meses, dias, horas, minutos tão especiais que, no fim das contas, o parto é um momento muito simples, rápido, maravilhoso.
É o menor limite possível entre a vida e a morte. Ali, no segundo que separou você da vida aqui fora, filha, todos os relógios pararam. De um lado, o risco de algo dar errado. A morte. O nosso eterno medo diante do inevitável. Do outro lado, a chance de dar certo. A vida. O nosso eterno medo diante do desconhecido. Só que entre o inevitável e o desconhecido estava a sua mãe. E ela quis que fosse assim.
E orquestrou a valsa intensa.
Morreu a dor.
Nasceu o grito.
Morreu a lágrima.
Nasceu o sorriso.
Morreu o tempo.
Nasceu a pausa.
Pausa.
No segundo que a separava de nós, aqui fora, o momento DELA, da sua mãe. Nem eu, nem Betina, nem Celine, nem Mayra. Apenas a sua mãe, naquela sala, poderia fazer o que fez. E fez.
Nasceu você.
O seu nascimento, filha, é a morte da descrença, do medo, da inércia, do pessimismo. Você nasceu para a gente se despedir do controle. Parir é perder o controle. Perder o controle é viver em paz. Sua mãe nos deu você, você nos deu a paz. Obrigado, filha.

Terça, 27 de janeiro de 2014

Ao chegar em casa, você dormia. Assim que acordou, levamos Irene e João para vê-la. João havia visitado vocês no hospital. Estava sensível, emocionado com a sua chegada. Ele é o melhor irmão mais velho que você poderia ter, Teresa. Agradeça todos os dias por isso, ao Universo. Irene, que ainda não havia visto você e sua mãe ao mesmo tempo, ficou encantada, maravilhada. Os olhos brilhavam as mãos inquietas querendo acreditar na sua existência e na ausência misteriosa da barriga da sua mãe. Apontava para você, mostrava a quem estivesse por perto: nenê, nenê, nenê! Irene vai ser o melhor abraço que você irá receber, pode anotar isso aí no seu moleskine. Juntos, vocês três, em cima da cama, se curtindo, desenharam a razão das nossas vidas.

Por fim, filha, um pedido de pai. Sabe aquelas pessoas que duvidaram de tudo? Que cogitaram explicações científicas para que sua mãe não tivesse um parto normal? Sabe a vizinha desavisada? As médicas descrentes? Os amigos das verdades absolutas? A moça do laboratório? Eles não fizeram por mal. Sempre que cruzar com eles, conte como veio ao mundo. Aliás: conte como você e sua mãe fizeram o mundo parar, por um segundo, para repetir o milagre que acontece cada vez que resolvemos fazer algo em que acreditamos verdadeiramente.

Do seu pai,
Pedro.

sábado, 5 de julho de 2014

A Pré-eclâmpsia e o Parto Natural. Sim, é possível!

