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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A armadilha da mulher maravilha

Original na fanpage de O Renascimento do Parto - o Filme
Por Dr. Daniel Becker (médico pediatra)

(Foto por John Hende em Uganda)

- Nasce um bebê no Xingu. Todas as mulheres da oca se mobilizam. A mãe está cercada de cuidados e apoio.

- Nasce um bebê no sertão das Minas Gerais. A avó, a bisavó, as tias, a prima cercam a mãe de cuidados.

- Nasce um bebê numa aldeia africana. Numa tribo em Maui. Numa cidadezinha no interior da Tailândia ou da Polônia ou da Inglaterra – a cena se repete. Na favela da Zona Norte as vizinhas e a tia que mora na laje de cima se encarregam de ajudar. E nas mansões dos jardins? Não são mais a avó e as vizinhas, mas as duas babás, a enfermeira, a faxineira, o motorista e o segurança.

Nasce um bebê em Copacabana, no apartamento 1104. A avó está trabalhando em tempo integral. O pai só tem cinco dias de licença. A vizinha do 1103 não só não ajuda, como sequer conhece, e ainda reclama do choro noturno. E a empregada diz que só ganha pra cuidar da casa. Ajudar à noite, nem pensar.

E aí temos esse fascinante fenômeno social: a única mulher do planeta que é deixada pra cuidar de um bebê sem nenhuma ajuda é a da classe media, urbana, ocidental. Pior: ela achava que ia conseguir…

Mas essa onipotência (culturalmente induzida, claro – e muitas vezes socialmente exigida…) só dura até o 5o dia, quando muito. Na segunda semana a mulher percebe que um bebê demanda demais. Precisa de atenção 24 horas, permanente. Que os intervalos do sono não são suficientes para que ela viva: descanse, almoce, tome um banho, respire, olhe pela janela, durma meia hora, atenda ao telefone, responda um email. E os cuidados muitas vezes exigem duas pessoas. Sem ajuda, é virtualmente impossível. A amamentação facilita e muito o cuidado, já que não é preciso tratar de mamadeiras, latas, esterilizadores e bicos. Mas é preciso tempo e descanso para produzir leite. É o clássico bordão, muitas vezes ignorado: um bebê só ficará bem se sua mãe estiver bem. Em alguns momentos, é crucial que a mãe volte a ser mulher – um indivíduo separado de sua filha, que precisa descansar, se cuidar, relaxar, pensar em outras coisas. Ela precisa desses momentos como o bebê precisa do seu leite.

Por isso, é preciso que tenhamos menos onipotência, e que reconheçamos que vamos sim precisar de ajuda. Para isso, é necessário planejamento: quem vai ajudar, como, quando. O pai vai segurar a onda nas noites? Até quando? A avó pode mesmo ajudar? E os conflitos que tantas vezes surgem nesse momento? Uma coisa é apoiar, acolher; outra, se intrometer ou criticar – fronteira sutil e muitas vezes rompida de forma inconsciente e perversa. A empregada vai cuidar da casa? Vai ter comida pronta? O patrão vai respeitar e não ligar para falar de trabalho?

Nos dias de hoje, a situação se complica ainda mais. Em nossos tempos hiper-conectados, de distrações múltiplas e permanentes e com enorme apelo, é dificílimo estarmos concentrados em uma tarefa. Muitas vezes a futura mãe se ilude e acha que vai amamentar, trocar fraldas, ver a novela, passar email de trabalho, estudar para o concurso e postar no Facebook, ao mesmo tempo, já nos primeiros dias de vida do recém nascido.

E como se a situação em si já não fosse complicada o suficiente, aparecem outros obstáculos: o marido quer ensinar a colocar o bebê no seio (com a melhor das intenções), dizendo que ela está fazendo errado; a mãe (avó do bebê) diz “mas o que custa dar uma mamadeirinha, ele chora tanto”; as amigas dizendo que pra elas foi muito simples, que fizeram assim ou assado e que você está fazendo tudo errado; a prima exibicionista cujo bebê dorme bem, mama bem e “não dá nenhum trabalho”…. e a sociedade toda dizendo que se você não consegue amamentar seu bebê e cuidar dele integralmente, é porque não tem competência.

