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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Agenda de agosto


Gestar Sul da Ilha:
Casa Gestar
Servidão Odorico Miguel da Costa, 113
Campeche

Gestar Norte da Ilha:
Faculdade CESUSC
Rodovia SC 401 - Km 10 
Trevo de Santo Antônio de Lisboa
Ao lado do terminal

Gestar Continente
UDESC CEFID
Rua Pascoal Simone, 163
Coqueiros


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Aviso importante


ATENÇÃO!
Informamos que, em caráter excepcional, não haverá a Roda do Gestar CONTINENTE neste sábado, dia 25/07/15 devido à desinsetização dos prédios do CEFID/UDESC.
Em breve divulgaremos a agenda das rodas de agosto.
Um abraço,
Organização Gestar Continente

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Agenda Julho



Gestar Sul da Ilha:
Casa Gestar
Servidão Odorico Miguel da Costa, 113
Campeche

Gestar Norte da Ilha:
Faculdade CESUSC
Rodovia SC 401 - Km 10 
Trevo de Santo Antônio de Lisboa
Ao lado do terminal

Gestar Continente
UDESC CEFID
Rua Pascoal Simone, 163
Coqueiros

terça-feira, 9 de junho de 2015

Multiplicamos

Somos muitas em rede... <3

O Gestar cresceu e continua crescendo.

Somos três núcleos em Floripa: o do sul da ilha, do norte e agora do continente.

É muita mulher unida pela humanização!!! Viva!!!

Abaixo nossa agenda de encontros de junho, dá uma olhada aí e encontre o Gestar mais perto de você...


Gestar Sul da Ilha:
Casa Gestar
Servidão Odorico Miguel da Costa, 113
Campeche

Gestar Norte da Ilha:
Faculdade CESUSC
Rodovia SC 401 - Km 10 
Trevo de Santo Antônio de Lisboa
Ao lado do terminal

Gestar Continente
UDESC CEFID
Rua Pascoal Simone, 163
Coqueiros

terça-feira, 5 de maio de 2015

Rod@ Gestar: APLV e o intestino dos bebês


APLV, alergia a proteína do leite de vaca, representa uma alergia alimentar que vem aumentando no mundo todo. 

A boa notícia é quem tem cura, mas não é simples reconhecer e diagnosticar o problema e nada fácil lidar com as necessidades de um bebê alérgico. Quando diagnosticado, o bebê fica impedido de ingerir leite de vaca, derivados e traços. Se a mãe amamenta, precisa encarar uma restrita dieta e controlar a alimentação de forma muito rigorosa.

Mas o que ocorre e como lidar? Vamos conversar sobre isso?

Esse será um encontro mediado pela nutricionista Juliana Strauch Frischler Rey, do Espaço Binah

Participe conosco! 

Lembre da carona amiga... O estacionamento é em via pública e não existem muitas vagas. O ponto de ônibus fica próximo, na Avenida Pequeno Príncipe, em frente a SEOVE.

Dia 07.05.2015 - 17 horas
Local: Casa Gestar
Servidão Odorico Miguel da Costa, 113
Campeche - Florianópolis . SC


Encontro aberto e gratuito.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Roda de confraternização Gestar


Estamos anunciando nossa primeira rod@ em nova morada: a Casa Gestar - Acolhimento em Movimento
Nossos encontros acontecerão nesse espaço a partir de agora. A Casa ainda não está aberta para os atendimentos ao público, apenas algumas poucas atividades, como as rod@s, acontecerão até que tudo esteja pronto.
Nessa primeira rod@, convidamos tod@s para uma confraternização de acolhimento, com tema livre para que possamos bater um papo gostoso e movimentar a energia do novo espaço que irá nos abrigar. Também para que possamos apresentar para vocês esse belo projeto, que visa acolher mulheres gestantes, puérperas e famílias em um mesmo local, com diversas possibilidades. 
Traga um lanchinho para compartilhar...
A Casa Gestar está localizada em uma região residencial e dispõe de estacionamento em via pública, por isso pedimos que sempre lembrem da carona amiga, pois não há como estacionar muitos carros na rua. O ponto de ônibus fica bem próximo, na Avenida Pequeno Príncipe, em frente a SEOVE.
A Casa Gestar fica na Servidão Odorico Miguel da Costa, 113. Siga pela Servidão Seove e entre na segunda rua à esquerda.
Esperamos você!!!

|| Encontro gratuito ||

A partir de agora, você verá uma marcação nas imagens dos eventos, que indicam sul ou norte. O Gestar - Grupo de apoio à gestante está com nova equipe que iniciará rodas já na semana que vem, no norte da ilha em Floripa. Então fique atent@ a esta marcação para saber onde acontecerá o encontro.