Por: Lucíola Gonçalves (Voluntária Gestar)
Original em Vila Mamífera
Você sabe o que é pré-eclampsia? Bom, eu não sabia até passar por ela, na minha 32ª semana de gestação.
A pré-eclampsia tem como sintomas a hipertensão, a proteinúria (presença de proteína na urina), o edema ou retenção de líquidos e acomete em média 10% das grávidas na segunda metade da gestação, mais ou menos após a 20ª semana. Isso tudo pode prejudicar o funcionamento da placenta e, assim, afetar a passagem de nutrientes para o bebê e, por tudo isso, caracteriza uma gravidez de risco.
Minha primeira pergunta depois do diagnóstico: e agora, quais as minhas reais chances de ter o meu tão sonhado parto natural? Minha obstetra, Dra. R., que prima pelos partos naturais, tendo uma média super baixa de cesarianas, foi bem sincera:
- Suas chances são 60% pelo parto natural e 40% pela cirurgia cesariana. Isso porque EU sou sua médica, se fosse outro já teria marcado a cirurgia.
- E como faço para transformar esses 60% em 100%?
- Bom você terá que seguir algumas indicações, mas nada garante que você terá o parto do jeito que quer.
Pensei: “Eu garanto…hehehe”.
E assim foi. Diariamente tinha que me deitar do lado esquerdo e contar os movimentos do bebê, que deveriam ser de no mínimo 7 em 1 hora, ficar de repouso com os pés para cima, não me preocupar/estressar com as coisas, medir a pressão pela manhã e pela tarde, tomar remédio para controlar a mesma. E semanalmente tinha que fazer exames de sangue e de urina, cardiotocografia e ultrassom e passar em consulta com a Dra. R. Por quase dois meses tive que seguir esses rituais.
Todo esse “protocolo” só fazia crescer dentro de mim a certeza de que meu parto seria da maneira que eu havia escolhido.
Com 38 semanas e 1 dia tive minha consulta semanal de rotina à tarde e, ao me examinar, a Dra. R. fala:
- Sua bolsa já estourou e você está com 3 centímetros de dilatação.
- Bolsa estourou, como que eu nem vi?
- Ué você está em trabalho de parto. Vai pra casa, toma um banho come algo e vai para a Clínica, pois o bebê vai nascer!
E lá fui eu bem obediente, fiz tudo que ela disse. Ao chegar à Clínica fui encaminhada ao quarto e, por volta das 20h, a Dra. R. apareceu, me examinou, 4cm, foi para casa tomar banho e comer e disse que voltava em pouco tempo. Minha irmã, que foi minha doula, achava que o TP ia demorar e também foi para casa. Lá pelas 22h volta a médica e me examina, 7cm:
- Vamos subir para a sala de parto, liga para a sua irmã voltar para cá que o TP está andando rápido.
Durante todo o tempo minha pressão estava sendo monitorada constantemente e os batimentos do bebê idem. Cheguei a ficar com 17X10 na pressão.
Ainda assim o TP foi evoluindo bem e, às 2h57 do dia 01/05/2009, nasceu meu lindo filho José, de cócoras, sem analgesia, episiotomia, e eteceteras e tal.
Acredito que o trabalho da médica foi essencial para o sucesso do meu parto, pois o acompanhamento pré-natal é de suma importância em qualquer gravidez, e ainda mais em uma gravidez de risco como a minha.
Sei que o tema é polêmico, mas estou aqui para contar minha história e afirmar que se você tem uma boa orientação médica – de preferência com um profissional que apóie verdadeiramente o parto natural – muito cuidado e monitoramento é possível sim ter um parto natural e tranqüilo mesmo passando por uma pré-eclampsia.
Acima de tudo, eu nunca duvidei que o meu parto seria do MEU jeito, natural e respeitoso para comigo e para com o meu bebê, e acho que essa confiança também foi muito importante para que as coisas tenham se desenrolado da maneira como descrevi.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Elas pedem ajuda, não cesárea!