Reproduzo aqui um depoimento da Chris Nicklas em seu site:

“Amamentar é…” que descreve essa situação de forma muito concreta e emocionante:

“Tantas pessoas entraram na minha casa com a intenção de ajudar! Nossa, nem sei dizer… Quantas realmente me ajudaram? Conto nos dedos!

Qual será o problema? Por que é tão difícil se abrir para enxergar o que o outro precisa?

Me recordo de uma situação em específico. Eu com o mamilo esquerdo inflamado sofrendo por ainda sentir dores no aleitamento materno, apesar dos meus filhos já estarem com três meses. As pessoas passando por mim dizendo barbaridades do tipo:

- É assim mesmo, vai calejar…

- Dê a mamadeira! Olha o que você está fazendo com você mesma, pra quê?

- Dê o peito assim mesmo! Não pode estar doendo tanto assim!
As horas passando e o meu desespero aumentando. Minha consulta médica já estava marcada. Mal eu sabia que estava com sapinho e por isso voltava a ser dolorido amamentar. Meu estado emocional não me permitia enxergar um palmo na frente do nariz!
Muito bem, numa certa altura chega minha sogra em casa. Me olha e fica devastada com o meu estado. Minha cara era de puro desconsolo. De repente ela me lança a seguinte pergunta:

- Minha filha, o que você precisa? Me diga o que fazer para te ajudar…

Meus olhos se encheram de lágrimas. Uma pergunta tão simples e tão rara de se ouvir.

Ficamos ali nos olhando, enquanto meu coração transbordava de tantos sentimentos e emoções.”

O que a mulher precisa no momento da amamentação é apoio de verdade. Apoio aberto, honesto e atento. Ela não precisa de crítica, ensinamentos verticais, lições de moral ou prescrições autoritárias. Muito menos de conselhos sobre mamadeiras. Ela precisa de espaço psíquico, tempo e um mínimo de estrutura para se dedicar ao bebê. E de apoio técnico, prático, de que falaremos mais adiante.

Aliás, esse é um importante papel que o pai pode exercer nesse momento da vida familiar, o nascimento de um filho. Tão ou mais importante quanto trocar fraldas, ninar e dar banho, é garantir que o binômio mãe-bebê vai ter paz e tranquilidade para se conhecer, se conectar, evoluir em direção a um bom desenvolvimento e a uma amamentação bacana. Para isso, cuidar da casa, e garantir que esteja em ordem; comida na geladeira e contas em dia; atender o telefone e dar conta dos palpiteiros; receber as visitas e oferecer as desculpas pois a mamãe agora está descansando… e estar atento às necessidades da sua mulher.

Gosto de comparar a família neste momento do ciclo vital com o átomo: no núcleo central, mãe e bebê recém nascido – próton e nêutron – numa relação de simbiose e magnetismo. Em torno deles, o elétron, não diretamente envolvido na troca nutritiva mas fundamental no equilíbrio de energias, nas trocas afetivas, no cuidado com a família."

Por Dr. Daniel Becker (médico pediatra)

Para saber mais do trabalho do Dr Daniel Becker:

https://www.facebook.com/pediatriaintegral?fref=ts

terça-feira, 29 de julho de 2014

O pai, a revolução masculina e a amamentação - em busca da paternidade ativa

Original em Cientista que virou mãe, por Ligia Moreiras Sena

Ontem li e compartilhei um texto publicado em setembro do ano passado na Revista TPM com o título de "O Novo Pai". Belo texto de autoria da roteirista e escritora Antonia Pellegrino que fala sobre o novo papel que alguns homens decidiram assumir como pai; uma forma de ser pai que é fruto da revolução feminina, mas também de uma maior consciência sobre criação de seres humanos; um pai que assume sua paternidade tanto quanto a mãe assume sua maternidade. Aquele pai que não vê os cuidados com os filhos como "ajuda", porque quem ajuda está sempre fazendo um "favor"; ele vê a criação dos filhos como função tão sua quanto da mãe. A autora traça um paralelo entre o que ela chama de "pai tradicional" - caracterizado como sendo aquele cara que divide os custos do filho com a mãe mas não a responsabilidade sobre ele, e que leva sua vida normalmente durante a gravidez, saindo, bebendo, voltando tarde, reclamando que a mulher mudou, e que, após o nascimento, chega à noite, faz um carinho e dorme, achando que dar banho é o máximo que pode fazer, vangloriando-se por isso.

