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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Por que não fazer exame de toque

Original em Olhar Mamífero - Vila Mamífera
Por Kalu Brum
exame-toque
Um dos procedimentos de rotina dos pré-natais é o exame de toque, independentemente da idade gestacional. Mas este procedimento, como a maioria dos exames e intervenções, só pode trazer benefícios quando não é banalizado.
O exame de toque serve basicamente para avaliar a evolução da dilatação no trabalho de Parto, apresentação do útero e posicionamento do bebê.  O que esperar de uma mulher com 24 semanas? Que o colo esteja grosso e fechado, o bebê na posição que desejar (não estará encaixado) e alto. E se a mulher não apresenta qualquer queixa, para que realizá-lo?
Se uma mulher apresentar contrações prematuras, vale avaliar se as mesmas indicam um trabalho de parto precoce. Aí sim, depois de investigar se não se trata de contrações sem ritmo (Braxton), infecção urinária, pode-se fazer um exame de toque. Mas ele é mera especulação.
Acompanhei uma gestante que com 32 semanas fez o exame de toque e o médico verificou que ela tinha 2 cm de dilatação e colo afinado. Ela tomou corticóide para amadurecer o pulmão do bebê no risco de parto prematuro. Com 35 semanas, se não me falha a memória, tinha 3 ou 4 cm. Mas sem contrações ou seja não estava em Trabalho de Parto. Teve um parto natural com 39 semanas.
Então, o que o exame de toque adiantou? Nada.
Em trabalho de parto a questão do exame de toque é uma faca de dois gumes. Ele é feito para protocolar a mulher que deve dilatar X cm por hora. Quando estaciona em X cm considera-se parada de progressão e aí vem as medidas intervencionistas. Uma analgesia para ver se a mulher ( e o útero) relaxam e a dilatação progride ou ocitocina para ajudar nas contrações. A medicina tradicional desconsidera os fatores emocionais.
Imagine que você está com uma sensação de grande dor e passou 5 horas com determinada dilatação. Medem novamente e você não saiu do lugar. Essa informação vai fazer com que a mulher desista pensando que, se em X horas ela não dilatou, precisará de mais X para parir. E na mente dela ela decreta: não vou agüentar.
Mas o que acontece é que a dilatação não é tão precisa. Existe a relação ocitocina X adrenalina. Se quiser aumentar a dilatação é preciso aumentar a ocitocina natural. E para aumentar a ocitocina é preciso de:
- Pouca Luz
- Silêncio
- Privacidade
- Não observação
- Ambiente quente e confortável
- Beijo na boca do marido
- Massagem
- Paz
Luciana Costa secretando Ocitocina Natural
Luciana Costa secretando Ocitocina Natural
Quando a mulher pára de dilatar é aí que aumentam o monitoramento, a observação e a adrenalina da mulher (e da equipe) vai nas alturas inibindo a ocitocina.
Lá vem a ciência solucionar problemas para os quais ela mesma causou. Ocitocina sintética, dor, adrenalina, anestesia, mais ocitocina. Uma vez que a ocitocina sintética entra na corrente sanguínea da mulher, toda a ocitocina que ela liberaria naturalmente, antes, durante e depois do parto é bloqueada.
E isso significa o quê?
Que depois do parto, momento em que é necessária a liberação do hormônio para criar vínculo com o bebê, segundo o obstetra Michel Odent é o êxtase (coquetel de hormônios que sentimos no pós parto que faz com que criemos vínculo de amor com a cria) ele não se faz presente.
A ocitocina é um hormônio natural presente e fundamental para a hora do parto. Em grande parte dos partos normais em todo o planeta, para acelerar a contração do útero e tornar o parto mais rápido, a ocitocina é usada de forma padronizada, é o caso do Brasil. O famoso “sorinho” torna as contrações extremamente fortes e doloridas, levando muitas vezes a alteração do batimento cardíaco do bebê, fazendo-se necessário o uso de anestesia e as cascatas de intervenções físicas e medicamentosas.