Especialmente aos profissionais da assistência ao parto, entendam de uma vez por todas, porque um pedido de cesárea muitas vezes é um pedido de ajuda.
Uma história de parto normal após 2 cesáreas, e hospital que tem mais de 98% de cesáreas! 
Por Bráulio Zorzella, Obstetra em Jaú
Ela chegou gritando e esperneando como se estivesse sendo torturada… A conheci hoje, no plantão de retaguarda da maternidade que tem 98% de cesáreas pelo SUS, restanto os 2% de Parto Normal dos dias que estou de plantão, isso mesmo
que ouviram 98% de cesáreas pelo SUS!
Ela com 23 anos, terceira gestação, 2 cesáreas anteriores, 38 semanas, bolsa rota e 5cm de dilatação, colo finíssimo, apresentação baixa. A mãe chorando e as duas juntas pedindo “PELO AMOR DE DEU DOUTOR, FAÇA UMA CESÁREA”. Sentei ao seu lado no pré-parto, apaguei as luzes, pedi pra enfermagem sair (nesse hospital elas não tem a mínima prática com PN). Entre as contrações ela acalmou-se porém durante elas virava bicho e não ouvia nada, se contorcendo e gritando que o médico do pré-natal falou que ela não podia ter parto normal de jeito nenhum pois no caso dela era impossível! Perguntei se ela já quis algum dia ter PN e ela disse que sempre quis mas os médicos sempre falaram que ela não podia. No primeiro bacia estreita, no segundo não dilatou e agora pois já tinha 2 cesáreas.
Insisti mais um pouco em tentar acalmá-la e explicar os possíveis benefícios do bebê nascer natural, mas foi em vão naquele momento. A enfermagem e a pediatra me olhando com olhos de “oque vc está esperando pra chamar o anestesista pra cesárea?”. Falei em voz baixa PARA O BEBÊ NÃO OUVIR: “Liga pro anestesista e diga que teremos uma cesárea!” Percebi que contentei a todos nesse momento. A paciente, a mãe, a enfermagem e a pediatra. Chegou o anestesista que não viria para uma analgesia de parto se eu chamasse, mas… pedi que fizesse uma dose menor apenas para tirar a dor mas que não seria cesárea!
Todos se assustaram…”Como assim? Com 2 cesáreas anteriores? Aquele olhar de “ele deve estar louco!”. Anestesia feita, a dor passa, suficiente pra EU CONSEGUIR CONVERSAR COM ELA: “E agora, está bom pra vc assim? A dor melhorou? Seu problema está resolvido? Vamos resolver o do bebê agora. O bebê está super bem, e me disse que está querendo muito nascer de parto normal. Ele não sabe ainda que vai ser cesárea. Ele está na posição e quase saindo e vc tem a passagem ótima pra ele, vamos tentar ou se preferir ainda posso fazer a cesárea”. Ela me olhou, arregalou os olhos ao mesmo tempo que veio um puxo e começou a fazer força…Ela sorriu e percebeu que podia… Fez mais força e se empolgou! Na terceira ele nasceu perfeito e com nota 10 do pediatra. Foi ao colo da mãe que o beijou muito dizendo: Sempre me falaram que eu não ia conseguir! Não acredito que consegui fazer isso!… Caros cesaristas de plantão: elas pedem ajuda e não cesárea!!”
Com a colaboração da querida obstetra Carla Polido de São Carlos,  seguem links para os resumos dos artigos:
“A grande diferença nas taxas de cesarianas no país é devida a um grande número de cesarianas indesejadas na saúde suplementar”. Potter et al., BJOG, dez 2001
“Médicos no Brasil interpretaram algumas declarações de mulheres em trabalho de parto, como dor ou longa duração do processo, como solicitações de cesariana.” Potter, Faúndes et al, 2008, BIRTH

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Parto em casa, passo a passo