Esse é um assunto da máxima importância, porque de nada adianta um mundo de mulheres espalhadas por aí buscando serem as melhores mães que podem ser, enquanto em casa vive um ser que não está assim tão preocupado com a forma com que cria os filhos - ou enquanto o pai de seus filhos vive por aí a esmo, sem se tocar do prejuízo que sua negligência pode causar ao filho e ao mundo. De nada adianta uma maternidade consciente e ativa enquanto a paternidade estiver sendo negligenciada, fato.  Ou a gente cria essas crianças integralmente, ou o trabalho continuará pela metade.

Também de nada adianta um homem engajado e preparado para auxiliar se os serviços de saúde não souberem acolhê-lo, prepará-lo, discutir com ele todos os aspectos referentes à saúde da família. Muitos homens paternalmente ativos têm se sentido marginalizados durante a gestação da esposa, durante o parto ou após. Pouca - ou nenhuma - atenção é dada pelos próprios profissionais da saúde ao papel do pai em todas as fases da criação dos filhos, desde antes do nascimento, o que aponta também para a reformulação do atendimento e para a criação de políticas públicas que incentivem e garantam a participação masculina.

Em meu caso individual, tenho a alegria de dividir com meu companheiro os cuidados com minha filha. Essa é a terceira experiência de paternidade dele e a primeira, de fato, integral, por diferentes motivos, inclusive (mas não só) por maturidade dele e semelhança entre nossos pontos de vista.

Isso é fruto da disposição dele de atuar, de estar junto, de estar presente, mas também foi e é fruto de nossas escolhas e lutas e da minha aceitação. Procuramos apoio na gestação, no parto e no pós-parto. Mudamos a vida de forma que a participação dele fosse valorizada. Ele transferiu para a casa a totalidade de suas atividades - perdendo, nessa, um bom número de interações que lhe trariam mais trabalho e mais dinheiro. Eu soube acolher essa incursão na criação da nossa filha. Pode parecer mentira, mas muitas mulheres não aceitam a presença igualitária do pai na criação dos filhos, o que é, por si só, um sério impedimento à paternidade ativa...

Ou seja, há que se estimular os homens a serem pais verdadeiros, presentes, participativos? Sem dúvida. Mas há também que saber acolher esses novos homens, porque eles precisam de acolhimento. E há também que partir do próprio coletivo masculino a vontade de ser reconhecido como importante na questão da criação dos filhos, e não como acessório ou apenas garantia financeira.


Nós, mulheres, estamos em plena revolução feminista (as pessoas acham que ela aconteceu há 40, 50 anos, mas eu não acho; acho que a estamos vivendo todos os dias, do contrário não teríamos que lutar por coisas absolutamente básicas à condição feminina, e ainda lutamos...).


Sabe o que falta? A Revolução Masculina. Não a revolução do macho. A revolução do novo homem. Esse, com quem andamos encontrando pela vida com cada vez mais frequência e que é bacanudo.


Sinto uma satisfação imensa por ver minha filha valorizar tanto a mãe quanto o pai e de não fazer distinção de qualquer tipo. Não há, nesta casa, nenhum tipo de atividade que seja feita somente pela mãe ou somente pelo pai, fazemos tudo o que a Clara precisa juntos. E ela sabe disso. Na página do blog no Facebook, muitas mulheres compartilharam, abaixo do link com o texto que mencionei acima, suas experiências bacanas com os pais de seus filhos, homens que estão mudando a cara da paternidade, homens "que estão grávidos", que "amamentam", que cozinham para os filhos, que leem livros sobre maternidade/paternidade, que estão desenvolvendo a intuição sobre o que o filho precisa, que estão se dedicando a lerem os sinais que as crianças mandam, coisas que há não muito tempo eram vistas somente entre mulheres. Ainda temos muito a caminhar, mas já caminhamos um bocado em direção a uma maternidade/paternidade integral.

