Traduzir

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O Puerpério - Por Laura Gutman

(tradução livre de Flavia Penido)
Original em Bebedubem - Vila Mamífera

Vamos considerar o puerpério como o período que transita entre o nascimento do bebê e os dois primeiros anos, ainda que emocionalmente haja um progresso evidente entre o caos dos primeiros dias – em meio a um pranto desesperado- e a capacidade de sair ao mundo com um bebê nas costas.
Para tentarmos submergir nas difíceis trilhas energéticas, emocionais e psicológicas do puerpério, creio necessário reconsiderar a duração real deste trânsito. Refiro-me ao fato que os famosos 40 dias estipulados – já não sabemos por quem nem para que - tem a ver só com o histórico veto moral para salvar a parturiente do pedido (reclamo) sexual do varão. Mas esse tempo cronológico não significa psicologicamente um começo nem um final de nada.
Minha intenção – pela falta de um pensamento genuíno sobre o “si mesmo feminino” na situação de parto, lactação, criação e maternagem em geral- é desenvolver uma reflexão sobre o puerpério baseando-nos em situações que às vezes não são nem tanto física, nem visível, nem tão concreta, mas não por isso são menos reais. Vamos falar em definitivo do invisível, do submundo feminino, do oculto. Do que está mais além do nosso controle, mais além da razão para a mente lógica. Tentaremos nos aproximar da essência do lugar onde não há fronteiras, de onde começa o terreno do místico, do mistério, da inspiração e da superação do ego. Para falar do puerpério, teremos que inventar palavras, ou outorgá-las um significado transcendental.
Para nós, que já o temos transitado faz muito tempo, nos dá preguiça voltar a recordar esse lugar tão desprestigiado, com reminiscências à tristeza, sufoco e desencanto. Recordar o puerpério equivale frequentemente a reorganizar as imagens de um período confuso e sofrido, que engloba as fantasias, o parto tal como foi e não como havia querido que fosse, dores e solidões, angústias e desesperanças, o fim da inocência e o início de algo que dói trazer outra vez a nossa consciência. Para começar a armar o quebra-cabeça do puerpério é indispensável ter em conta que o ponto de partida é o parto, quer dizer, a primeira grande desestruturação emocional. Como descrevi no livro “Maternidade e o encontro com a própria sombra” para que se produza o parto necessitamos que o corpo físico da mãe se abra para deixar passar o corpo do bebê, permitindo uma certa “ruptura” corporal também se realiza em um plano mais sutil, que corresponde a nossa estrutura emocional. Há um algo que ''se quebra'', ou que se “desestrutura” para conseguir a passagem de “ser um a ser dois”.
É uma pena que atravessamos a maioria dos partos com muito pouca consciência com respeito a este “rompimento físico e emocional”. Já que o parto é sobretudo um corte, uma quebra, uma brecha, uma abertura forçada, igual à irrupção do vulcão (o parto) que geme desde as entranhas e que ao lançar suas partes profundas destroem necessariamente a aparente solidez, criando uma estrutura renovada.
Depois da “erupção do vulcão” nós as mulheres, encontramos com o tesouro escondido (um filho nos braços) e, além disso, com insólitas pedras que se desprendem como bolas de fogo (nossos “pedacinhos emocionais”, ou nossas partes mais desconhecidas) rodando em direção ao o infinito, ardendo em fogo e temendo destruir o que roçamos. Os “pedacinhos emocionais” vão queimando o que encontram a seu caminho. Olhamos atordoadas, sem poder crer a potência de tudo o que vibra em nosso interior. Incendiando e caindo no precipício, costumam manifestar-se no corpo do bebê (como uma planície de pasto úmido aberta e receptora). São nossas emoções ocultas que desdobram suas asas no corpo do bebe saudável e disponível.
Como um verdadeiro vulcão, nosso fogo roda por todos os vales receptores. É a sombra, expulsa do corpo.
Atravessar um parto é preparar-se para a erupção do vulcão interno, e essa experiência é tão avassaladora que requer muita preparação emocional, apoio, acompanhamento, amor, compreensão e coragem por parte da mulher e que de quem pretende assisti-la. Todavia poucas vezes nós as mulheres encontramos o acompanhamento necessário para introduzir-nos logo nessa ferida sangrenta, aproveitando esse momento como ponto de partida para conhecer nossas renovadas estrutura emocional (geralmente bastante maltratada, por certo) e decidir o que faremos com ela.
O fato é que - com consciência ou sem ela, acordadas ou dormindo, bem acompanhadas ou sós, incineradas ou a salvo - o nascimento se produz. Lamentavelmente hoje em dia consideramos o parto e o pós-parto como uma situação puramente corporal e de domínio médico. Submetemo-nos a um trâmite que com certa manipulação, anestesia para que a parturiente não seja um obstáculo, droga que permitem decidir quando e como programar a operação e uma equipe de profissionais que trabalham coordenados, possam tirar o bebê corporalmente são e felicitar-se pelo triunfo da ciência. Estas modalidades estão tão arraigadas em nossas sociedades que nós mulheres nem sequer nos questionamos se fomos atrizes de nossos partos ou meras expectadoras. Se foi um ato íntimo, vivido desde a mais profunda animalidade, ou se cumprimos com o que se esperava de nós. Se foi possível transpirar ao calor de nossas chamas ou se fomos retiradas da cena pessoal antes do tempo.
Na medida em que atravessamos situações essenciais de ruptura espiritual sem consciência, anestesiadas, dormidas, infantilizadas e assustadas… ficaremos sem ferramentas emocionais para rearmar nossos pedacinhos de chamas, permitindo que o parto seja uma verdadeira transição de alma. Frequentemente assim iniciamos o puerpério: afastadas de nós mesmas.
Anteriormente descrevíamos a metáfora do vulcão na chama, abrindo e rachando seu corpo, deixando a descoberto a lava e as pedras. Analogamente do ventre materno urge o bebê real, e também o interior desconhecido dessa mamãe, que aproveita o rompimento para correr pelas fendas que ficaram abertas. Esses aspectos ocultos encontram uma oportunidade para sair do refúgio. A sombra (quer dizer, qualquer aspecto vital que cada mulher não reconhece como próprio, a causa da dor, o desconhecimento ou o temor) utiliza a ruptura para sair de seu esconderijo e apresentar-se triunfante na superfície.
O problema para a mãe recente é que se encontra simultaneamente com o bebê real que chora, demanda, mama, se queixa e não dorme… e ao mesmo tempo com sua própria sombra (desconhecida por definição) , inabarcável e indefinível. Porém concretamente com que aspectos de sua sombra se encontram? Cada ser humano tem sua personalíssima historia e obstáculos a recorrer, portanto só um trabalho profundo de introspecção, busca pessoal, encontro com suas dores antigas e coragem poderá guiar-nos até o interior dessa mulher que sofre através da criança que chora.
O puerpério é uma abertura de alma. Um abismo. Uma iniciação. Se estivermos dispostas a submergir nas águas de nosso eu desconhecido.
Laura Gutman (tradução livre Flavia Penido)

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Encontro Gestar: contexto histórico do nascer

O nascer em diferentes culturas e contextos históricos: desconstruindo mitos e 'verdades'.

Próximo encontro Gestar, dia 21.08 às 19 horas.