Por Ana Cristina Duarte

Apesar da mídia ter, nos últimos tempos, aumentado a visibilidade sobre o tema do parto domiciliar, cada vez que eu participo de uma conversa sobre o tema, eu percebo que a maioria das pessoas não faz a menor idéia de como ele acontece na vida real. No terreno da fantasia a mulher sente dores, seu marido chama a parteira. Ela chega com uma sacolinha com alguns panos brancos e uma tesoura.
Ela faz o parto, de certa forma faz o menino nascer, dá um tapa no bumbum, limpa tudo, faz uma sopa, tira o avental sujo e vai embora para casa.
Vou então contar como que acontece, tipicamente, o atendimento de um parto em casa no ambiente urbano, por parteiras profissionais.
Embora existam outros modelos, esse é o que eu e outras obstetrizes e enfermeiras obstetras conhecidas praticamos nos grandes centros.
1) Pré natal: durante a gravidez a parteira vai verificar os exames pedidos pelo médico, vai conversar muito sobre todas as questões de saúde, sociais, emocionais, alimentação, atividade física, trabalho, vai estabelecer um vínculo e uma relação de confiança com a gestante. A cada encontro são verificados todos os sinais vitais e a evolução da gestação, garantindo que apenas as gestantes de baixo risco continuem com o projeto do parto domiciliar. Aquelas que desenvolvem algum tipo de complicação, terão seus filhos em hospital, com a presença da parteira, se ela desejar.
2) Plano de parto: ainda durante a gestação, parteira e casal vão conversar sobre a equipe de atendimento, os riscos possíveis, as situações especiais que podem surgir, plano B (para onde e com quem ir em caso de transferência). Assim, caso seja necessário usar um hospital, a gestante já sabe para onde vai e quem será o médico que a receberá.
3) Preparação da casa: a parteira entrega ao casal uma lista de sugestões de como se organizar para o parto, os materiais necessários, alimentos e conforto para eles e a equipe. Juntos eles vão pensar onde armar uma banheira inflável, como levar água quente, como manter o ambiente aquecido, enfim, toda a parte da infra-estrutura.
4) Preparação para o parto: o casal receberá indicação de livros, páginas de internet, grupos de discussão virtual, vídeos, cursos e palestras que possam ajudá-lo a se preparar para o evento. O parto se constrói aos poucos, não só através do pré natal, mas também com a relação do casal com outros que estão vivendo essa mesma aventura. Conhecer outras histórias faz aumentar o repertório e a confiança no processo.
5) Quando o parto começa, em algum momento, pela descrição dos sintomas, das contrações e dos intervalos, a parteira vai ao domicílio da gestante verificar o andamento do processo. Nesse momento ela leva as malas com o material de atendimento que cabe a ela: descartáveis, drogas para hemorragia, material de sutura, material de emergência para o bebê, incluindo máscara de ventilação e em geral oxigênio. Mais ou menos que há numa sala de parto hospitalar, é colocado num parto em casa, porém de forma discreta e compacta. Banheira inflável, banqueta de parto e bola fazem parte do material de várias parteiras.
6) Após descarregar o material, a parteira vai fazer a verificação dos batimentos cardíacos do bebê e a dilatação (quando for necessário). Os batimentos cardíacos serão reavaliados a cada 30 a 60 minutos aproximadamente. É por esses valores que se verifica a vitalidade do bebê. Tudo é anotado num prontuário que ficará arquivado com a parteira. Caso a gestante esteja na fase ativa do parto, a equipe permanecerá até o fim. Caso ainda seja fase inicial, ficará a doula (quando for o caso) e a parteira cuidará de outros afazeres, até a fase ativa de fato começar.
7) Ao longo do processo a parteira estará junto, ajudando, avaliando e anotando. Quando o parto vai chegando ao fim, e começa a vontade de fazer força, a equipe vai preparar um canto para recepção ao recém nascido com material completo, caso seja necessário algum procedimento de reanimação neonatal. Começa uma certa movimentação, porque o bebê está prestes a nascer.
O parto vai acontecer na banheira, ou na banqueta, na cama, onde a mulher preferir. Por baixo, para receber o bebê, vai um lençol descartável. O bebê vai nascer e vai direto para o colo da mãe. Será enxugado e avaliado pela parteira e/ou pediatra (quando houver). Bebê que nasce completamente bem (99%), continua no colo da mãe, ligado ao cordão. Se precisar de estimulação, ou algum procedimento (1%), vai para a mesa de recepção que foi montada. Resolvido, volta para o colo da mãe.
9) Mãe e bebê juntos vão para a cama. A amamentação vai se iniciar. A placenta vai sair. A parteira vai avaliar a integridade da peça, vai verificar sangramento e se há necessidade de dar algum ponto no períneo. Fará os pontos, se necessários, com material estéril. O cordão será cortado em algum momento após parar de pulsar. Possivelmente após a saída da placenta. O bebê será examinado, pesado, vestido e entregue à mãe.
10) A mãe vai comer alguma coisa, vai se ajeitar na cama e permanecerá lá com o bebê e o restante da família. As parteiras vão organizar a casa, fazer a limpeza geral e deixar tudo pronto antes de partirem, cerca de 2 a 3 horas após o parto, levando o material e deixando a casa como era antes do parto. Ao longo dos próximos dias, mãe e bebê receberão as visitas pós parto da equipe, com avaliação e ajuda na solução dos problemas de amamentação.
E a vida continua!
Não parece simples?

sábado, 7 de junho de 2014

O que é Doula?