Tenho a mais plena convicção de que a participação ativa do pai ajuda a garantir uma boa gestação, facilita o trabalho de parto, torna o parto e nascimento um momento mais significativo, facilita a passagem da mulher pelo puerpério - esse portal de mudanças ainda tão desconhecido -, ajuda a garantir o sucesso da amamentação, facilita a volta da mulher ao trabalho, torna esses processos mais fáceis e menos dolorosos. O homem está se construindo como novo ser humano à medida que se constrói como novo pai, e esse processo traz inúmeros benefícios não só à mulher, mas a toda a família.

É o caso da amamentação.
Grande parte das mulheres que tiveram experiências bonitas de amamentação afirmam terem tido apoio do pai de seus filhos. Posso falar por mim: a presença e apoio do pai da minha filha foi algo insubstituível. Nós não pudemos contar com a ajuda de ninguém quando a Clara nasceu, éramos - como somos até hoje - apenas nós três. E ele esteve ao meu lado ativamente em todos, absolutamente todos, os momentos difíceis de início de maternidade. Mas os efeitos dessa presença sobre a amamentação foi algo que realmente me marcou.


Então, inspirada por essas belas experiências de paternidade, compartilho aqui um artigo de revisão publicado recentemente (2012) em uma revista de pediatria e que tem como título "Apoio paterno ao aleitamento materno: uma revisão integrativa". A pesquisa foi conduzida por um grupo de pesquisadores formado por uma mulher e dois homens, coisa que achei muito bacana. Um artigo de revisão é uma publicação fruto de um trabalho de pesquisa teórica sobre tudo o que já foi publicado a respeito de um determinado assunto. Eu, particularmente, adoro revisões porque nos dão um apanhado geral e nos localizam no problema, além de reunir em um só diferentes trabalhos. Você pode acessar o artigo na íntegra aqui, mas fiz uma seleção dos trechos que considero mais relevantes no contexto da nova paternidade e apresento-os abaixo.

Mas já dou uma dica: se você é mulher, é legal que leia. Mas não deixe de indicar a um homem. Mande o link ou imprima e entregue. Pode ser seu companheiro, seu irmão, seu amigo, seu vizinho, seu pai. É importante que eles saibam que são importantíssimos, tão importantes quanto nós no estabelecimento de uma criação afetuosa e integral. Pais ativos contribuem para a formação de novos pais ativos.

Segue, então, os trechos que selecionei por considerá-los fundamentais:

  • A  amamentação  sofre  fortes  influências socioculturais. Na tentativa de incentivar a amamentação, muitas campanhas trazem como slogan “amamentar é um ato de amor” e, na lógica descrita anteriormente, prover alimento  aos filhos é possível apenas para as mulheres. Neste contexto,  a mãe fica sendo a única responsável pelo sucesso do aleitamento materno e o não aleitamento ou o desmame precoce. Esse tipo de abordagem pode ser prejudicial, uma vez que impõe exclusivamente à mãe um fardo que deveria ser dividido com seu companheiro, familiares e profissionais de saúde.Mulheres  entrevistadas no período puerperal revelaram a necessidade de  outra  pessoa  para  ajudar,  esclarecer  e  acompanhar;  os familiares e pessoas significativas devem agir como fontes de ajuda, e os profissionais de saúde, principalmente os de enfermagem e pediatras, como fontes de informação.
  • Quanto  à  ajuda  familiar, destacam-se como entes mais próximos: a mãe da puérpera e o pai do recém-nascido.  
  • O apoio paterno é um importante aliado do aleitamento.  O homem, enquanto pai e companheiro, deve participar da saúde integral da mulher e da criança. Um estudo (...), ao verificar a opinião do pai, concluiu serem todos os participantes a favor da amamentação, por trazer benefícios tanto para o bebê quanto para a mãe. Quando indagados sobre as mudanças ocorridas na vida conjugal, os pais consideram que o ato de amamentar demanda maior dedicação da mulher, refletindo nos afazeres diários e horários de descanso, porém compreendem a sua importância e se comprometem em apoiar. Contudo, a amamentação ainda é, para alguns pais, uma ação centrada no corpo biológico e, consequentemente, pertence apenas à mulher, apoiando a mulher não como pais auxiliadores, mas como pais provedores do lar.