Segundo Odent, por ser um hormônio, a ocitocina passa pela barreira placentária e chega à corrente sanguínea do bebê, atingindo o cérebro da criança. Segundo o obstetra, o uso da ocitocina sintética pode gerar seres humanos mais agressivos por ser um hormônio diretamente ligado a socialização. Ele o chama de “hormônio do amor”, porque está presente na relação sexual, na amamentação e no parto e pós parto, facilitando a relação instintiva entre mãe e filho.
Outra conseqüência é a incapacidade ou dificuldade de produzir ocitocina em outros momentos da vida, uma vez que sua versão sintética bloqueia a produção de ocitocina natural. Atingindo o cérebro da criança, este ser humano pode ser incapaz de produzir este hormônio, tanto na hora do parto, como em outras situações de sua vida. Sem a produção de ocitocina ficamos incapacitados de sentir prazer.
Voltando para a questão do toque, já vi o procedimento ser bem usado em algumas ocasiões. Em um Parto Domiciliar bastante demorado (mais de 30 horas) avaliou-se a possibilidade de romper a bolsa uma vez que a mulher estava com dilatação completa e o bebê não descia. Para saber se o bebé estava alto e a evolução do parto depois de tanto tempo, para que a família e parteiras avaliassem uma possível transferência, optou-se pelo rompimento artificial da bolsa e o bebe nasceu.
Outro caso, a mulher estava bem cansada e quis saber a quantas andava a evolução do parto. A enfermeira avaliou 8 cm e um rebordo de colo. Segurou o rebordo e o bebê nasceu uma hora depois.
Então, como tudo na vida, bem usada a intervenção pode apresentar benefícios. A banalização é que causa problemas.
Vale o alerta de que muitos obstetras não humanizados costumam descolar as membranas para acelerar o início do trabalho de Parto por volta das 39 semanas. Algumas vezes não avisam que vão fazer e nem a finalidade. E só é possível fazer isso quando se faz toque (geralmente um toque dolorido).
No Trabalho de Parto, com médicos não humanizados, exame de toque pode levar o médico romper a bolsa sem a mulher querer.
Não aceitar o exame de toque é se poupar disso também. Perto do parto saber que o colo está amolecido e com X cm pode causar ansiedade.
Sem contar que, mesmo com luva, fazer toque aumenta o risco de infecção, principalmente se a mulher estiver com bolsa rota. Mas experimente estar com bolsa rota  para saber quantos exames de toque vai receber. Parece que muitos médicos só aprendem a fazer cesárea, toque e ultrasson para serem obstetras.
Vou deixar bem claro que não sou “contra” os procedimentos. Nem uso de ocitocina, nem anestesia. Todo e qualquer procedimento quando banalizado representa risco. Por exemplo, locais em que não há assistência obstétrica ou aqueles com índices altos de cesáreas possuem índices de morte neonatal e infantil semelhantes. Ou seja, a falta de recursos ou excesso (mal utilizados), são prejudiciais.
A princípio devemos acreditar que nosso corpo tem plena capacidade de parir, sem drogas e intervenções, mas se abrir para a possibilidade de valer-se de recursos quando acabarem as forças físicas e emocionais para prosseguir.
Na minha opinião um parto com analgesia (pouca) e ocitocina (pouca) é melhor que uma cesárea. Uma cesárea para salvar vidas.  
O risco, em tudo, é a banalização.
E você, o que pensa do exame de toque?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Elas pedem ajuda, não cesárea!