A palavra Doula vem do grego e significa “mulher que serve”, sendo hoje utilizada para referir-se à mulher sem experiência técnica na área da saúde, que orienta e assiste a nova mãe no parto e nos cuidados com bebê. Seu papel é oferecer conforto, encorajamento, tranqüilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações que está vivenciando.

Antigamente o nascimento humano era marcado pela presença experiente das mulheres da família: irmãs mais velhas, tias, mães e avós acompanhavam, instruíam e apoiavam a parturiente e recém mãe durante todo o trabalho de parto, o próprio parto e os cuidados com o recém-nascido.

Atualmente os partos acontecem em ambiente hospitalar e rodeado por especialistas: o médico obstetra, a enfermeira, o pediatra... cada qual com sua especialidade e preocupação técnica pertinente. O cuidado com o bem estar emocional da parturiente acabou ficando perdido em meio ao ambiente impessoal dos hospitais, tendendo a aumentar o medo, a dor e a ansiedade daquela que está dando a luz e consequentemente aumentando as complicações obstétricas e necessidade de maiores intervenções.
A doula veio justamente para preencher esta lacuna, suprindo a demanda de emoção e afeto neste momento de intensa importância e vulnerabilidade. É o resgate de uma prática existente antes da institucionalização e medicalização da assistência ao parto, e que passa a ser incentivada agora com respaldo científico.

Os resultados deste apoio vêm trazendo revelações surpreendentes na redução das intervenções e complicações obstétricas, bem como facilitando o vínculo entre mãe e bebê no pós-parto.

O que a Doula faz?

  • Oferece suporte emocional através da presença contínua ao lado da parturiente, provendo encorajamento e tranqüilidade, oferecendo carinho, palavras de reafirmação e apoio. Favorece a manutenção de um ambiente tranqüilo e acolhedor, com silêncio e privacidade.
  • Oferece medidas de conforto físico através de massagens, relaxamentos, técnicas de respiração, banhos e sugestão de posições e movimentações que auxiliem o progresso do trabalho de parto e diminuição da dor e desconforto.
  • Oferece suporte informativo explicando os termos médicos e os procedimentos hospitalares. Antes do parto orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
  • Também atua como uma ponte de comunicação entre a mulher, sua família e a equipe de atendimento, fazendo os contatos que a mulher desejar.
  • A doula se faz importante até mesmo num parto cesárea, onde continua dando apoio, conforto e ajudando a mulher a relaxar e tranqüilizar-se durante a cirurgia.
  • Pode estar presente no pós-parto, auxiliando a mãe no seu contato com o recém-nascido e com a amamentação.

O que a Doula não faz?

  • Não realiza qualquer procedimento médico ou clínico como aferir pressão, toques vaginais, monitoração de batimentos cardíacos fetais, administração de medicamentos.
  • Não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.
  • Não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto.
  • Não substitui o acompanhante escolhido pela parturiente. Nesse caso a doula orienta o pai ou acompanhante a ter uma participação mais ativa no processo, sugerindo formas de prestar apoio e dar conforto à mulher. 

Vantagens

Klaus e Kennel publicaram em 1993 em “Mothering the mother“(13) um estudo  onde apontaram os resultados globais da presença da doula no trabalho de parto e parto, como pode ser visto abaixo:

  • Redução de 50% nos índices de cesariana
  • Redução de 25% na duração do trabalho de parto
  • Redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural
  • Redução de 30% no uso de analgesia peridural
  • Redução de 40% no uso de ocitocina
  • Redução de 40% no uso de fórceps