O pai como suporte para a amamentação

  • Dentre todos os entes familiares e pessoas próximas citadas, a presença do pai é o suporte de maior relevância para a  amamentação na perspectiva materna. A influência paterna  é  destacada  como  um  dos  motivos  para  o  aumento  da  incidência e prevalência, ou seja, o pai influi na decisão da  mulher de amamentar e contribui para a sua continuidade.
  • O conhecimento do pai sobre amamentação é imprescindível. Contudo, muitas vezes este ocorre envolto por dúvidas em aspectos distintos, evidenciando a necessidade de intervenção profissional. 
  • O sucesso do aleitamento, contudo, não depende somente da sua presença, mas também da sua atitude. Existe o pai  do tipo atuante, que tem taxa de aleitamento maior que o pai do tipo indiferente. A atuação do pai ainda é permeada  por  incertezas e dificuldades, ao ponto de crianças do ensino fundamental e até mesmo algumas mães relatarem que a inclusão do pai na alimentação infantil se dá através da mamadeira.
  • A prática de amamentar deve ser centralizada na conjugalidade de todos os membros da família, o que direciona para a formulação de políticas públicas de saúde que visem inserir a família, principalmente  o pai, no pré-natal e na atenção à saúde materno infantil como forma de articular e traçar objetivos em comum nas ações dos profissionais.

Percepções paternas sobre a amamentação

  • (...) a melhoria dos indicadores de saúde materno infantil está intimamente ligada à mudança de atitude dos homens
  • o pai apresenta grande potencial de tornar-se um suporte para o aleitamento materno
  • A mãe, geralmente, não é lembrada como beneficiária e, sim, como protagonista. Os pais referem-se a elas apenas como provedoras da alimentação do bebê e não mencionam a rápida involução  uterina,  a  redução  do  risco  de  câncer  de  mama, entre outros benefícios do aleitamento materno para a saúde da mãe, os quais parecem ser desconhecidos ou ignorados.
  • O  fato do ato fisiológico de prover alimento ao filho ser exclusivo da mulher gera nos seus companheiros sentimentos de isolamento e competitividade. Devido a isso, o pai direciona sua busca por informações para temas como a interação pai-ilho, sendo o aleitamento um dos menos procurados.
  • A amamentação ainda está centrada no corpo biológico. Infelizmente, discriminar atributos femininos e masculinos é uma  expectativa também parte da cultura da mulher. Não obstante, é possível encontrar companheiros interessados que referem exclusão não apenas na amamentação como também em todo o processo do cuidar. A aceitação materna do apoio paterno é ponto crucial para que este aconteça.
  • Pais de crianças entre um e 12 meses relataram não terem sido solicitados pelos profissionais no pré-natal, apesar de estarem presentes no serviço de saúde. Ainda que tenham a intenção de apoiar, encontram dificuldades,  como  horários  das  consultas  e  grupos  de  gestantes incompatíveis com os de seu trabalho.
  • A vivência do pai acerca do aleitamento materno é permeada por sentimentos paradoxais. Sentem-se felizes e querem apoiar, simultaneamente sentem-se frustrados e excluídos. Acreditam que a amamentação representa o vínculo afetivo, contudo minimiza sua participação nos cuidados com o bebê. Além  disso,  enfatizam  que  pode  interferir  na  sexualidade do casal. Esta ambivalência se relaciona com o medo do desconhecido: a transformação do núcleo familiar.
  • (...) o pai representa uma influência ímpar na decisão da mulher de amamentar. Entretanto, sua participação na amamentação, até o momento, é permeada por dúvidas, preconceitos e até imposição.  Julgam serem capazes de apoiar apenas por meio de verbalizações positivas e não com ações e mostram-se preconceituosos em relação à exposição pública durante a amamentação. No pós-parto, o desconforto e a insegurança presentes na maioria dos relacionamentos conjugais são mais intensos nos primeiros três meses e podem ser amenizados se discutidos no pré-natal.