Especialmente aos profissionais da assistência ao parto, entendam de uma vez por todas, porque um pedido de cesárea muitas vezes é um pedido de ajuda.
Uma história de parto normal após 2 cesáreas, e hospital que tem mais de 98% de cesáreas! 
Por Bráulio Zorzella, Obstetra em Jaú
Ela chegou gritando e esperneando como se estivesse sendo torturada… A conheci hoje, no plantão de retaguarda da maternidade que tem 98% de cesáreas pelo SUS, restanto os 2% de Parto Normal dos dias que estou de plantão, isso mesmo
que ouviram 98% de cesáreas pelo SUS!
Ela com 23 anos, terceira gestação, 2 cesáreas anteriores, 38 semanas, bolsa rota e 5cm de dilatação, colo finíssimo, apresentação baixa. A mãe chorando e as duas juntas pedindo “PELO AMOR DE DEU DOUTOR, FAÇA UMA CESÁREA”. Sentei ao seu lado no pré-parto, apaguei as luzes, pedi pra enfermagem sair (nesse hospital elas não tem a mínima prática com PN). Entre as contrações ela acalmou-se porém durante elas virava bicho e não ouvia nada, se contorcendo e gritando que o médico do pré-natal falou que ela não podia ter parto normal de jeito nenhum pois no caso dela era impossível! Perguntei se ela já quis algum dia ter PN e ela disse que sempre quis mas os médicos sempre falaram que ela não podia. No primeiro bacia estreita, no segundo não dilatou e agora pois já tinha 2 cesáreas.
Insisti mais um pouco em tentar acalmá-la e explicar os possíveis benefícios do bebê nascer natural, mas foi em vão naquele momento. A enfermagem e a pediatra me olhando com olhos de “oque vc está esperando pra chamar o anestesista pra cesárea?”. Falei em voz baixa PARA O BEBÊ NÃO OUVIR: “Liga pro anestesista e diga que teremos uma cesárea!” Percebi que contentei a todos nesse momento. A paciente, a mãe, a enfermagem e a pediatra. Chegou o anestesista que não viria para uma analgesia de parto se eu chamasse, mas… pedi que fizesse uma dose menor apenas para tirar a dor mas que não seria cesárea!
Todos se assustaram…”Como assim? Com 2 cesáreas anteriores? Aquele olhar de “ele deve estar louco!”. Anestesia feita, a dor passa, suficiente pra EU CONSEGUIR CONVERSAR COM ELA: “E agora, está bom pra vc assim? A dor melhorou? Seu problema está resolvido? Vamos resolver o do bebê agora. O bebê está super bem, e me disse que está querendo muito nascer de parto normal. Ele não sabe ainda que vai ser cesárea. Ele está na posição e quase saindo e vc tem a passagem ótima pra ele, vamos tentar ou se preferir ainda posso fazer a cesárea”. Ela me olhou, arregalou os olhos ao mesmo tempo que veio um puxo e começou a fazer força…Ela sorriu e percebeu que podia… Fez mais força e se empolgou! Na terceira ele nasceu perfeito e com nota 10 do pediatra. Foi ao colo da mãe que o beijou muito dizendo: Sempre me falaram que eu não ia conseguir! Não acredito que consegui fazer isso!… Caros cesaristas de plantão: elas pedem ajuda e não cesárea!!”
Com a colaboração da querida obstetra Carla Polido de São Carlos,  seguem links para os resumos dos artigos:
“A grande diferença nas taxas de cesarianas no país é devida a um grande número de cesarianas indesejadas na saúde suplementar”. Potter et al., BJOG, dez 2001
“Médicos no Brasil interpretaram algumas declarações de mulheres em trabalho de parto, como dor ou longa duração do processo, como solicitações de cesariana.” Potter, Faúndes et al, 2008, BIRTH