Outros estudos (8-12) também mostram claramente que a presença da doula no pré-parto e parto trazem benefícios de ordem emocional e psicológica para mãe e bebê, incluindo resultados positivos nas 4ª a 8ª semanas após o parto:
  •  Aumento no sucesso da amamentação
  •  Interação satisfatória entre mãe e bebê
  • Satisfação com a experiência do parto
  • Redução da incidência de depressão pós-parto
  • Diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto-estima
As revisões da literatura científica elaboradas pelo notório grupo científico da Cochrane Collaboration’s Pregnancy and childbirth Group (3,4) inclui e valida diversos estudos abrangendo uma grande diversidade cultural, econômica e com diferentes formas de assistência. Confirma claramente que a presença da doula no suporte intra-parto contribui para a melhora nos resultados obstétricos, diminui as taxas das diversas intervenções e promove a saúde psico-afetiva da mãe e do vínculo mãe-bebê.
O mesmo grupo, em sua revisão publicada em 1998 declarou: “Devido aos claros benefícios e nenhum risco conhecido associado ao apoio intra-parto, todos os esforços devem ser feitos para assegurar que todas as mulheres em trabalho de parto recebam apoio, não apenas de pessoas próximas, mas também de acompanhantes especialmente treinadas. Este apoio deve incluir presença constante, fornecimento de conforto e encorajamento.” (4)

Reconhecimento e Recomendação pela OMS (Organização Mundial de Saúde)    

A OMS (Organização Mundial de Saúde) incentiva o apoio da doula no parto: 

"O apoio físico e empático contínuo oferecido por uma única pessoa durante o trabalho de parto traz muitos benefícios, incluindo um trabalho de parto mais curto, um volume significativamente menor de medicações e analgesia epidural, menos escores de Apgar abaixo de 7 e menos partos operatórios."

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. OMS. Maternidade segura. Assistência ao parto normal: um guia prático. Genebra: OMS, 1996

Revisão da Biblioteca Cochrane, 2010, conclui que:

"Todas as mulheres devem receber o apoio de um acompanhante especialmente capacitado durante o trabalho de parto e parto"

O suporte contínuo durante o parto oferecido por acompanhante capacitada:
  • Aumenta as taxas de parto normal
  • Reduz a duração do TP e a necessidade de analgesia
  • Maior satisfação com a experiência de parto

Hodnett, Gates, Hofmeyr, Sakala. Continous support for women during childbirth. Cochrane, 2010

Ministério da Saúde recomenda o suporte da Doula

"O apoio da doula, além de melhorar a vivência experimentada pelas mulheres que dão à luz, parecem ter uma influência direta e positiva sobre a saúde das mulheres e dos recém-nascidos. Devem, portanto, ser estimuladas em todas as situações possíveis."

"O acompanhamento da parturiente pela doula reduz a duração do trabalho de parto, o uso de medicações para alívio da dor e o número de partos operatórios. Alguns estudos também mostram a redução do número de cesáreas. Também é observado que os grupos de parturientes acompanhadas durante o parto pela doula têm menos depressão pós-parto e amamentam seus recém-nascidos nas primeiras seis semanas de vida em maior proporção que as parturientes dos grupos de controle."

Parto, Aborto e Puerpério - Assistência Humanizada à Mulher, 2001

 Código de Ética da Doula

                        I. Regras de Conduta

A.  Atitude: A doula deve manter padrões elevados de conduta pessoal na capacidade ou identidade como provedora de apoio ao trabalho de parto.
B. Competência e Desenvolvimento Profissional: A doula deve buscar se manter competente na prática profissional e na sua performance das funções profissionais através de educação continuada, afiliação em organizações relacionadas e associação com outros provedores de cuidados para o trabalho de parto e parto.
C. Integridade: a doula deve agir de acordo com os mais elevados padrões de integridade profissional.

                       II. Responsabilidade Ética com as Clientes

A. Prioridade dos Interesses da Cliente: A responsabilidade primeira da doula é com as clientes
B. Direitos e Pregorrativas das Clientes: A doula deve fazer todo o esforço para formentar o máximo de autodeterminação por parte das clientes.
C. Confidencialidade e Privacidade: A doula deve respeitar a privacidade das clientes e guardar em confiança toda informação obtida durante o período de serviço profissional.
D. Dever de servir: A doula deve dar assistência a cada cliente que busque apoio no trabalho de parto, seja oferecendo serviços ou indicando referências apropriadas.
E. Confiabilidade: Quando a doula concorda em trabalhar com uma cliente em particular, sua obrigação é fazê-lo em confiança, sem falhar, pelo termo de acordo.
F. Honorários: Ao estabelecer o preço dos honorários, a doula deve assegurar que seu preço seja justo, razoável, considerando os serviços realizados e a habilidade da cliente em poder pagar. A doula deve claramente estabelecer seu preço para a cliente, descrevendo os serviços, termos de pagamento e políticas de reembolso.