"Numa sociedade construída com bases patriarcais ficou relegado às mulheres um papel de subalternidade.

Tal situação é decorrente das relações de gênero, que determinam de modo cultural (e não natural) uma distribuição desigual de poder entre os sexos.

Essa desigualdade reflete na forma como sentimos e pensamos o que é ser mulher, o que é ser mãe...

Muitos mitos foram construídos e transformados em verdades - que podem e devem ser desconstruídas.

Através da história (não a das verdades prontas, mas sim da reflexão e análise de diferentes contextos e culturas) é possível atingir um nível de consciência sobre os processos que nos constituíram e nosso lugar nessa sociedade!"

(Daniela Sbravati)

Mediação e construção de argumentos: Daniela Sbravati, doutoranda em história e Luisa Tombini Wittmann, doutora em história.

Encontro aberto e gratuito...

Esperamos por você!


domingo, 10 de agosto de 2014

Vamos celebrar a paternidade consciente e participativa!

Dia 10 de agosto: Feliz dia dos pais, dos cuidadores!!

Paternidade honesta, participativa e feminista


Paternidade honesta, participativa e feminista

Por Jarid Arraes, original em Revista Forum
Em uma cultura voltada para o consumo e que relaciona a compra de presentes com demonstração de afeto, uma data comemorativa e comercial como o Dia dos Pais não é um alvo frequente de debates e reflexões. Porém, indo além da óbvia crítica ao teor consumista da data, o Dia dos Pais pode ser uma oportunidade para que os homens reflitam sobre o que é ser um pai verdadeiramente responsável e cuidador, ultrapassando o papel clichê do “pai que ajuda”.
O “pai que ajuda” é bastante valorizado pela sociedade; é aquele pai que segura o bebê enquanto a mãe vai ao banheiro, que troca uma fralda ou mesmo que busca a criança na escola. Esses pais, que vão um pouco além do papel de provedor financeiro, são amplamente celebrados: “Meu marido é um ótimo pai, me ajuda com o bebê” é uma frase proferida com frequência, como se trocar a fralda de um bebê fosse uma atividade extremamente antinatural aos homens. Mas será que a paternidade se resume a essas tarefas tão ocasionais?
A paternidade não é nenhum fenômeno místico totalmente diferente da maternidade, simplesmente porque não há papéis exclusivos de um determinado gênero quando o assunto é educar e cuidar das crianças. Se responsabilizar por uma criança, educá-la, alimentá-la e providenciar-lhe saúde e afeto são responsabilidades sociais de qualquer pessoa humana que tenha filhos. Por isso, ter um filho e criá-lo com amor não é algo que as mulheres têm mais predisposição a fazer – e nem deve ser um privilégio exclusivo de casais heterossexuais. Na verdade, ter um filho e uma família não é e nem nunca foi uma exclusividade de casais, já que há tantas famílias com configurações diversas, por vezes chefiadas por tios ou avós, ou simplesmente compostas por outros parentes. Portanto, o homem que elege a mulher como mais apta a cuidar de uma criança não está sendo coerente com a realidade: trata-se somente de uma fuga de suas responsabilidades paternas devido a sua falta de empenho em ser participativo na vida dos filhos.
Ao contrário dos valores tão enraizados em nossa cultura, os homens não são insensíveis demais e nem possuem menos habilidade para cuidar de crianças. É certo que cada indivíduo, independente de seu gênero, possui mais facilidade para algumas tarefas do que para outras – algo que também é válido para as mães. Sob esse ponto de vista, o homem que tem um filho é absolutamente capaz de ser responsável por aquela vida. A presença paterna deve ir além das tarefas esporádicas e o pai pode e deve colocar seu filho para dormir, cozinhar seus alimentos, administrar remédios e levá-lo ao médico, mesmo que essas atividades não sejam prazerosas. Demonstrar amor com palavras, beijos e brincadeiras faz parte de uma paternidade responsável e comprometida, mas não é nem de longe suficiente para que a criança se sinta querida, importante e segura.
Além de tudo, a importância da paternidade está em seu enorme potencial de fazer a diferença no mundo, ainda tão calejado de tantos séculos marcados pelo machismo. O pai que participa, seja ele heterossexual ou não, casado ou não, é aquele que faz de seu exercício paterno uma oportunidade para estabelecer valores de igualdade, respeito e responsabilidade dividida entre todos aqueles que escolhem ter crianças em suas vidas. Esse é o pai que ensina, por meio de um exemplo diário e concreto, que homens e mulheres são equivalentes e livres. Pensando nas relações de gênero e em como os paradigmas do machismo são ensinados às crianças,  a equidade de gênero no ambiente familiar é muito mais do que dar uma simples ajudinha; um dia essas crianças se tornarão adultas e, durante esse processo, serão fortes reprodutoras dos valores feministas aprendidos, também, com seus pais.
Foto de capa: Pixabay

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O que o seu anticoncepcional tem a ver com o meu feminismo?