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Parto em casa, passo a passo

Por Ana Cristina Duarte

Apesar da mídia ter, nos últimos tempos, aumentado a visibilidade sobre o tema do parto domiciliar, cada vez que eu participo de uma conversa sobre o tema, eu percebo que a maioria das pessoas não faz a menor idéia de como ele acontece na vida real. No terreno da fantasia a mulher sente dores, seu marido chama a parteira. Ela chega com uma sacolinha com alguns panos brancos e uma tesoura.
Ela faz o parto, de certa forma faz o menino nascer, dá um tapa no bumbum, limpa tudo, faz uma sopa, tira o avental sujo e vai embora para casa.
Vou então contar como que acontece, tipicamente, o atendimento de um parto em casa no ambiente urbano, por parteiras profissionais.
Embora existam outros modelos, esse é o que eu e outras obstetrizes e enfermeiras obstetras conhecidas praticamos nos grandes centros.
1) Pré natal: durante a gravidez a parteira vai verificar os exames pedidos pelo médico, vai conversar muito sobre todas as questões de saúde, sociais, emocionais, alimentação, atividade física, trabalho, vai estabelecer um vínculo e uma relação de confiança com a gestante. A cada encontro são verificados todos os sinais vitais e a evolução da gestação, garantindo que apenas as gestantes de baixo risco continuem com o projeto do parto domiciliar. Aquelas que desenvolvem algum tipo de complicação, terão seus filhos em hospital, com a presença da parteira, se ela desejar.
2) Plano de parto: ainda durante a gestação, parteira e casal vão conversar sobre a equipe de atendimento, os riscos possíveis, as situações especiais que podem surgir, plano B (para onde e com quem ir em caso de transferência). Assim, caso seja necessário usar um hospital, a gestante já sabe para onde vai e quem será o médico que a receberá.
3) Preparação da casa: a parteira entrega ao casal uma lista de sugestões de como se organizar para o parto, os materiais necessários, alimentos e conforto para eles e a equipe. Juntos eles vão pensar onde armar uma banheira inflável, como levar água quente, como manter o ambiente aquecido, enfim, toda a parte da infra-estrutura.
4) Preparação para o parto: o casal receberá indicação de livros, páginas de internet, grupos de discussão virtual, vídeos, cursos e palestras que possam ajudá-lo a se preparar para o evento. O parto se constrói aos poucos, não só através do pré natal, mas também com a relação do casal com outros que estão vivendo essa mesma aventura. Conhecer outras histórias faz aumentar o repertório e a confiança no processo.
5) Quando o parto começa, em algum momento, pela descrição dos sintomas, das contrações e dos intervalos, a parteira vai ao domicílio da gestante verificar o andamento do processo. Nesse momento ela leva as malas com o material de atendimento que cabe a ela: descartáveis, drogas para hemorragia, material de sutura, material de emergência para o bebê, incluindo máscara de ventilação e em geral oxigênio. Mais ou menos que há numa sala de parto hospitalar, é colocado num parto em casa, porém de forma discreta e compacta. Banheira inflável, banqueta de parto e bola fazem parte do material de várias parteiras.
6) Após descarregar o material, a parteira vai fazer a verificação dos batimentos cardíacos do bebê e a dilatação (quando for necessário). Os batimentos cardíacos serão reavaliados a cada 30 a 60 minutos aproximadamente. É por esses valores que se verifica a vitalidade do bebê. Tudo é anotado num prontuário que ficará arquivado com a parteira. Caso a gestante esteja na fase ativa do parto, a equipe permanecerá até o fim. Caso ainda seja fase inicial, ficará a doula (quando for o caso) e a parteira cuidará de outros afazeres, até a fase ativa de fato começar.
7) Ao longo do processo a parteira estará junto, ajudando, avaliando e anotando. Quando o parto vai chegando ao fim, e começa a vontade de fazer força, a equipe vai preparar um canto para recepção ao recém nascido com material completo, caso seja necessário algum procedimento de reanimação neonatal. Começa uma certa movimentação, porque o bebê está prestes a nascer.
O parto vai acontecer na banheira, ou na banqueta, na cama, onde a mulher preferir. Por baixo, para receber o bebê, vai um lençol descartável. O bebê vai nascer e vai direto para o colo da mãe. Será enxugado e avaliado pela parteira e/ou pediatra (quando houver). Bebê que nasce completamente bem (99%), continua no colo da mãe, ligado ao cordão. Se precisar de estimulação, ou algum procedimento (1%), vai para a mesa de recepção que foi montada. Resolvido, volta para o colo da mãe.
9) Mãe e bebê juntos vão para a cama. A amamentação vai se iniciar. A placenta vai sair. A parteira vai avaliar a integridade da peça, vai verificar sangramento e se há necessidade de dar algum ponto no períneo. Fará os pontos, se necessários, com material estéril. O cordão será cortado em algum momento após parar de pulsar. Possivelmente após a saída da placenta. O bebê será examinado, pesado, vestido e entregue à mãe.
10) A mãe vai comer alguma coisa, vai se ajeitar na cama e permanecerá lá com o bebê e o restante da família. As parteiras vão organizar a casa, fazer a limpeza geral e deixar tudo pronto antes de partirem, cerca de 2 a 3 horas após o parto, levando o material e deixando a casa como era antes do parto. Ao longo dos próximos dias, mãe e bebê receberão as visitas pós parto da equipe, com avaliação e ajuda na solução dos problemas de amamentação.
E a vida continua!
Não parece simples?

terça-feira, 10 de junho de 2014

Ondas do parto


Escrevi este texto, há muitos anos, em resposta a uma mulher (autodenominada “Cris”) que apareceu na comunidade Parto do Princípio anunciando sua gravidez e confessando seu extremo pavor pelas dores do parto.