Considerações finais

  • Evidenciou-se que a mulher no ciclo gravídico puerperal necessita de apoio social, profissional e familiar, sendo o pai  o  principal suporte.
  • O homem tem atuado cada vez mais em seu papel de pai, acompanha sua companheira aos serviços de saúde e busca apoiá-la da melhor forma. Em contrapartida, os profissionais de saúde não têm se capacitado para recebê-los na mesma proporção. Durante a graduação, os  temas  abordados relativos  ao  aleitamento  ainda  são, primordialmente, sobre técnica,  manejo da amamentação e composição do leite materno, marginalizando os aspectos psicológicos e a inclusão paterna. Apesar  de  todas  as  mudanças  em  busca  da  inclusão  do homem, este ainda encontra dificuldades para compreender as transformações que ocorrem com as mulheres no decorrer de suas vidas, verdade esta observada e confirmada no cotidiano da assistência. O complexo processo de fusão da atenção à saúde aos diferentes membros de uma família ainda é um desafio a ser vencido.

PS: Mulheres que têm companheiros ativos na maternidade/paternidade. Chega disso de que "meu marido é legal porque ele me ajuda". Ajuda subentende favor. Não é favor nenhum cuidar de filho, é o que se espera de gente bacana. O discurso é poderoso, mudando o discurso contribuímos para mudar a realidade. 

Ligia Moreriras Sena

terça-feira, 22 de julho de 2014

13 dicas para você se preparar para a amamentação

Original em Guia do Bebê, por Alessandra Feitosa

A amamentação é um tema que deixa as futuras mamães cheias de dúvidas. Veja como superar tudo isso.