Texto de Ticiane Figueiredo, original em Blogueiras Feministas

É muito simples, basta ir a qualquer farmácia munida de uma receita médica e comprá-lo. Ou nem isso, com uma receita específica, você pode adquiri-lo gratuitamente no SUS.
Ambas alternativas são, de certa forma, cômodas. Talvez seu único protesto se resuma ao preço que irá pagar ou a fila que irá pegar para enfim ter seu remédio. Toda a história por trás do anticoncepcional ou toda a luta de “certas mulheres” não fazem diferença para você porque hoje você o tem, hoje você pode tê-lo. Você pode decidir se quer usá-lo ou não. A escolha é sua e de ninguém mais. E eu fico feliz por você, por poder decidir, mas infelizmente não foi sempre assim e por mais que você ignore os fatos e não se importe com as conquistas feministas, você não vive em um presente contínuo, houve um passado. Um passado de lutas.
O uso do anticoncepcional, às vezes recomendado por ginecologistas para controle hormonal, está diretamente ligado à sexualidade da mulher. Está sobretudo ligado a uma escolha: “ser ou não ser mãe?”.
Por muito tempo, e ainda hoje, infelizmente, a liberdade sexual da mulher sempre foi limitada, isto é, quando existia alguma. Seja pelo fato do próprio sexo ter sido por muito tempo um tabu, ou devido ao papel imposto pelo patriarcado à Mulher, essa era uma das coisas das quais ela era privada: o prazer carnal. Não bastasse a pressão social e religiosa, havia ainda outra problemática: a mulher engravidava. E diferentemente do que muitos pensam, a maternidade é uma escolha e não uma conseqüência de ser/nascer mulher. Logo, o anticoncepcional, assim como outros métodos contraceptivos, foram um marco para a autonomia da mulher sobre o seu próprio corpo e seus próprios desejos. Nós também gostamos de sexo, afinal.
Foi aproximadamente na década de 60, marcada pela entrada em massa das mulheres nas universidades e a grande difusão da liberdade sexual, que a feminista Margaret Sanger procurou o então biólogo Gregory Goodwin Pincus com a idéia de criar um remédio que pudesse dar às mulheres o poder e a autonomia sobre seu corpo, ou seja, ter ou não filhos. Pincus acatou a ideia e seguiu com a pesquisa às escondidas, pois o uso de contraceptivos ainda era tido como ilegal na época. Anos depois a primeira pílula surgiu, e apesar de muita relutância da igreja e da própria sociedade, foi legalizada.
Foto de Jenny Lee Silver no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Foto de Jenny Lee Silver no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Mas que pílula mágica era essa, afinal? Como substâncias sintéticas que inibiam a ovulação podiam dar às mulheres o poder de decidir quando ter filhos e quantos ter? Simples, o anticoncepcional não era só um contraceptivo, era uma ideia. Uma ideia estranha de que as mulheres podiam ter autonomia sobre o seu próprio corpo. Um corpo que não era nem do Estado, nem da Igreja, nem do marido, mas sim delas. E elas agora podiam usar e abusar dele com mais liberdade graças às lutas feministas pela difusão e legalização do referido método.
Hoje a luta continua. O direito ao uso do anticoncepcional é nosso. Meu, seu, de tod@s nós. Seja você feminista ou não. Mas infelizmente aquela idéia de autonomia sobre o próprio corpo ainda não é muito aceita pela “sociedade” patriarcal e machista. Essa idéia é uma das principais bandeiras do Feminismo. Sim, aquele feminismo-que-não-tinha-nada-a-ver-com-você, mas que conseguiu muitos dos direitos que você possui hoje. Ele mesmo.
Infelizmente, apesar de todo o seu peso em nossa emancipação sexual, a pílula apresenta alguns efeitos colaterais que estão sendo muito questionados. Afinal, é um hormônio sintético, aplicado ao seu corpo todo mês. Isso sem falar na grande polêmica que envolveu a pílula Diane 35 devido às mortes por trombose venosa. E é aí que aquele Feminismo-que-não-tinha-nada-a-ver-com-você surge novamente com um interessante questionamento: E a responsabilidade do homem?
Levantar esta questão é de suma importância porque, ao tomar a pílula e ao assumir os riscos – tanto relacionados à saúde quanto à gravidez – que essa decisão envolve, a mulher parece ser a única responsável pelas conseqüências que podem vir a surgir. Afinal, quem foi que esqueceu de tomar a pílula, não é mesmo? Parece muito simples endossar esse discurso, principalmente se estivermos diante de uma sociedade patriarcal e capitalista. Mas não é bem assim que funciona.
O homem é tão responsável quanto a mulher, seja com relação a tudo o que envolve uma vida sexual a dois — casual ou não —, seja com relação às atividades domésticas e laborais. Até porque, o ‘filho da mãe’, se nascer, é do pai também. E esse falso moralismo que condena a sexualidade da mulher e a enxerga como uma culpada por todas as pragas do mundo, não passa de um machismo e como tal, deve ser combatido!
Assim, todos os dias quando for tomar a sua sagrada pílula, ou injeção, lembre-se da nossa luta e se quiser, junte-se a ela. Afinal, se uma simples pílula conseguiu fazer uma revolução, imagine o que você não seria capaz de fazer!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Encontro Gestar


O dia dos pais está chegando, por isso resolvemos homenageá-los!!

No próximo encontro conversaremos sobre paternidade ativa. Contaremos com a presença de David Mattos, um pai participativo que nos contará sua trajetória e seus caminhos na paternagem ativa e consciente.

O encontro é para todos! Por isso será à noite, 19 horas, assim todos poderão estar conosco...

Tragam a família, os amigos... Vai ser lindo!!
______________________________________

"O desafio do pai mamífero é estar presente, envolver-se desde o início da gestação neste redemoinho de sensações e descobertas que é a chegada de um filho. Pais ativos, conscientes, mamíferos, não ajudam, participam. Gestam também em si uma nova realidade, um princípio de família, um novo homem, companheiro, paterno. Estão ao lado da mulher em sua caminhada para parir ativa e respeitosamente. Empoderam-se junto às companheiras para receber a cria. Apóiam a amamentação, dão suporte, respeitam, defendem. Viram também ativistas, militantes. Acolhem seus filhos, embalam, acalentam. Sentem. Seu colo é forte, protege e orienta. Paternar consciente é nascer de novo, para ser novo junto de cada novo filho. Não basta ser pai: tem que ser mamífero."
(Os Mamíferos - Vila Mamífera)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Por que não fazer exame de toque