Contraditoriamente ao medo que ela tinha, achei-a muito corajosa!

No meio de centenas de outras mulheres - grávidas e profissionais de saúde, xiitas do Parto Humanizado - aquela mulher teve forças para “denunciar” um dos maiores fantasmas que sua barriga em crescimento trazia.

Essa mulher forte que existia dentro dela - dentro de cada uma de nós – inspirou-me a analogia e escrevi sobre as ONDAS DO PARTO.

Nota: O parágrafo sobre o “mistério feminino” foi repetido por Gisele Bundchen, numa das entrevistas que ela deu a seguir ao seu primeiro parto.
_____

Ela vai durar bem pouquinho no início. Tanto é que as primeiras, se você estiver dormindo, nem vai sentir. Duram segundinhos. E até vir a próxima “onda” leva tanto tempo que você já se esqueceu como foi a anterior. Está entendendo?

Quando o TP engrenar, o que pode demorar horas ou dias, você já vai estar habituada com a contração. Já conseguirá identificar quando ela inicia, saberá quando está na “crista da onda” e também quando ela está indo embora.

Então o que muda para ficar tão difícil como dizem?? Muda a duração da contração: que era segundinhos e passa a ser de um minuto ou pouco mais. Muda também o intervalo: que podia ser de hora ou longos minutos e pode passar a ter segundinhos.

Ou seja, não existe um momento a partir do qual você sentirá uma dor dilacerante e ficará com ela por dias!

Contrações são ondas. Vêm e vão. E algumas mulheres, com trabalho de parto prolongado, podem ter intervalos de minutos e até DORMIR entre uma contração e outra.




Mas aí vem o grande mistério do poder feminino de parir:

Se você entender muito bem que aquelas ondas estão trazendo seu filho, a cada contração você o sentirá mais próximo dos seus braços. Você não lutará contra a contração, porque você QUER que ela venha e lhe traga seu filho. Estar dando à luz e ser a protagonista daquele fenômeno é tão fabuloso que em vez de vestir aquele momento com dor… surpreendentemente você poderá fazê-lo com PRAZER.

Porém, você só pode fazer aquilo que acredita que pode.

Ainda resta algum tempo até o seu parto, portanto, eu gostaria de lhe dizer para reforçar a autoestima, olhar para a Cris que muitas vezes superou outros obstáculos na vida, encontrar força e confiança para assumir o nascimento do seu filho.

Acredite que, apesar de tudo que já lhe disseram sobre dores insuportáveis, as mulheres têm sobrevivido a isso por milênios. E elas não o fariam tantas vezes, se realmente fosse maior do que elas podem aguentar.

Eu acredito em você!

Waleska Nunes



sábado, 7 de junho de 2014

O que é Doula?

A palavra Doula vem do grego e significa “mulher que serve”, sendo hoje utilizada para referir-se à mulher sem experiência técnica na área da saúde, que orienta e assiste a nova mãe no parto e nos cuidados com bebê. Seu papel é oferecer conforto, encorajamento, tranqüilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações que está vivenciando.

Antigamente o nascimento humano era marcado pela presença experiente das mulheres da família: irmãs mais velhas, tias, mães e avós acompanhavam, instruíam e apoiavam a parturiente e recém mãe durante todo o trabalho de parto, o próprio parto e os cuidados com o recém-nascido.

Atualmente os partos acontecem em ambiente hospitalar e rodeado por especialistas: o médico obstetra, a enfermeira, o pediatra... cada qual com sua especialidade e preocupação técnica pertinente. O cuidado com o bem estar emocional da parturiente acabou ficando perdido em meio ao ambiente impessoal dos hospitais, tendendo a aumentar o medo, a dor e a ansiedade daquela que está dando a luz e consequentemente aumentando as complicações obstétricas e necessidade de maiores intervenções.
A doula veio justamente para preencher esta lacuna, suprindo a demanda de emoção e afeto neste momento de intensa importância e vulnerabilidade. É o resgate de uma prática existente antes da institucionalização e medicalização da assistência ao parto, e que passa a ser incentivada agora com respaldo científico.