Confirme presença pelo e-mail casagestar@gmail.com

Roda de confraternização Gestar
Dia 23.04.2015
17 horas
Local: Casa Gestar
Servidão Odorico Miguel da Costa, 113
Campeche . Florianópolis . SC

Nova morada, a Casa Gestar

O Gestar já está completando quase um ano de atividades em Florianópolis. Já se espalhou pelas bandas de Minas Gerais e iniciará atividades de um novo grupo no norte da ilha, em Floripa, já nesse mês. É muita alegria!!
Conquistando nossos espaços no empoderamento parental, resolvemos iniciar um novo projeto, que nos coloca em nova sede. Um empreendimento maravilhoso que ampliará muito nossas possibilidades.
Mas qual é esse empreendimento?
A Casa Gestar. Um centro de apoio para gestantes, mães e famílias. Apoio na sua mais ampla dimensão. O nome é uma reverência ao grupo de apoio, que originou essa empreitada. A casa será um espaço de coworking materno, com área para as crianças, que serão amparadas por cuidadoras. Mas não é só isso, será um centro de atenção e contará com diversas práticas como aulas de pilates e yoga mãe e bebê, danças circulares, massoterapia, atendimento psicológico, rodas e atendimento individual de Moonmother (bênção do útero), consultoria em amamentação, auriculoterapia, hipnose para gravidez e parto, atendimento pré-natal especializado, grupo de doulas, exposição e venda de produtos para maternidade e mais uma infinidade de práticas e terapias alternativas. Alguns espaços poderão ser sublocados para empreendedor@s autônom@s e freelancers, além da já mencionada área de coworking, com pacotes para uso de internet. Tudo isso associado a uma brinquedoteca onde as crianças serão assistidas, estando junto de sua família. Está cedo para colocar na creche, mas você sente necessidade de produzir? A Casa Gestar poderá lhe acolher.
A casa também abrigará cursos, workshops, palestras e oficinas relacionadas aos temas gestação, parto, amamentação, criação com apego, maternidade e paternidade conscientes e demais temas que estiverem dentro da proposta da humanização.
Em meio a isso tudo, acontecerão as já tradicionais rod@s de apoio e acolhimento Gestar, abertas e gratuitas, como sempre, mas diante de uma infinidade de possibilidades, maior flexibilidade de horário e datas de encontros.
É uma imensa satisfação anunciar a novidade, que surge a partir da colaboração, empenho e habilidade profissional de um grupo de mulheres apaixonadas e determinadas a contribuir com muito amor e trabalho.
Esse é um empreendimento que deseja abraçar mães e famílias no belo, mas muitas vezes difícil caminho da maternidade/paternidade. É um passo grande dado, mas que estará de braços e peito abertos para empoderar e acolher famílias em uma experiência rica e coletivamente compartilhada.
Estamos nessa empreitada, primeiramente porque acreditamos no poder desse projeto. Resolvemos reunir o potencial desse grupo de mulheres em um espaço único, criando um centro de atenção para o planejamento familiar, sobretudo à mulher gestante, casais grávidos e puérperas; criando essa bela rede de apoio. Mas estamos nessa empreitada principalmente porque acreditamos profundamente no poder transformador da atenção acolhedora, do carinho e da coletividade. Estamos nessa empreitada, por fim, porque acreditamos que JUNTAS SOMOS MAIS FORTES e mais capazes de ampliar essa rede de atenção, numa grande união de afeto, trabalho e irmandade.
A Casa Gestar será inicialmente financiada por esse grupo de mulheres, em sua maioria, mães empreendedoras. Por isso, estamos contando com doações das mais diversas naturezas, desde almofadas, tatame, móveis em bom estado que estejam sem uso, livros, brinquedos para a brinquedoteca e muito mais. Se você tiver algo que queira doar, entre em contato conosco pelo e-mail casagestar@gmail.com, será um enorme prazer receber seu voto de confiança na forma da sua doação.
Muito em breve será lançada uma campanha de financiamento coletivo. Contamos com você, que junto com a gente poderá construir esse projeto.
Por fim querid@s, a Casa Gestar será a nova morada do Grupo Gestar. Estamos ansiosas para anunciar o próximo encontro e recebê-l@s em um abraço carinhoso... Vai ser já já... 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Encontro Gestar.
Esperamos você!!
Dia 12/02/2015
17 horas
Aldeia Indigo Centro Multicultural
Campeche . Fpólis . SC


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres

Hoje, 20/11, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, será o lançamento da campanha 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres.