Original em Olhar Mamífero - Vila Mamífera
Por Kalu Brum
exame-toque
Um dos procedimentos de rotina dos pré-natais é o exame de toque, independentemente da idade gestacional. Mas este procedimento, como a maioria dos exames e intervenções, só pode trazer benefícios quando não é banalizado.
O exame de toque serve basicamente para avaliar a evolução da dilatação no trabalho de Parto, apresentação do útero e posicionamento do bebê.  O que esperar de uma mulher com 24 semanas? Que o colo esteja grosso e fechado, o bebê na posição que desejar (não estará encaixado) e alto. E se a mulher não apresenta qualquer queixa, para que realizá-lo?
Se uma mulher apresentar contrações prematuras, vale avaliar se as mesmas indicam um trabalho de parto precoce. Aí sim, depois de investigar se não se trata de contrações sem ritmo (Braxton), infecção urinária, pode-se fazer um exame de toque. Mas ele é mera especulação.
Acompanhei uma gestante que com 32 semanas fez o exame de toque e o médico verificou que ela tinha 2 cm de dilatação e colo afinado. Ela tomou corticóide para amadurecer o pulmão do bebê no risco de parto prematuro. Com 35 semanas, se não me falha a memória, tinha 3 ou 4 cm. Mas sem contrações ou seja não estava em Trabalho de Parto. Teve um parto natural com 39 semanas.
Então, o que o exame de toque adiantou? Nada.
Em trabalho de parto a questão do exame de toque é uma faca de dois gumes. Ele é feito para protocolar a mulher que deve dilatar X cm por hora. Quando estaciona em X cm considera-se parada de progressão e aí vem as medidas intervencionistas. Uma analgesia para ver se a mulher ( e o útero) relaxam e a dilatação progride ou ocitocina para ajudar nas contrações. A medicina tradicional desconsidera os fatores emocionais.
Imagine que você está com uma sensação de grande dor e passou 5 horas com determinada dilatação. Medem novamente e você não saiu do lugar. Essa informação vai fazer com que a mulher desista pensando que, se em X horas ela não dilatou, precisará de mais X para parir. E na mente dela ela decreta: não vou agüentar.
Mas o que acontece é que a dilatação não é tão precisa. Existe a relação ocitocina X adrenalina. Se quiser aumentar a dilatação é preciso aumentar a ocitocina natural. E para aumentar a ocitocina é preciso de:
- Pouca Luz
- Silêncio
- Privacidade
- Não observação
- Ambiente quente e confortável
- Beijo na boca do marido
- Massagem
- Paz
Luciana Costa secretando Ocitocina Natural
Luciana Costa secretando Ocitocina Natural
Quando a mulher pára de dilatar é aí que aumentam o monitoramento, a observação e a adrenalina da mulher (e da equipe) vai nas alturas inibindo a ocitocina.
Lá vem a ciência solucionar problemas para os quais ela mesma causou. Ocitocina sintética, dor, adrenalina, anestesia, mais ocitocina. Uma vez que a ocitocina sintética entra na corrente sanguínea da mulher, toda a ocitocina que ela liberaria naturalmente, antes, durante e depois do parto é bloqueada.
E isso significa o quê?
Que depois do parto, momento em que é necessária a liberação do hormônio para criar vínculo com o bebê, segundo o obstetra Michel Odent é o êxtase (coquetel de hormônios que sentimos no pós parto que faz com que criemos vínculo de amor com a cria) ele não se faz presente.
A ocitocina é um hormônio natural presente e fundamental para a hora do parto. Em grande parte dos partos normais em todo o planeta, para acelerar a contração do útero e tornar o parto mais rápido, a ocitocina é usada de forma padronizada, é o caso do Brasil. O famoso “sorinho” torna as contrações extremamente fortes e doloridas, levando muitas vezes a alteração do batimento cardíaco do bebê, fazendo-se necessário o uso de anestesia e as cascatas de intervenções físicas e medicamentosas.
Segundo Odent, por ser um hormônio, a ocitocina passa pela barreira placentária e chega à corrente sanguínea do bebê, atingindo o cérebro da criança. Segundo o obstetra, o uso da ocitocina sintética pode gerar seres humanos mais agressivos por ser um hormônio diretamente ligado a socialização. Ele o chama de “hormônio do amor”, porque está presente na relação sexual, na amamentação e no parto e pós parto, facilitando a relação instintiva entre mãe e filho.
Outra conseqüência é a incapacidade ou dificuldade de produzir ocitocina em outros momentos da vida, uma vez que sua versão sintética bloqueia a produção de ocitocina natural. Atingindo o cérebro da criança, este ser humano pode ser incapaz de produzir este hormônio, tanto na hora do parto, como em outras situações de sua vida. Sem a produção de ocitocina ficamos incapacitados de sentir prazer.
Voltando para a questão do toque, já vi o procedimento ser bem usado em algumas ocasiões. Em um Parto Domiciliar bastante demorado (mais de 30 horas) avaliou-se a possibilidade de romper a bolsa uma vez que a mulher estava com dilatação completa e o bebê não descia. Para saber se o bebé estava alto e a evolução do parto depois de tanto tempo, para que a família e parteiras avaliassem uma possível transferência, optou-se pelo rompimento artificial da bolsa e o bebe nasceu.
Outro caso, a mulher estava bem cansada e quis saber a quantas andava a evolução do parto. A enfermeira avaliou 8 cm e um rebordo de colo. Segurou o rebordo e o bebê nasceu uma hora depois.
Então, como tudo na vida, bem usada a intervenção pode apresentar benefícios. A banalização é que causa problemas.
Vale o alerta de que muitos obstetras não humanizados costumam descolar as membranas para acelerar o início do trabalho de Parto por volta das 39 semanas. Algumas vezes não avisam que vão fazer e nem a finalidade. E só é possível fazer isso quando se faz toque (geralmente um toque dolorido).
No Trabalho de Parto, com médicos não humanizados, exame de toque pode levar o médico romper a bolsa sem a mulher querer.
Não aceitar o exame de toque é se poupar disso também. Perto do parto saber que o colo está amolecido e com X cm pode causar ansiedade.
Sem contar que, mesmo com luva, fazer toque aumenta o risco de infecção, principalmente se a mulher estiver com bolsa rota. Mas experimente estar com bolsa rota  para saber quantos exames de toque vai receber. Parece que muitos médicos só aprendem a fazer cesárea, toque e ultrasson para serem obstetras.
Vou deixar bem claro que não sou “contra” os procedimentos. Nem uso de ocitocina, nem anestesia. Todo e qualquer procedimento quando banalizado representa risco. Por exemplo, locais em que não há assistência obstétrica ou aqueles com índices altos de cesáreas possuem índices de morte neonatal e infantil semelhantes. Ou seja, a falta de recursos ou excesso (mal utilizados), são prejudiciais.
A princípio devemos acreditar que nosso corpo tem plena capacidade de parir, sem drogas e intervenções, mas se abrir para a possibilidade de valer-se de recursos quando acabarem as forças físicas e emocionais para prosseguir.
Na minha opinião um parto com analgesia (pouca) e ocitocina (pouca) é melhor que uma cesárea. Uma cesárea para salvar vidas.  
O risco, em tudo, é a banalização.
E você, o que pensa do exame de toque?

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Meu bebê é grande, mas eu sou um mulherão!

Texto retirado do facebook, fanpage "O Renascimento do Parto - O Filme"
Escrito por Ana Cristina Duarte, obstetriz


"Bebê grande não é indicação de cesariana. Quer dizer então que a natureza preparou um bebê dentro do útero de uma mãe que não tem como sair? Mais ou menos como um marceneiro montar um armário dentro da oficina que não tem como sair pela porta? Bom, o marceneiro burro pode até perder o armário, paciência. Mas a natureza não é burra, e não tem caché energético para bancar bebês que são feitos por 9 meses e depois não podem sair, matando a si mesmos e às suas mães.
Na natureza, nos últimos 100 mil anos, cada vez que uma mutação genética fazia um bebê ser gigantesco para sua mãe, o que acontecia era o óbito de ambos. Esses genes malucos de bebês gigantes jamais puderam se reproduzir e perpetuar em nossa espécie. O tamanho dos nossos bebês não é fruto do acaso, do sorteio. Ele foi moldado pela seleção natural ao longo desse período. Curiosamente nos últimos 40 anos, que é aproximadamente a idade da indústria da cesárea no Brasil, começaram a pipocar os incontáveis casos de bebês que não podem nascer por serem enormes.

Vamos aos fatos:

1) Não há como saber o peso dos bebês no útero. A ultrassonografia é uma tecnologia absolutamente inapropriada para cálculo de peso. Aparelho de ultrassom transforma onda sonora em imagem, e a imagem é medida por um computador, que joga tudo numa tabela internacional e dá um peso estimado. Não é de se surpreender que o erro chegue a 20% e que albuns bebês nasçam com até 1 kg de diferença entre o estimado e o real.

2) A bacia das mulheres têm flexibilidade através de seus ligamentos, que é aumentada pela relaxina, um hormônio que tem níveis elevados durante a gestação. A bacia interna (que é por onde o bebê passa) não tem como ser medida com precisão. Tamanho de nádega materna não é tamanho de bacia. Uma mulher pode ter um bumbum bem grande (como essa que vos escreve) e uma bacia pequena internamente (não é o meu caso). Outra pode ser magérrima, tipo Gisele Bundchen com fome, e ter uma bacia interna muito grande.

3) Os ossos da cabeça do bebê são soldos (a famosa "moleira" é justamente um dos espaços entre esses ossos). Durante o trajeto do canal de parto, os ossos se sobrepõem, formando um cone. Quando o bebê nasce, sua cabeça tem quase o formato de um ovo. Em poucas horas esse cone se desfaz e a cabeça fica redonda. Por isso também, as medidas do crânio do bebê calculadas pelo ultrassonografista não servem para absolutamente nada. Só servem para diagnosticar possíveis patologias fetais e predizer problemas de saúde do recém nascido. Essas medidas podem até ser úteis a um neonatologista, mas nunca a um obstetra.

4) Existe a possibilidade do bebê adentrar a bacia pélvica de forma inadequada e não passar. É a chamada desproporção céfalo-pélvica (DCP). Esses são os bebês que poderiam morrer se não fosse pela cesariana. Porém o único modo de de diagnosticar uma desproporção é aguardando a mulher entrar em trabalho de parto, aguardando toda a dilatação do colo do útero (total, ou praticamente total), aguardar algumas horas (por volta de quatro ou mais, se o bebê estiver bem), sem que ele desça pelo canal de parto. Ainda assim é importante se tentar pelo menos uma analgesia por algumas horas antes de se decidir por uma cesariana por DCP.