Os resultados deste apoio vêm trazendo revelações surpreendentes na redução das intervenções e complicações obstétricas, bem como facilitando o vínculo entre mãe e bebê no pós-parto.

O que a Doula faz?

  • Oferece suporte emocional através da presença contínua ao lado da parturiente, provendo encorajamento e tranqüilidade, oferecendo carinho, palavras de reafirmação e apoio. Favorece a manutenção de um ambiente tranqüilo e acolhedor, com silêncio e privacidade.
  • Oferece medidas de conforto físico através de massagens, relaxamentos, técnicas de respiração, banhos e sugestão de posições e movimentações que auxiliem o progresso do trabalho de parto e diminuição da dor e desconforto.
  • Oferece suporte informativo explicando os termos médicos e os procedimentos hospitalares. Antes do parto orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
  • Também atua como uma ponte de comunicação entre a mulher, sua família e a equipe de atendimento, fazendo os contatos que a mulher desejar.
  • A doula se faz importante até mesmo num parto cesárea, onde continua dando apoio, conforto e ajudando a mulher a relaxar e tranqüilizar-se durante a cirurgia.
  • Pode estar presente no pós-parto, auxiliando a mãe no seu contato com o recém-nascido e com a amamentação.

O que a Doula não faz?

  • Não realiza qualquer procedimento médico ou clínico como aferir pressão, toques vaginais, monitoração de batimentos cardíacos fetais, administração de medicamentos.
  • Não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.
  • Não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto.
  • Não substitui o acompanhante escolhido pela parturiente. Nesse caso a doula orienta o pai ou acompanhante a ter uma participação mais ativa no processo, sugerindo formas de prestar apoio e dar conforto à mulher. 

Vantagens

Klaus e Kennel publicaram em 1993 em “Mothering the mother“(13) um estudo  onde apontaram os resultados globais da presença da doula no trabalho de parto e parto, como pode ser visto abaixo:

  • Redução de 50% nos índices de cesariana
  • Redução de 25% na duração do trabalho de parto
  • Redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural
  • Redução de 30% no uso de analgesia peridural
  • Redução de 40% no uso de ocitocina
  • Redução de 40% no uso de fórceps

Outros estudos (8-12) também mostram claramente que a presença da doula no pré-parto e parto trazem benefícios de ordem emocional e psicológica para mãe e bebê, incluindo resultados positivos nas 4ª a 8ª semanas após o parto:
  •  Aumento no sucesso da amamentação
  •  Interação satisfatória entre mãe e bebê
  • Satisfação com a experiência do parto
  • Redução da incidência de depressão pós-parto
  • Diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto-estima
As revisões da literatura científica elaboradas pelo notório grupo científico da Cochrane Collaboration’s Pregnancy and childbirth Group (3,4) inclui e valida diversos estudos abrangendo uma grande diversidade cultural, econômica e com diferentes formas de assistência. Confirma claramente que a presença da doula no suporte intra-parto contribui para a melhora nos resultados obstétricos, diminui as taxas das diversas intervenções e promove a saúde psico-afetiva da mãe e do vínculo mãe-bebê.
O mesmo grupo, em sua revisão publicada em 1998 declarou: “Devido aos claros benefícios e nenhum risco conhecido associado ao apoio intra-parto, todos os esforços devem ser feitos para assegurar que todas as mulheres em trabalho de parto recebam apoio, não apenas de pessoas próximas, mas também de acompanhantes especialmente treinadas. Este apoio deve incluir presença constante, fornecimento de conforto e encorajamento.” (4)

Reconhecimento e Recomendação pela OMS (Organização Mundial de Saúde)    

A OMS (Organização Mundial de Saúde) incentiva o apoio da doula no parto: 

"O apoio físico e empático contínuo oferecido por uma única pessoa durante o trabalho de parto traz muitos benefícios, incluindo um trabalho de parto mais curto, um volume significativamente menor de medicações e analgesia epidural, menos escores de Apgar abaixo de 7 e menos partos operatórios."