                       III. Responsabilidade Ética com seus Colegas

A. Respeito, Justiça e Cortesia: A doula deve tratar seus colegas com respeito, cortesia, justiça e bondade.
B. Lidando com as clientes dos colegas: A doula tem responsabilidade para se relacionar com as clientes dos colegas com consideração profissional integral.

                      IV.  Responsabilidade ética com a Profissão de Suporte no Trabalho de Parto

A. Manter a Integridade da profissão: A doula deve preservar e aumentar os valores éticos, conhecimento e missão de profissão.
B. Serviços Comunitários: A doula é encorajada a dar assistência na visão da ANDO de “uma doula para cada mulher que queira” reduzindo os custos ou não
cobrando os serviços de suporte no trabalho de parto sempre que possível.

                      V. Responsabilidade ética com a Sociedade

A. Promovendo Bem-estar Materno Infantil: A doula deve promover a saúde geral de mulheres e seus bebês, sempre que possível, assim como de sua família e seus amigos.

Fonte: ANDO (Associação Nacional de Doulas), Apostila Curso de Doulas
Veja mais artigos e dados sobre doulas em www.doulasbrasil.com.br

Bibliografia

1. Apostila do CURSO de doulas: Associação Nacional de doulas. [S.l.,s.d.].
2. Chammers B, Wolman W. “Social support in labor: a selective review”. J Psychosom Obstetric Gynaecol 1993 March; 14(1):1-15.
3. Hodnett ED, Gates S, Hofmery G J, Sakala C. “Continuous support for women during childbirth” (Cochrane Review) In: The Cochrane Library, Issue 3, 2003.
4. Hodnett ED.“Support from caregivers during childbirth” (Cochrane Review) In the Cochrane Library, Issue 2. Oxford Update Software, 1998. Update quaterly.
5. Klaus MH, Kennel JH, Robertson S, Sosa R. “Effects of social support during parturition on maternal and infant morbidity.” Br Med J1986 sept.; 293-585.
6. Kennel JH, Klaus MH, Mcgrath S, Robeterson S, hinkley C. “Continuous emocional support during labor in US Hospital.” JAMA 1991 May; 265: 2197-201
7. Leão MRC, Bastos MAR. “Doulas apoiando mulheres durante o trabalho de parto: uma experiência do Hospital Sofia Feldman.” Revista Latina Americana de Enfermagem, Maio 2001, vol.9, no.3, p.90-94. ISSN 0104-1169.
8. Sosa R, Kennel JH, Klaus MH, Roberteson S, Urrutia J. “The effects of a supportive companion on perinatal problems, length of labor, and mother-infant interaction.” N Engl J Med 1980 Sept.; 303:597-600.
9. Garcia C. “The eigth Doula study: social support during birth in Mexico.” Conference proceedings of Doula of North America, Austin, TX, June 20, 1997, 89-93.
10. Hofmayer J, et al. “Companionship to modify the clinical birth envoirment: effects on progress and perceptions of labor and breast-feeding.” Br J Obstet, 98:756-764, 1991.
11. Landry SH, et al. “Effects of Doula support during labor on mother-infant interaction at two months.” Pediatric Res, 43:13A, 1998.
12. Wolman WL, et al. “Postpartum depression and companionship in the clinical birth envoirment: a randomized, controlled study.” Am J Obstet Gynecol, 168: 1388-1393, 1993.
13. Klaus M, Kennel J. “Mothering the mother: how a doula can help you to have a shorter, easier and healthier birth.” Hardcover
14. Fadynha. “A doula no parto: o papel da acompanhante no parto especialmente treinada para oferecer apoio contínuo físico e emocional à parturiente.” São Paulo:Ed Ground, 2003.
Post Original : http://www.despertardoparto.com.br/doula---o-que-eacute.html