Apesar de ser muito natural, a amamentação pode trazer algumas dúvidas, afinal, trata-se de um aprendizado, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Mas, então, como podemos nos preparar para a amamentação?
Não, você não precisa passar aquela bucha vegetal nas aréolas e mamilos, como talvez você já tenha ouvido por aí. Hoje já se sabe que isso acaba com a camada de gordura natural que se forma nas mamas e serve para protegê-las, tornando-as ainda mais sensíveis.A resposta não está nas mamas e sim na cabeça. A melhor forma de estarmos prontas para o aleitamento materno é ter informação de qualidade. Se tivermos a certeza de que podemos amamentar, que nosso leite é o melhor alimento para nossos filhos e que dificuldades podem aparecer mas, com a ajuda correta, elas logo desaparecem, estaremos prontas. 
Mãe amamentando seu bebê - Foto: Dubova / SutterStock
Se você está grávida e quer se preparar para esse momento especial, confira essas dicas:
1. Conheça a importância da primeira mamada
Converse com a equipe que irá atendê-la no parto e diga que você quer amamentar seu bebê na primeira hora de vida. Esse primeiro contato promove a proteção imunológica que o bebê precisa ao nascer, além de ajudar no sucesso da amamentação. Ainda que ele não queira mamar e apenas cheire ou lamba seus mamilos, esse ato ajuda na criação do vínculo entre mãe e filho. 
No contato pele a pele o bebê sente o cheiro e o calor da mãe, regulando sua temperatura, além de estabilizar sua respiração. Um dado interessante: o colo da mãe sobe até dois graus sua temperatura quando o recém-nascido e colocado sobre eles logo após o parto.
Peça para ficar em alojamento conjunto com seu bebê na maternidade. Essa prática faz com que mãe e bebê fiquem juntos o maior tempo possível, possibilitando o contato pele a pele e permitindo que a equipe do hospital possa auxiliá-la tanto na amamentação como nos primeiros cuidados com o bebê. Assim, você pode amamentá-lo sempre que ele requisitar e evita que seja dado leite artificial a ele.
2. Mantenha distância de bicos artificiais
Bicos de silicone, muitas vezes indicados já dentro das maternidades, só atrapalham a amamentação. Eles não permitem que a ordenha seja feita corretamente, diminuindo a quantidade de leite e ferindo os mamilos. Independente do tipo de mamilo que você tenha, não há necessidade de usar um intermediário, porque bebê não mama o bico e sim a aréola, onde estão concentrados os seios lactíferos, conhecidos como “bolsões de leite”.
Chupetas e mamadeiras também são grandes vilões, pois costumam causar confusão de bico, fazendo com que o bebê deixe de querer mamar diretamente no peito. Se, por qualquer motivo, for necessário ordenhar e dar o leite materno de outra forma escolha o método do copinho ou a colher.
3. Tire o foco da balança
Nos primeiros dias o bebê irá mamar apenas o colostro. Os seios ainda estarão macios e o bebê aprenderá a fazer a pega correta. Após 3 ou 5 dias, acontece a descida do leite e os seios ficarão mais cheios.
Todo bebê perde peso no início. A natureza é sábia e, por isso, nós já nascemos com uma reserva de energia. Essa perda de peso é, em média, de 10%, e ele pode ser recuperado até um mês após o nascimento.
Cada pessoa é diferente da outra e os bebês também têm suas particularidades. Por isso, se algum profissional disser que você precisa complementar a amamentação com leite artificial, busque a opinião de um especialista em amamentação que possa ajudá-la a corrigir possíveis problemas de pega e melhorar as mamadas.
E lembre-se: os gráficos de crescimento são feitos baseados em médias e isso significa que é normal, sim, ter crianças acima ou abaixo da média.
4. Aprenda a aumentar a produção
Apenas o ganho de peso não é fator decisivo para dizer que o bebê não está mamando o suficiente. Se ele estiver molhando entre 4 a 6 fraldas de xixi diariamente e estiver “espertinho”, ele estará bem hidratado.
No caso de precisar aumentar a produção de leite beba bastante líquidos, descanse e aumente o número de mamadas. Outro fator fundamental é amamentar ou ordenhar as mamas de madrugada. Temos um pico de prolactina durante a noite e é importante estimular a produção neste período.
Nosso psicológico também influencia muito na produção de leite. Então, se perceber que está vivendo momentos de estresse, peça a ajuda de familiares para que essa situação seja solucionada e você possa voltar a relaxar e a se ocupar com o que você tem de mais importante naquele momento: seu bebê.
5. Conheça as recomendações do Ministério da Saúde
Os bebês devem mamar exclusivamente o leite materno até os 6 meses. Isso significa que até essa idade eles não precisam de mais nada, nem água ou chá. Após esse período inicia-se a introdução de alimentos e a amamentação deve seguir, no mínimo, até 2 anos.
6. Escolha a livre demanda
Hoje já se saber que ter horários rígidos para amamentar não é a melhor opção. Ofereça o peito ao seu filho sempre que ele quiser, pelo tempo que ele desejar. Assim a produção será estimulada e o bebê estará alimentado de forma adequada. Bebês têm a necessidade de sucção, por isso, ele provavelmente irá querer passar mais tempo mamando. Além disso, peito é o acalanto, a segurança e o carinho que ele precisa para entender esse mundo novo.
7. Não tenha leite artificial em casa
Algumas pessoas podem nos dar de presente, na melhor das intenções, uma lata de leite artificial. Agradeça e devolva - ou a dê para alguém que você saiba que já faz uso deste produto. Ter leite em pó próximo da gente pode se tornar uma grande tentação em momentos de dúvida sobre a quantidade de leite materno produzido. Prefira procurar ajuda profissional antes de apelar para este recurso.
8. Ignore conselhos errados
Sim, eles irão aparecer e você pode ignorá-los. Sempre haverá uma mãe, sogra ou amiga que vai te dizer que seu leite não está sendo suficiente e seu bebê está com fome, que chás podem ser dados para aliviar a cólica do bebê e que você está deixando seu filho mimado por permitir que ele fique tanto tempo no seu colo. Também vai ouvir dizer de alguém que se der leite artificial seu filho irá dormir a noite toda porque ele tem é fome. Mas a verdade é que bebês que tomam leite em pó demoram mais tempo para digeri-lo, afinal, ele não foi feito para o nosso organismo. Aliás, não há leite mais adequado para nossos filhos que o leite materno. Seu aparelho digestório ainda não está preparado para receber qualquer outro alimento. Agradeça a dica e a desconsidere.
9. Tenha o contato de grupos de apoio
O pós-parto e o início da amamentação podem ser um momento de muita insegurança e dúvidas. Existem grupos de apoio que nos ajudam a passar por esse momento com mais tranquilidade. Aliás, bater um papo com outras mães e trocar experiências é sempre muito gostoso. Confira alguns deles:

Florianópolis:


Amiga Materna - Caroline Scheuer
http://amigamaterna.com.br/
amigamaterna@gmail.com
48 9669 7179 
48 9141 7179