Durante os dias de ativismo, a violência obstétrica será uma pauta recorrente, que percorrerá diversas comunidades em Florianópolis, dando visibilidade ao tema.

Tod@s estão convidados a participar dos ciclos de palestras, começando hoje, às 15h30.

Abaixo as datas, locais das palestras sobre VO e demais informações:


20/11/14 (quinta feira)
Localidade: Alto da Caeira
Endereço: Servidão da Felicidade – Recicla Floripa (no galpão do centro de reciclagem)
Horário: 15:30 horas
Profissional: Juliana Souza - Formada em Educação Física pela UFSC 2011. Professora de Hatha Yoga e Pilates. Doula pelo GAMA em 2014

20/11/14 (quinta feira)
Localidade: Penitenciária (Agronômica)
Endereço: Igreja Católica Nossa Senhora Aparecida
Horário: 19:30 horas
Profissional: Gerusa Santini. Fisioterapeuta. Doula e educadora perinatal certificada pela Matriusca Bem estar das mulheres em todos os ciclos de vida; Voluntária no Gestar - Grupo de Apoio à gestante; Ativista no movimento pela humanização do parto e nascimento.

25/11/14 (terça feira)
Localidade: Serrinha
Endereço: Casa São Jose - Marcus Aurélio Homem, 366 - Horário: 19:30 horas
Profissional: Celina Lazzari - Doula e Educadora Perinatal formada pela Matriusca - Psicóloga e Bacharel em Psicologia formada na Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Trabalha como Doula e Psicóloga Clínica.
Camila Lazzari Trentini - bacharel em direito e ativista pela humanização do parto e nascimento.

27/11 (quinta feira)
Localidade: Morro do 25 (centro de Floripa)
Endereço: Salão da Igreja
Horário: 19:00 horas
Profissional: Karine Kerr - ativista pelo direito das mulheres.

01/12 (segunda feira) 
Localidade: Queimada e Jagatá
Endereço: Igreja São Sebastião
Horário: 19:00 horas
Profissional: Marina Toledo - doula e educadora perinatal formada pela Matriusca - Bem estar das mulheres em todos os ciclos de vida; Voluntária no Gestar - Grupo de Apoio à gestante; Ativista no movimento pela humanização do parto e nascimento.Voluntária no Grupo Mulheres no Alpha. Ativista no movimento pela humanização do parto e nascimento. Realiza pintura artística na barriga da gestante.

02/12 (terça feira)
Localidade: Monte Serrat (centro, atrás da escola Técnica)
Endereço: Centro Cultural Escrava Anastácia
Horário: 19:30 horas
Profissional: Maysa Vicente - Doula e Educadora Perinatal pela Matriusca em associação com a Rehuna; Técnica em Enfermagem na Unidade de Pronto Atendimento do Sul da Ilha pela PMF , Voluntária no Gestar - Grupo de Apoio à gestante; Ativista no movimento pela humanização do parto e nascimento.


http://violenciaobstetricasc.blogspot.com.br/2014/11/violencia-obstetrica-nos-16-dias-de.html

"Com uma parceria firmada por Gisele Corrêa e Mariana Andrade com a Secretaria de Habitação e Saneamento da Prefeitura de Florianópolis, o assunto violência obstétrica será levado a um público diferenciado. A adesão de profissionais nessa causa foi fundamental para que essa parceria fosse um sucesso!"


Fanpage da Coordenadoria da Mulher de Florianópolis: https://www.facebook.com/pages/Coordenadoria-da-Mulher-de-Florian%C3%B3polis/1437304883204527?fref=ts

domingo, 28 de setembro de 2014

Por onde saem os filhos?

Original em Revista TPM
Por Natascha Cortêz

O nascer no Brasil: Tpm ouviu histórias de diferentes partos (normal, cesárea, em casa)


A natureza diz que é pela vagina. Mas, se considerarmos o número de cesáreas feitas no Brasil, podemos dizer que é por um corte na barriga. Tpm ouviu histórias de diferentes partos (normal, cesárea, domiciliar) e o que os especialistas pensam sobre o nascer no Brasil. Tudo pra tentar entender: de quem é o parto e de quem deveria ser?