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. OMS. Maternidade segura. Assistência ao parto normal: um guia prático. Genebra: OMS, 1996

Revisão da Biblioteca Cochrane, 2010, conclui que:

"Todas as mulheres devem receber o apoio de um acompanhante especialmente capacitado durante o trabalho de parto e parto"

O suporte contínuo durante o parto oferecido por acompanhante capacitada:
  • Aumenta as taxas de parto normal
  • Reduz a duração do TP e a necessidade de analgesia
  • Maior satisfação com a experiência de parto

Hodnett, Gates, Hofmeyr, Sakala. Continous support for women during childbirth. Cochrane, 2010

Ministério da Saúde recomenda o suporte da Doula

"O apoio da doula, além de melhorar a vivência experimentada pelas mulheres que dão à luz, parecem ter uma influência direta e positiva sobre a saúde das mulheres e dos recém-nascidos. Devem, portanto, ser estimuladas em todas as situações possíveis."

"O acompanhamento da parturiente pela doula reduz a duração do trabalho de parto, o uso de medicações para alívio da dor e o número de partos operatórios. Alguns estudos também mostram a redução do número de cesáreas. Também é observado que os grupos de parturientes acompanhadas durante o parto pela doula têm menos depressão pós-parto e amamentam seus recém-nascidos nas primeiras seis semanas de vida em maior proporção que as parturientes dos grupos de controle."

Parto, Aborto e Puerpério - Assistência Humanizada à Mulher, 2001

 Código de Ética da Doula

                        I. Regras de Conduta

A.  Atitude: A doula deve manter padrões elevados de conduta pessoal na capacidade ou identidade como provedora de apoio ao trabalho de parto.
B. Competência e Desenvolvimento Profissional: A doula deve buscar se manter competente na prática profissional e na sua performance das funções profissionais através de educação continuada, afiliação em organizações relacionadas e associação com outros provedores de cuidados para o trabalho de parto e parto.
C. Integridade: a doula deve agir de acordo com os mais elevados padrões de integridade profissional.

                       II. Responsabilidade Ética com as Clientes

A. Prioridade dos Interesses da Cliente: A responsabilidade primeira da doula é com as clientes
B. Direitos e Pregorrativas das Clientes: A doula deve fazer todo o esforço para formentar o máximo de autodeterminação por parte das clientes.
C. Confidencialidade e Privacidade: A doula deve respeitar a privacidade das clientes e guardar em confiança toda informação obtida durante o período de serviço profissional.
D. Dever de servir: A doula deve dar assistência a cada cliente que busque apoio no trabalho de parto, seja oferecendo serviços ou indicando referências apropriadas.
E. Confiabilidade: Quando a doula concorda em trabalhar com uma cliente em particular, sua obrigação é fazê-lo em confiança, sem falhar, pelo termo de acordo.
F. Honorários: Ao estabelecer o preço dos honorários, a doula deve assegurar que seu preço seja justo, razoável, considerando os serviços realizados e a habilidade da cliente em poder pagar. A doula deve claramente estabelecer seu preço para a cliente, descrevendo os serviços, termos de pagamento e políticas de reembolso.

                       III. Responsabilidade Ética com seus Colegas

A. Respeito, Justiça e Cortesia: A doula deve tratar seus colegas com respeito, cortesia, justiça e bondade.
B. Lidando com as clientes dos colegas: A doula tem responsabilidade para se relacionar com as clientes dos colegas com consideração profissional integral.

                      IV.  Responsabilidade ética com a Profissão de Suporte no Trabalho de Parto

A. Manter a Integridade da profissão: A doula deve preservar e aumentar os valores éticos, conhecimento e missão de profissão.
B. Serviços Comunitários: A doula é encorajada a dar assistência na visão da ANDO de “uma doula para cada mulher que queira” reduzindo os custos ou não
cobrando os serviços de suporte no trabalho de parto sempre que possível.

                      V. Responsabilidade ética com a Sociedade

A. Promovendo Bem-estar Materno Infantil: A doula deve promover a saúde geral de mulheres e seus bebês, sempre que possível, assim como de sua família e seus amigos.