5) Já assisti desproporção em bebês de 2500g e já vi bebês de 4700g nascerem em partos muito rápidos. Em outras palavras, o peso não tem NADA A VER com passar ou não passar. Já vi mulher de 1,80m ter desproporção e mulher de 1,40m ter parto muito rápido e fácil. Em outras palavras, tamanho de mulher não tem NADA A VER com passar ou não passar. O tamanho do marido também não tem qualquer importância nessa equação.

6) A altura uterina não tem qualquer utilidade para se determinar se um bebê vai passar ou não, pois ela depende de muitos outros fatores que não o peso do bebê.

7) Bebês grandes não tem maiores chances de "rasgar" os tecidos da mulher durante seu nascimento. O risco de laceração ocorre principalmente pelas intervenções (ocitocina, Valsalva, litotomia, Kristeler) e pela velocidade da saída do bebê. Técnicas de preparação do períneo durante a gestação têm sido promissoras no sentido de evitar lacerações de períneo e devem ser empregadas não importa o tamanho estimado do bebê.

8) Distócia de ombros, quando o ombro fica preso depois do nascimento da cabeça do bebê, é um evento muito raro, que fica um pouco mais provável com o uso de manobras como o fórceps e kristeler. Mais da metade dos raros casos de distócia acontece em bebês que não são considerados grandes. Seriam necessárias mais de 300 cirurgias cesarianas em gestações de bebês supostamente grandes, para evitar um único caso de distócia de ombros. Essas 300 cirurgias certamente fariam muito mais mal a essas 300 mães e 300 bebês do que as consequências em geral passageiras de uma distócia de ombros.

9) Tamanho de vagina não tem nada a ver com essa questão. Se a mulher tiver algum problema nesse sentido, pode até solicitar a possibilidade de uma analgesia para o final do parto, para não sentir a passagem do bebê, caso entre em pânico durante o período expulsivo. De toda forma, a vagina é composta por tecidos musculares, que são muito flexíveis. A DCP se refere aos ossos da pelve materna, e não aos tecidos moles.

10) Não existe bebê tão grande que pode "entalar". O ponto mais estreito da bacia é uma linha imaginária que passa pelas duas espinhas isquiaticas. Ou o bebê passa ou ele não passa por esse ponto. Se o bebê não passar pela linha, ele nasce por cima. Se passar, nasce por baixo. Não existe um "purgatório" na bacia, de onde a criança jamais poderá sair. Sempre dá para nascer, por baixo ou por cima.

Em resumo, eu considero prática de má fé qualquer indicação de cesariana baseada em medidas, seja de altura uterina, tamanho de cabeça, peso calculado pelo ultrassom, medida da bacia por raio X, tamanho do bumbum, número de calçado ou tamanho dos ombros do marido estivador."

Por Ana Cristina Duarte, obstetriz - GAMA, Grupo de apio à Maternidade Ativa

(ps: sim, sim... a foto é tratada, uma brincadeira em relação ao conteúdo do artigo)

terça-feira, 29 de julho de 2014

O pai, a revolução masculina e a amamentação - em busca da paternidade ativa

Original em Cientista que virou mãe, por Ligia Moreiras Sena

Ontem li e compartilhei um texto publicado em setembro do ano passado na Revista TPM com o título de "O Novo Pai". Belo texto de autoria da roteirista e escritora Antonia Pellegrino que fala sobre o novo papel que alguns homens decidiram assumir como pai; uma forma de ser pai que é fruto da revolução feminina, mas também de uma maior consciência sobre criação de seres humanos; um pai que assume sua paternidade tanto quanto a mãe assume sua maternidade. Aquele pai que não vê os cuidados com os filhos como "ajuda", porque quem ajuda está sempre fazendo um "favor"; ele vê a criação dos filhos como função tão sua quanto da mãe. A autora traça um paralelo entre o que ela chama de "pai tradicional" - caracterizado como sendo aquele cara que divide os custos do filho com a mãe mas não a responsabilidade sobre ele, e que leva sua vida normalmente durante a gravidez, saindo, bebendo, voltando tarde, reclamando que a mulher mudou, e que, após o nascimento, chega à noite, faz um carinho e dorme, achando que dar banho é o máximo que pode fazer, vangloriando-se por isso.

Esse é um assunto da máxima importância, porque de nada adianta um mundo de mulheres espalhadas por aí buscando serem as melhores mães que podem ser, enquanto em casa vive um ser que não está assim tão preocupado com a forma com que cria os filhos - ou enquanto o pai de seus filhos vive por aí a esmo, sem se tocar do prejuízo que sua negligência pode causar ao filho e ao mundo. De nada adianta uma maternidade consciente e ativa enquanto a paternidade estiver sendo negligenciada, fato.  Ou a gente cria essas crianças integralmente, ou o trabalho continuará pela metade.

Também de nada adianta um homem engajado e preparado para auxiliar se os serviços de saúde não souberem acolhê-lo, prepará-lo, discutir com ele todos os aspectos referentes à saúde da família. Muitos homens paternalmente ativos têm se sentido marginalizados durante a gestação da esposa, durante o parto ou após. Pouca - ou nenhuma - atenção é dada pelos próprios profissionais da saúde ao papel do pai em todas as fases da criação dos filhos, desde antes do nascimento, o que aponta também para a reformulação do atendimento e para a criação de políticas públicas que incentivem e garantam a participação masculina.

Em meu caso individual, tenho a alegria de dividir com meu companheiro os cuidados com minha filha. Essa é a terceira experiência de paternidade dele e a primeira, de fato, integral, por diferentes motivos, inclusive (mas não só) por maturidade dele e semelhança entre nossos pontos de vista.

Isso é fruto da disposição dele de atuar, de estar junto, de estar presente, mas também foi e é fruto de nossas escolhas e lutas e da minha aceitação. Procuramos apoio na gestação, no parto e no pós-parto. Mudamos a vida de forma que a participação dele fosse valorizada. Ele transferiu para a casa a totalidade de suas atividades - perdendo, nessa, um bom número de interações que lhe trariam mais trabalho e mais dinheiro. Eu soube acolher essa incursão na criação da nossa filha. Pode parecer mentira, mas muitas mulheres não aceitam a presença igualitária do pai na criação dos filhos, o que é, por si só, um sério impedimento à paternidade ativa...

Ou seja, há que se estimular os homens a serem pais verdadeiros, presentes, participativos? Sem dúvida. Mas há também que saber acolher esses novos homens, porque eles precisam de acolhimento. E há também que partir do próprio coletivo masculino a vontade de ser reconhecido como importante na questão da criação dos filhos, e não como acessório ou apenas garantia financeira.


Nós, mulheres, estamos em plena revolução feminista (as pessoas acham que ela aconteceu há 40, 50 anos, mas eu não acho; acho que a estamos vivendo todos os dias, do contrário não teríamos que lutar por coisas absolutamente básicas à condição feminina, e ainda lutamos...).