Mulheres Alfa - Maira Paladino
https://www.facebook.com/GrupoMulheresAlfa
http://www.grupomulheresalfa.blogspot.com/
grupomulheresalfa@gmail.com
(48) 9173 9989
(48) 9691 1701

Apoio Materno - Juliana Sell
http://apoiomaterno.blogspot.com.br/
apoiomaterno@gmail.com
48 9183 0250

Banco de leite - Carmela Dutra
Necessitando de doadoras e de vidros para armazenamento (só podem ser aproveitados os vidros de maionese ou café solúvel que tenham tampa de plástico). 
Para os casos da impossibilidade de deslocamento, a enfermeira chefe, Jaqueline Locks, informa que o leite e os vidros podem ser coletados em casa. 
Basta ligar para o telefone (48) 3251 7552
Fonte: Portal da Saúde


Outros estados:


Amigas do Peito
Rio de Janeiro
http://www.amigasdopeito.org.br/
e-mail: amigasdopeito@amigasdopeito.org.br 
tel: 21-2285 7779

Matrice
São Paulo
http://matrice.wordpress.com/
e-mail: grupomatrice@gmail.com
tel: 11-996223737
La Leche League Brasil
Rio de Janeiro
http://www.facebook.com/pages/La-Leche-League-Rio/228588697232880?group_id=0
tel: 21-2239-0304 e 21- 8116-4141 (falar com Francesca)
Maceió - Alagoas
tel: 82-3325-5710 (falar com Damaris)
e-mail: pmarroquim@ig.com.br
Grupo Virtual de Amamentação
http://www.facebook.com/groups/266812223435061/
10. Saiba onde procurar ajuda
É possível surgirem dúvidas sobre a correta pega do bebê, sobre produção de leite suficiente, fissuras nos mamilos, tipos variados de mamilos (plano, invertido). Mas nada disso é motivo para você deixar de amamentar. Antes de desistir, procure ajuda especializada. Bancos de leite por todo o Brasil têm profissionais capazes de auxiliá-la com dificuldades na amamentação. Você também pode contratar uma consultora em aleitamento materno ou uma doula pós-parto para fazer o atendimento na sua casa. 
11. Eles aprendem rápido
Com o passar do tempo, seu bebê ficará mais eficiente para mamar e aquela mamada que costumava demorar, pelo menos, 20 minutos, será feita em apenas 3 minutos, por exemplo. Não se preocupe, seu bebê terá mamado o suficiente apenas neste tempo. Trata-se da crise dos três meses. Aliás, o mundo estará mais interessante para ele, portanto, ele deixará de querer ficar apenas no peito para começar a observar tudo o que acontece ao seu redor.
Também não se preocupe se seus seios não ficarem mais tão cheios, trata-se apenas do nosso corpo adaptando-se à quantidade que o bebê precisa. Em tempo, a maior parte do leite é produzida durante a mamada.
12. Prepare-se para o fim da licença-maternidade
Você não precisa introduzir leite artificial ou alimentos antes do tempo só porque tem que voltar ao trabalho. Comece algumas semanas antes do seu retorno a fazer estoque de leite materno congelado. O leite materno tem duração de 15 dias no freezer.
Você pode fazer a ordenha manualmente ou com o auxílio de uma bomba. Já existem alguns lugares que oferecem o aluguel delas.
13. Amamentar é prazer
Passados os problemas dos primeiros dias, o aleitamento materno torna-se um grande prazer, tanto para a mãe quanto para o bebê. Amamentar é dar o melhor alimento que ele poderia ter e dar, também, carinho, segurança e conforto. Infelizmente ainda vemos muitos profissionais da saúde desencorajarem o aleitamento materno prolongado (após os 2 anos). Mas saiba que não existe hora certa para o desmame. Esse momento deve ser decido entre mãe e bebê.
Alessandra Rebecchi FeitosaAlessandra Rebecchi Feitosa
Doula Parto e Pós Parto - Consultora em Aleitamento Materno

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Agenda de atividades:

A Hora do Mamaço - Floripa

Sábado, dia 02 de agosto às 15 horas
Parque de Coqueiros
Evento no facebook