Fonte: ANDO (Associação Nacional de Doulas), Apostila Curso de Doulas
Veja mais artigos e dados sobre doulas em www.doulasbrasil.com.br

Bibliografia

1. Apostila do CURSO de doulas: Associação Nacional de doulas. [S.l.,s.d.].
2. Chammers B, Wolman W. “Social support in labor: a selective review”. J Psychosom Obstetric Gynaecol 1993 March; 14(1):1-15.
3. Hodnett ED, Gates S, Hofmery G J, Sakala C. “Continuous support for women during childbirth” (Cochrane Review) In: The Cochrane Library, Issue 3, 2003.
4. Hodnett ED.“Support from caregivers during childbirth” (Cochrane Review) In the Cochrane Library, Issue 2. Oxford Update Software, 1998. Update quaterly.
5. Klaus MH, Kennel JH, Robertson S, Sosa R. “Effects of social support during parturition on maternal and infant morbidity.” Br Med J1986 sept.; 293-585.
6. Kennel JH, Klaus MH, Mcgrath S, Robeterson S, hinkley C. “Continuous emocional support during labor in US Hospital.” JAMA 1991 May; 265: 2197-201
7. Leão MRC, Bastos MAR. “Doulas apoiando mulheres durante o trabalho de parto: uma experiência do Hospital Sofia Feldman.” Revista Latina Americana de Enfermagem, Maio 2001, vol.9, no.3, p.90-94. ISSN 0104-1169.
8. Sosa R, Kennel JH, Klaus MH, Roberteson S, Urrutia J. “The effects of a supportive companion on perinatal problems, length of labor, and mother-infant interaction.” N Engl J Med 1980 Sept.; 303:597-600.
9. Garcia C. “The eigth Doula study: social support during birth in Mexico.” Conference proceedings of Doula of North America, Austin, TX, June 20, 1997, 89-93.
10. Hofmayer J, et al. “Companionship to modify the clinical birth envoirment: effects on progress and perceptions of labor and breast-feeding.” Br J Obstet, 98:756-764, 1991.
11. Landry SH, et al. “Effects of Doula support during labor on mother-infant interaction at two months.” Pediatric Res, 43:13A, 1998.
12. Wolman WL, et al. “Postpartum depression and companionship in the clinical birth envoirment: a randomized, controlled study.” Am J Obstet Gynecol, 168: 1388-1393, 1993.
13. Klaus M, Kennel J. “Mothering the mother: how a doula can help you to have a shorter, easier and healthier birth.” Hardcover
14. Fadynha. “A doula no parto: o papel da acompanhante no parto especialmente treinada para oferecer apoio contínuo físico e emocional à parturiente.” São Paulo:Ed Ground, 2003.
Post Original : http://www.despertardoparto.com.br/doula---o-que-eacute.html

quarta-feira, 4 de junho de 2014

I Encontro Gestar

É com profundo prazer e alegria que comunicamos nosso primeiro encontro!! 

Querida gestante! Participe!! Estaremos prontas para acolhê-la...

O encontro é gratuito...

Traga sua família!!

Vai ter exibição do documentário "O Renascimento do Parto"... \o/




"Pois é, e de repente os sonhos tornam-se realidade... 


Auxiliar gestantes, mulheres que estão querendo gestar, mães e familiares nessa empreitada linda de ter um filho é um sonho que foi se construindo. E aí está!! Nosso primeiro encontro sendo anunciado... Coisa linda de se ver!! Trabalho 100% voluntário de uma super equipe apaixonada. Valeu meninas!!!!


Queremos fazer um agradecimento especial ao pessoal da Aldeia Indigo, nossos parceiros nessa empreitada... Não temos nem palavras para agradecer tamanha receptividade. Faremos tudo isso com o maior respeito e carinho!! 

Os encontros da equipe Gestar serão quinzenais, sempre com assuntos importantes a tratar. Da gestação, passando pela amamentação ao puerpério.

Estaremos de braços abertos para acolher, auxiliar e empoderar quem assim disposta estiver.

Traremos profissionais de diversas áreas a fim de tornar as reuniões abrangentes, informativas e divertidas.

Conte conosco!! Faça parte dos encontros Gestar. Vai ser lindo de se ver..."
(Equipe Gestar)

"Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer"
(Michel Odent)