Sabe o que faltaA Revolução Masculina. Não a revolução do macho. A revolução do novo homem. Esse, com quem andamos encontrando pela vida com cada vez mais frequência e que é bacanudo.


Sinto uma satisfação imensa por ver minha filha valorizar tanto a mãe quanto o pai e de não fazer distinção de qualquer tipo. Não há, nesta casa, nenhum tipo de atividade que seja feita somente pela mãe ou somente pelo pai, fazemos tudo o que a Clara precisa juntos. E ela sabe disso. Na página do blog no Facebook, muitas mulheres compartilharam, abaixo do link com o texto que mencionei acima, suas experiências bacanas com os pais de seus filhos, homens que estão mudando a cara da paternidade, homens "que estão grávidos", que "amamentam", que cozinham para os filhos, que leem livros sobre maternidade/paternidade, que estão desenvolvendo a intuição sobre o que o filho precisa, que estão se dedicando a lerem os sinais que as crianças mandam, coisas que há não muito tempo eram vistas somente entre mulheres. Ainda temos muito a caminhar, mas já caminhamos um bocado em direção a uma maternidade/paternidade integral.

Tenho a mais plena convicção de que a participação ativa do pai ajuda a garantir uma boa gestação, facilita o trabalho de parto, torna o parto e nascimento um momento mais significativo, facilita a passagem da mulher pelo puerpério - esse portal de mudanças ainda tão desconhecido -, ajuda a garantir o sucesso da amamentação, facilita a volta da mulher ao trabalho, torna esses processos mais fáceis e menos dolorosos. O homem está se construindo como novo ser humano à medida que se constrói como novo pai, e esse processo traz inúmeros benefícios não só à mulher, mas a toda a família.

É o caso da amamentação.
Grande parte das mulheres que tiveram experiências bonitas de amamentação afirmam terem tido apoio do pai de seus filhos. Posso falar por mim: a presença e apoio do pai da minha filha foi algo insubstituível. Nós não pudemos contar com a ajuda de ninguém quando a Clara nasceu, éramos - como somos até hoje - apenas nós três. E ele esteve ao meu lado ativamente em todos, absolutamente todos, os momentos difíceis de início de maternidade. Mas os efeitos dessa presença sobre a amamentação foi algo que realmente me marcou.


Então, inspirada por essas belas experiências de paternidade, compartilho aqui um artigo de revisão publicado recentemente (2012) em uma revista de pediatria e que tem como título "Apoio paterno ao aleitamento materno: uma revisão integrativa". A pesquisa foi conduzida por um grupo de pesquisadores formado por uma mulher e dois homens, coisa que achei muito bacana. Um artigo de revisão é uma publicação fruto de um trabalho de pesquisa teórica sobre tudo o que já foi publicado a respeito de um determinado assunto. Eu, particularmente, adoro revisões porque nos dão um apanhado geral e nos localizam no problema, além de reunir em um só diferentes trabalhos. Você pode acessar o artigo na íntegra aqui, mas fiz uma seleção dos trechos que considero mais relevantes no contexto da nova paternidade e apresento-os abaixo.

Mas já dou uma dica: se você é mulher, é legal que leia. Mas não deixe de indicar a um homem. Mande o link ou imprima e entregue. Pode ser seu companheiro, seu irmão, seu amigo, seu vizinho, seu pai. É importante que eles saibam que são importantíssimos, tão importantes quanto nós no estabelecimento de uma criação afetuosa e integral. Pais ativos contribuem para a formação de novos pais ativos.

Segue, então, os trechos que selecionei por considerá-los fundamentais:

  • A  amamentação  sofre  fortes  influências socioculturais. Na tentativa de incentivar a amamentação, muitas campanhas trazem como slogan “amamentar é um ato de amor” e, na lógica descrita anteriormente, prover alimento  aos filhos é possível apenas para as mulheres. Neste contexto,  a mãe fica sendo a única responsável pelo sucesso do aleitamento materno e o não aleitamento ou o desmame precoce. Esse tipo de abordagem pode ser prejudicial, uma vez que impõe exclusivamente à mãe um fardo que deveria ser dividido com seu companheiro, familiares e profissionais de saúde.Mulheres  entrevistadas no período puerperal revelaram a necessidade de  outra  pessoa  para  ajudar,  esclarecer  e  acompanhar;  os familiares e pessoas significativas devem agir como fontes de ajuda, e os profissionais de saúde, principalmente os de enfermagem e pediatras, como fontes de informação.
  • Quanto  à  ajuda  familiar, destacam-se como entes mais próximos: a mãe da puérpera e o pai do recém-nascido.  
  • O apoio paterno é um importante aliado do aleitamento.  O homem, enquanto pai e companheiro, deve participar da saúde integral da mulher e da criança. Um estudo (...), ao verificar a opinião do pai, concluiu serem todos os participantes a favor da amamentação, por trazer benefícios tanto para o bebê quanto para a mãe. Quando indagados sobre as mudanças ocorridas na vida conjugal, os pais consideram que o ato de amamentar demanda maior dedicação da mulher, refletindo nos afazeres diários e horários de descanso, porém compreendem a sua importância e se comprometem em apoiar. Contudo, a amamentação ainda é, para alguns pais, uma ação centrada no corpo biológico e, consequentemente, pertence apenas à mulher, apoiando a mulher não como pais auxiliadores, mas como pais provedores do lar.

O pai como suporte para a amamentação

  • Dentre todos os entes familiares e pessoas próximas citadas, a presença do pai é o suporte de maior relevância para a  amamentação na perspectiva materna. A influência paterna  é  destacada  como  um  dos  motivos  para  o  aumento  da  incidência e prevalência, ou seja, o pai influi na decisão da  mulher de amamentar e contribui para a sua continuidade.
  • O conhecimento do pai sobre amamentação é imprescindível. Contudo, muitas vezes este ocorre envolto por dúvidas em aspectos distintos, evidenciando a necessidade de intervenção profissional. 
  • O sucesso do aleitamento, contudo, não depende somente da sua presença, mas também da sua atitude. Existe o pai  do tipo atuante, que tem taxa de aleitamento maior que o pai do tipo indiferente. A atuação do pai ainda é permeada  por  incertezas e dificuldades, ao ponto de crianças do ensino fundamental e até mesmo algumas mães relatarem que a inclusão do pai na alimentação infantil se dá através da mamadeira.
  • A prática de amamentar deve ser centralizada na conjugalidade de todos os membros da família, o que direciona para a formulação de políticas públicas de saúde que visem inserir a família, principalmente  o pai, no pré-natal e na atenção à saúde materno infantil como forma de articular e traçar objetivos em comum nas ações dos profissionais.