Segundo informações do Ministério da Saúde, um dos principais desafios das políticas voltadas para a saúde da mulher é a mudança do modelo que fez do Brasil campeão disparado em cesáreas. A maior pesquisa nacional já realizada, Nascer no Brasil, publicada em maio pela Fundação Oswaldo Cruz, confirma a preocupação do órgão: cruzamos a linha dos 52% de partos cirúrgicos na rede pública. Nos hospitais privados, o índice pode ultrapassar os 88%. Percentuais muito distantes dos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). São quase 1 milhão de brasileiras submetidas a partos cirúrgicos todos os anos. Contudo, o mesmo estudo diz: 73% das entrevistadas declararam desejar o parto vaginal no início da gravidez.
O que acontece para que essas mulheres não consigam realizar o parto que queriam? A pesquisaMulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado, da Fundação Perseu Abramo, de 2010, dá uma pista: uma entre quatro brasileiras disse ter sofrido violência no parto. E, como explica a obstetra Carla Polido, “violência obstétrica vai muito além de tratamento desumano. Ser privada do contato com o bebê ou receber ocitocina sintética para acelerar o trabalho de parto apenas por conveniência médica também é violência”. Ao se depararem com as duas opções, cesariana e parto normal, ambas permeadas por violência, não é de espantar que as brasileiras prefiram a alternativa mais rápida – no caso, a cirúrgica. “Entre ser maltratada por 12 horas e ser maltratada por meia hora, qual parece mais fácil?”, indaga Raquel Marques, sanitarista e presidente da Artemis, instituição que promove políticas públicas para um nascer mais digno.

Dois filhos > uma cesárea e um parto normal

Olivian Moioli
Wanessa Camargo no parto do segundo filho
Wanessa Camargo no parto do segundo filho
“Tenho pavor de anestesia. Fiz tudo pra poder ter um parto normal na primeira gravidez, esperei entrar em trabalho de parto, fiquei 12 horas nele, mas não tive dilatação. Na época, meu médico disse que meu filho estava em sofrimento fetal. Fizemos uma cesárea. Chorei muito antes da cirurgia, pois queria muito o parto normal. Na cesárea, tive uma reação terrível à anestesia e odiei o pós- operatório. Fiquei 40 dias em casa sem conseguir me esticar, não conseguia fazer nada. Na minha segunda gravidez, novamente queria parto normal, mas não criei expectativas. Acabei trocando de médico, escolhi um defensor do parto normal e fiquei em uma sala de parto humanizado. Foi muito cansativo, mas faria tudo de novo 10 mil vezes. Ouvi muita história bobona pra me dar medo, mas meu médico me tranquilizou em relação a esses mitos todos. Foi aquele parto de novela mesmo, demorado, exaustivo, mas nunca pensei em desistir. No dia seguinte eu estava de pé, já andava e brincava com meu filho mais velho. Até o leite desceu mais rápido. Tive as duas experiências, e não tem comparação, o parto normal é muito melhor. Se precisasse ter outra cesárea, não sei se gostaria de ter outro filho.” -WANESSA CAMARGO, 31 ANOS, CANTORA  

Dois filhos > dois partos normais no hospital

Arquivo Pessoal
Leticia Spiller no parto de Stella
Leticia Spiller no parto de Stella
“Sempre me informei sobre parto. Nascer é um sofrimento no mundo ocidental. O ar-condicionado gelado, aquela luz azul e a instrumentalização hospitalar deixam tudo mais cruel. O que pude fazer pra deixar meus partos mais aconchegantes, fiz. Eu tinha 23 anos na primeira gravidez, e 37 na segunda. Os dois partos foram normais e em hospitais. Eu queria ter todos os recursos necessários caso acontecesse alguma coisa, sabe? Mas pedi que demorassem pra cortar o cordão umbilical, abaixassem a luz, desligassem o ar-condicionado e respeitassem meu tempo. Acabei tomando anestesia em um último momento, fiz uma força e, a Stella, minha segunda, nasceu sem dificuldade. Fiquei muito tranquila nas duas vezes e acho que isso ajudou muito. Me preparei bastante para poder fazer os partos. Tenho amigas bem jovens que já deixam a cesárea marcada, não entendo isso.” - LETÍCIA SPILLER, 41 ANOS, ATRIZ