Percepções paternas sobre a amamentação

  • (...) a melhoria dos indicadores de saúde materno infantil está intimamente ligada à mudança de atitude dos homens
  • o pai apresenta grande potencial de tornar-se um suporte para o aleitamento materno
  • A mãe, geralmente, não é lembrada como beneficiária e, sim, como protagonista. Os pais referem-se a elas apenas como provedoras da alimentação do bebê e não mencionam a rápida involução  uterina,  a  redução  do  risco  de  câncer  de  mama, entre outros benefícios do aleitamento materno para a saúde da mãe, os quais parecem ser desconhecidos ou ignorados.
  • O  fato do ato fisiológico de prover alimento ao filho ser exclusivo da mulher gera nos seus companheiros sentimentos de isolamento e competitividade. Devido a isso, o pai direciona sua busca por informações para temas como a interação pai-ilho, sendo o aleitamento um dos menos procurados.
  • A amamentação ainda está centrada no corpo biológico. Infelizmente, discriminar atributos femininos e masculinos é uma  expectativa também parte da cultura da mulher. Não obstante, é possível encontrar companheiros interessados que referem exclusão não apenas na amamentação como também em todo o processo do cuidar. A aceitação materna do apoio paterno é ponto crucial para que este aconteça.
  • Pais de crianças entre um e 12 meses relataram não terem sido solicitados pelos profissionais no pré-natal, apesar de estarem presentes no serviço de saúde. Ainda que tenham a intenção de apoiar, encontram dificuldades,  como  horários  das  consultas  e  grupos  de  gestantes incompatíveis com os de seu trabalho.
  • A vivência do pai acerca do aleitamento materno é permeada por sentimentos paradoxais. Sentem-se felizes e querem apoiar, simultaneamente sentem-se frustrados e excluídos. Acreditam que a amamentação representa o vínculo afetivo, contudo minimiza sua participação nos cuidados com o bebê. Além  disso,  enfatizam  que  pode  interferir  na  sexualidade do casal. Esta ambivalência se relaciona com o medo do desconhecido: a transformação do núcleo familiar.
  • (...) o pai representa uma influência ímpar na decisão da mulher de amamentar. Entretanto, sua participação na amamentação, até o momento, é permeada por dúvidas, preconceitos e até imposição.  Julgam serem capazes de apoiar apenas por meio de verbalizações positivas e não com ações e mostram-se preconceituosos em relação à exposição pública durante a amamentação. No pós-parto, o desconforto e a insegurança presentes na maioria dos relacionamentos conjugais são mais intensos nos primeiros três meses e podem ser amenizados se discutidos no pré-natal.

Considerações finais

  • Evidenciou-se que a mulher no ciclo gravídico puerperal necessita de apoio social, profissional e familiar, sendo o pai  o  principal suporte.
  • O homem tem atuado cada vez mais em seu papel de pai, acompanha sua companheira aos serviços de saúde e busca apoiá-la da melhor forma. Em contrapartida, os profissionais de saúde não têm se capacitado para recebê-los na mesma proporção. Durante a graduação, os  temas  abordados relativos  ao  aleitamento  ainda  são, primordialmente, sobre técnica,  manejo da amamentação e composição do leite materno, marginalizando os aspectos psicológicos e a inclusão paterna. Apesar  de  todas  as  mudanças  em  busca  da  inclusão  do homem, este ainda encontra dificuldades para compreender as transformações que ocorrem com as mulheres no decorrer de suas vidas, verdade esta observada e confirmada no cotidiano da assistência. O complexo processo de fusão da atenção à saúde aos diferentes membros de uma família ainda é um desafio a ser vencido.

PS: Mulheres que têm companheiros ativos na maternidade/paternidade. Chega disso de que "meu marido é legal porque ele me ajuda". Ajuda subentende favor. Não é favor nenhum cuidar de filho, é o que se espera de gente bacana. O discurso é poderoso, mudando o discurso contribuímos para mudar a realidade. 

Ligia Moreriras Sena

terça-feira, 22 de julho de 2014

13 dicas para você se preparar para a amamentação

Original em Guia do Bebê, por Alessandra Feitosa

A amamentação é um tema que deixa as futuras mamães cheias de dúvidas. Veja como superar tudo isso.

Apesar de ser muito natural, a amamentação pode trazer algumas dúvidas, afinal, trata-se de um aprendizado, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Mas, então, como podemos nos preparar para a amamentação?
Não, você não precisa passar aquela bucha vegetal nas aréolas e mamilos, como talvez você já tenha ouvido por aí. Hoje já se sabe que isso acaba com a camada de gordura natural que se forma nas mamas e serve para protegê-las, tornando-as ainda mais sensíveis.A resposta não está nas mamas e sim na cabeça. A melhor forma de estarmos prontas para o aleitamento materno é ter informação de qualidade. Se tivermos a certeza de que podemos amamentar, que nosso leite é o melhor alimento para nossos filhos e que dificuldades podem aparecer mas, com a ajuda correta, elas logo desaparecem, estaremos prontas. 
Mãe amamentando seu bebê - Foto: Dubova / SutterStock
Se você está grávida e quer se preparar para esse momento especial, confira essas dicas:
1. Conheça a importância da primeira mamada
Converse com a equipe que irá atendê-la no parto e diga que você quer amamentar seu bebê na primeira hora de vida. Esse primeiro contato promove a proteção imunológica que o bebê precisa ao nascer, além de ajudar no sucesso da amamentação. Ainda que ele não queira mamar e apenas cheire ou lamba seus mamilos, esse ato ajuda na criação do vínculo entre mãe e filho. 
No contato pele a pele o bebê sente o cheiro e o calor da mãe, regulando sua temperatura, além de estabilizar sua respiração. Um dado interessante: o colo da mãe sobe até dois graus sua temperatura quando o recém-nascido e colocado sobre eles logo após o parto.
Peça para ficar em alojamento conjunto com seu bebê na maternidade. Essa prática faz com que mãe e bebê fiquem juntos o maior tempo possível, possibilitando o contato pele a pele e permitindo que a equipe do hospital possa auxiliá-la tanto na amamentação como nos primeiros cuidados com o bebê. Assim, você pode amamentá-lo sempre que ele requisitar e evita que seja dado leite artificial a ele.
2. Mantenha distância de bicos artificiais
Bicos de silicone, muitas vezes indicados já dentro das maternidades, só atrapalham a amamentação. Eles não permitem que a ordenha seja feita corretamente, diminuindo a quantidade de leite e ferindo os mamilos. Independente do tipo de mamilo que você tenha, não há necessidade de usar um intermediário, porque bebê não mama o bico e sim a aréola, onde estão concentrados os seios lactíferos, conhecidos como “bolsões de leite”.
Chupetas e mamadeiras também são grandes vilões, pois costumam causar confusão de bico, fazendo com que o bebê deixe de querer mamar diretamente no peito. Se, por qualquer motivo, for necessário ordenhar e dar o leite materno de outra forma escolha o método do copinho ou a colher.
3. Tire o foco da balança
Nos primeiros dias o bebê irá mamar apenas o colostro. Os seios ainda estarão macios e o bebê aprenderá a fazer a pega correta. Após 3 ou 5 dias, acontece a descida do leite e os seios ficarão mais cheios.
Todo bebê perde peso no início. A natureza é sábia e, por isso, nós já nascemos com uma reserva de energia. Essa perda de peso é, em média, de 10%, e ele pode ser recuperado até um mês após o nascimento.
Cada pessoa é diferente da outra e os bebês também têm suas particularidades. Por isso, se algum profissional disser que você precisa complementar a amamentação com leite artificial, busque a opinião de um especialista em amamentação que possa ajudá-la a corrigir possíveis problemas de pega e melhorar as mamadas.
E lembre-se: os gráficos de crescimento são feitos baseados em médias e isso significa que é normal, sim, ter crianças acima ou abaixo da média.
4. Aprenda a aumentar a produção
Apenas o ganho de peso não é fator decisivo para dizer que o bebê não está mamando o suficiente. Se ele estiver molhando entre 4 a 6 fraldas de xixi diariamente e estiver “espertinho”, ele estará bem hidratado.
No caso de precisar aumentar a produção de leite beba bastante líquidos, descanse e aumente o número de mamadas. Outro fator fundamental é amamentar ou ordenhar as mamas de madrugada. Temos um pico de prolactina durante a noite e é importante estimular a produção neste período.
Nosso psicológico também influencia muito na produção de leite. Então, se perceber que está vivendo momentos de estresse, peça a ajuda de familiares para que essa situação seja solucionada e você possa voltar a relaxar e a se ocupar com o que você tem de mais importante naquele momento: seu bebê.
5. Conheça as recomendações do Ministério da Saúde
Os bebês devem mamar exclusivamente o leite materno até os 6 meses. Isso significa que até essa idade eles não precisam de mais nada, nem água ou chá. Após esse período inicia-se a introdução de alimentos e a amamentação deve seguir, no mínimo, até 2 anos.
6. Escolha a livre demanda
Hoje já se saber que ter horários rígidos para amamentar não é a melhor opção. Ofereça o peito ao seu filho sempre que ele quiser, pelo tempo que ele desejar. Assim a produção será estimulada e o bebê estará alimentado de forma adequada. Bebês têm a necessidade de sucção, por isso, ele provavelmente irá querer passar mais tempo mamando. Além disso, peito é o acalanto, a segurança e o carinho que ele precisa para entender esse mundo novo.
7. Não tenha leite artificial em casa
Algumas pessoas podem nos dar de presente, na melhor das intenções, uma lata de leite artificial. Agradeça e devolva - ou a dê para alguém que você saiba que já faz uso deste produto. Ter leite em pó próximo da gente pode se tornar uma grande tentação em momentos de dúvida sobre a quantidade de leite materno produzido. Prefira procurar ajuda profissional antes de apelar para este recurso.
8. Ignore conselhos errados
Sim, eles irão aparecer e você pode ignorá-los. Sempre haverá uma mãe, sogra ou amiga que vai te dizer que seu leite não está sendo suficiente e seu bebê está com fome, que chás podem ser dados para aliviar a cólica do bebê e que você está deixando seu filho mimado por permitir que ele fique tanto tempo no seu colo. Também vai ouvir dizer de alguém que se der leite artificial seu filho irá dormir a noite toda porque ele tem é fome. Mas a verdade é que bebês que tomam leite em pó demoram mais tempo para digeri-lo, afinal, ele não foi feito para o nosso organismo. Aliás, não há leite mais adequado para nossos filhos que o leite materno. Seu aparelho digestório ainda não está preparado para receber qualquer outro alimento. Agradeça a dica e a desconsidere.
9. Tenha o contato de grupos de apoio
O pós-parto e o início da amamentação podem ser um momento de muita insegurança e dúvidas. Existem grupos de apoio que nos ajudam a passar por esse momento com mais tranquilidade. Aliás, bater um papo com outras mães e trocar experiências é sempre muito gostoso. Confira alguns deles:

Florianópolis:


Amiga Materna - Caroline Scheuer
http://amigamaterna.com.br/
amigamaterna@gmail.com
48 9669 7179 
48 9141 7179

Mulheres Alfa - Maira Paladino
https://www.facebook.com/GrupoMulheresAlfa
http://www.grupomulheresalfa.blogspot.com/
grupomulheresalfa@gmail.com
(48) 9173 9989
(48) 9691 1701

Apoio Materno - Juliana Sell
http://apoiomaterno.blogspot.com.br/
apoiomaterno@gmail.com
48 9183 0250

Banco de leite - Carmela Dutra
Necessitando de doadoras e de vidros para armazenamento (só podem ser aproveitados os vidros de maionese ou café solúvel que tenham tampa de plástico). 
Para os casos da impossibilidade de deslocamento, a enfermeira chefe, Jaqueline Locks, informa que o leite e os vidros podem ser coletados em casa. 
Basta ligar para o telefone (48) 3251 7552
Fonte: Portal da Saúde


Outros estados:


Amigas do Peito
Rio de Janeiro
http://www.amigasdopeito.org.br/
e-mail: amigasdopeito@amigasdopeito.org.br 
tel: 21-2285 7779

Matrice
São Paulo
http://matrice.wordpress.com/
e-mail: grupomatrice@gmail.com
tel: 11-996223737
La Leche League Brasil
Rio de Janeiro
http://www.facebook.com/pages/La-Leche-League-Rio/228588697232880?group_id=0
tel: 21-2239-0304 e 21- 8116-4141 (falar com Francesca)
Maceió - Alagoas
tel: 82-3325-5710 (falar com Damaris)
e-mail: pmarroquim@ig.com.br
Grupo Virtual de Amamentação
http://www.facebook.com/groups/266812223435061/
10. Saiba onde procurar ajuda
É possível surgirem dúvidas sobre a correta pega do bebê, sobre produção de leite suficiente, fissuras nos mamilos, tipos variados de mamilos (plano, invertido). Mas nada disso é motivo para você deixar de amamentar. Antes de desistir, procure ajuda especializada. Bancos de leite por todo o Brasil têm profissionais capazes de auxiliá-la com dificuldades na amamentação. Você também pode contratar uma consultora em aleitamento materno ou uma doula pós-parto para fazer o atendimento na sua casa. 
11. Eles aprendem rápido
Com o passar do tempo, seu bebê ficará mais eficiente para mamar e aquela mamada que costumava demorar, pelo menos, 20 minutos, será feita em apenas 3 minutos, por exemplo. Não se preocupe, seu bebê terá mamado o suficiente apenas neste tempo. Trata-se da crise dos três meses. Aliás, o mundo estará mais interessante para ele, portanto, ele deixará de querer ficar apenas no peito para começar a observar tudo o que acontece ao seu redor.
Também não se preocupe se seus seios não ficarem mais tão cheios, trata-se apenas do nosso corpo adaptando-se à quantidade que o bebê precisa. Em tempo, a maior parte do leite é produzida durante a mamada.
12. Prepare-se para o fim da licença-maternidade
Você não precisa introduzir leite artificial ou alimentos antes do tempo só porque tem que voltar ao trabalho. Comece algumas semanas antes do seu retorno a fazer estoque de leite materno congelado. O leite materno tem duração de 15 dias no freezer.
Você pode fazer a ordenha manualmente ou com o auxílio de uma bomba. Já existem alguns lugares que oferecem o aluguel delas.
13. Amamentar é prazer
Passados os problemas dos primeiros dias, o aleitamento materno torna-se um grande prazer, tanto para a mãe quanto para o bebê. Amamentar é dar o melhor alimento que ele poderia ter e dar, também, carinho, segurança e conforto. Infelizmente ainda vemos muitos profissionais da saúde desencorajarem o aleitamento materno prolongado (após os 2 anos). Mas saiba que não existe hora certa para o desmame. Esse momento deve ser decido entre mãe e bebê.
Alessandra Rebecchi FeitosaAlessandra Rebecchi Feitosa
Doula Parto e Pós Parto - Consultora em Aleitamento Materno

_________________________________________

Agenda de atividades:

A Hora do Mamaço - Floripa

Sábado, dia 02 de agosto às 15 horas
Parque de Coqueiros
Evento no facebook