Parto não é produto

"A brasileira está largada à própria sorte quando o assunto é assistência ao parto, sejam aquelas que usam o Sistema Único de Saúde ou as que usam a rede privada através de convênios médicos. Não existem notícias boas para essas mulheres. É muito triste quando o parto domiciliar é falta de opção, e não escolha, por exemplo. Quando uma mulher mora em uma área afastada e não consegue chegar a um hospital, se ela tiver pressão alta, se for gravidez de gêmeos, não pode ser domiciliar. Casos assim exigem uma UTI neonatal e outra para a mãe. A questão está na maneira como o parto é tratado. Quando temos um problema e não reclamos por políticas públicas que melhorem a vida de todo mundo, passamos a reivindicar pelo que pagamos e pelo que podemos comprar. Enquanto nos portarmos como consumidores, seremos tratados como tais e só receberemos serviços à medida que somos economicamente interessantes.” - RAQUEL MARQUES, PRESIDENTE DA ARTEMIS, INSTITUIÇÃO QUE PRESSIONA O PODER PÚBLICO E PROMOVE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA UM NASCER MAIS DIGNO

Insegurança médica

“Os estudantes de obstetrícia saem da faculdade como excelentes cirurgiões
e com pouquíssimo conhecimento da realização de um parto vaginal, saem com menos mão e superinseguros. Não podemos negar que a cesariana também
é um procedimento mais interessante tanto para o médico quanto para o hospital, por ser um evento previsível, com hora marcada, rápido e passível de maior controle. Porém, deveria ser uma alternativa de emergência para salvar vidas. Ainda temos o fato de as brasileiras serem pouco informadas a respeito do parto e acreditarem em falácias que envolvem sobretudo o medo de uma dor extrema e o da alteração de sua vagina.
A queixa de ‘alargar’ a vagina é comum, mas para isso existe a fisioterapia urogenital, que parece pompoarismo, só que tecnológico. Toda mulher tem acesso a ela, do SUS ao Einstein. Além
do mais, o parto vaginal implica em menores riscos de morte para mulheres
e crianças, aleitamento prolongado e melhor prognóstico gestacional para futuras gravidezes. O sofrimento fetal, só possível com o trabalho de parto, produz uma membrana que protege o brônquio da criança. Outro benefício é que esse parto é apertado para o bebê, a pressão no seu tórax faz com que ele elimine o líquido amniótico que fica retido nas vias aéreas superiores.” - 
RENATO KALIL, GINECOLOGISTA E OBSTETRA DO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN EM SÃO PAULO 

Um filho > parto em casa (e esperando o segundo)

Arquivo Pessoal
Mariana Maffei após seu primeiro parto
Mariana Maffei após seu primeiro parto
“Desde que conheci o parto domiciliar, soube que era pra mim. Me sentia preparada por conta de um pré-natal bem-feito e das leituras que fiz sobre o assunto. Uma verdade: imaginava que teria muito menos dor. Ela é como uma cólica forte, só que por muito tempo. A dor vale a pena, faz parte do processo de se tornar mãe. Meu parto foi assistido por uma doula e duas parteiras, mas, na hora que meu filho nasceu mesmo, só estava a doula. Nem meu marido estava no quarto. O nascer domiciliar é completamente natural, não há medicação alguma. Uma mulher que quer parir em casa quer viver a dor e o parto.Otesãoquevocêtemao viver um parto natural é o de se sentir protagonista daquilo. Estou grávida novamente, vai nascer em breve, e quero ter em casa outra vez, não abro mão.” - MARIANA MAFFEI, 31 ANOS, EMPRESÁRIA

Um filho > um parto roubado 

Arquivo Pessoal
A bebê de Juliana Leandro
A bebê de Juliana Leandro
“Assim que soube que estava grávida de minha primeira filha, prometi a mim mesma: faria parto normal. Passava os dias lendo sobre tudo que se relacionava a parir. Queria me munir de informações, porque sabia o quão difícil era conseguir realizar o procedimento no Brasil. Apesar de ter seguido os passos recomendados para conseguir um parto normal, minha filha nasceu por uma cesariana. Desnecessária, como descobri mais tarde. Foram 12 horas de trabalho de parto, as contrações corriam como o esperado e tudo caminhava para o desfecho que planejei. Ainda assim, minha vontade foi negligenciada. Sentia minha filha fazendo força pra sair. Então, uma enfermeira brutalmente proibiu que eu ficasse de cócoras, uma necessidade que sentia. Estava vulnerável e não soube me defender. A justificativa que recebi foi que meu bebê passava por sofrimento fetal e uma cesárea precisava ser feita com urgência. Não vi saída a não ser autorizar o procedimento. Fui levada para a sala de cirurgia e em meia hora tudo aconteceu. Tive um parto roubado. Depois, analisando o prontuário, descobri que meu bebê tinha uma frequência cardíaca perfeita para o parto normal. Me senti enganada. O tratamento que tive foi, sim, violência obstétrica.” - JULIANA LEANDRO, 32 ANOS, BANCÁRIA 

Violência obstétrica vai muito além de tratamento desumano

“A violência obstétrica é consequência direta da medicalização do parto. Durante anos, intervenções no processo fisiológico de nascimento vêm sendo realizadas como regra de assistência, quando deveriam ser utilizadas apenas de acordo com necessidades específicas. O uso inadequado de procedimentos caracteriza a violência obstétrica, que vai além de tratamento desumano. Uso de soro com ocitocina sintética para aceleração do trabalho de parto por conveniência médica e hospitalar, exames de toque sucessivos feitos por diferentes pessoas, episiotomia (corte entre a vagina e o ânus para aumentar canal de passagem do bebê) e privação do contato imediato entre mãe e filho após o nascimento são formas de violência. O parto ‘humanizado’ (termo, na minha opinião, equivocado e sujeito a interpretações dúbias) é o parto em que nenhuma intervenção é feita sem necessidade, um parto em que a mulher é corresponsável e, pactua todas as condutas e é a personagem principal do processo que gira em torno dela e da criança. Não sou de forma nenhuma contra a cesariana com indicação médica, mas não realizaria o procedimento eletivo sem motivo. Acredito que as mulheres têm o direito, sim, de escolher a cesariana. Mas, para a opção consciente, elas precisam saber de todos os riscos envolvidos, e, na minha experiência, sei que mulheres informadas não escolhem cesarianas.” - CARLA POLIDO, OBSTETRA E PROFESSORA ASSISTENTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS 

Quatro filhos > dois partos de cócoras e dois por cesária

Arquivo Pessoal
O segundo parto de Lila Ananda
O segundo parto de Lila Ananda
“Quando engravidei pela primeira vez, quis parto normal. Doeu muito. Menos de dois anos depois tive meu segundo filho, em hospital, com a mesma médica, novamente de cócoras. Imaginava que quando tivesse o terceiro seria na água. O pré-natal não foi tão bom como os dos primeiros e fiquei apreensiva. Tive um mal-estar com 40 semanas e acabei no hospital. Lá, me consultei com um cesarista assumido que me explicou como seria se escolhesse a cirurgia. Optei pela cesárea. Foi muito tranquilo. A recuperação foi boa e eu pude entender as mulheres que escolhem o procedimento. Quando engravidei pela quarta vez tive certeza: faria cesárea, mesmo se não tivesse indicação. Só não esperava entrar em trabalho de parto dois dias antes, foi a primeira vez que isso aconteceu, meus dois primeiros foram induzidos. Cheguei ao hospital com contrações e desabei diante do médico. Disse a ele: ‘Pelo amor de Deus, não me obrigue a ter um parto normal, eu já passei por isso’. Ele pediu ao médico de plantão, que aceitou operar. Passei mal na mesa de cirurgia e fiquei com medo de morrer. Minha pressão caiu muito e achei que não conheceria minha filha. Se recomendo parto normal ou cesária? Depois de tudo que passei, acho que parto é igual a orientação sexual, não se deve opinar na do outro.” - LILA ANANDA, 25 ANOS, ARTISTA PLÁSTICA 

O corpo é poderoso

“No Brasil, muita coisa precisa mudar. Os planos de saúde precisam adequar suas estratégias e tornar o parto normal mais atraente para o médico conveniado. Os hospitais precisam criar estruturas facilitadoras de um parto humanizado, disponibilizando recursos, como banheira, bola, banqueta e um ambiente acolhedor para toda a família. Os profissionais de saúde precisam reciclar suas práticas e prestar um atendimento coerente com a medicina baseada em evidências, que está de acordo com tudo o que é preconizadopelo movimento da humanização do nascimento. As agências reguladoras precisam fiscalizar e punir as cesarianas e intervenções realizadas sem uma boa indicação. Mas, principalmente, as mulheres precisam derrubar mitos e medos, exigir seu direito de serem respeitadas e acreditar mais na natureza e no poder de seu corpo.” - ÉRICA DE PAULA, PSICÓLOGA, DOULA E PRODUTORA DO FILME O RENASCIMENTO DO PARTO

http://revistatpm.uol.com.br/revista/146/reportagens/por-onde-saem-os-filhos.html